Olá amigos!

Este é um texto para quem está pensando em fazer terapia com um profissional da psicologia e quer saber mais sobre cada uma das possibilidades. Também pode ser útil para quem está cursando a faculdade de psicologia e ainda não se decidiu por uma linha teórica.

Explico: a psicologia tem várias linhas ou abordagens e cada uma delas vai ter técnicas específicas. Dizendo de uma maneira bem simples: cada profissional vai ter um “jeito” de atuar. Vamos conhecer os principais tipos?

1) Psicanálise

Começo pela psicanálise de Freud porque ela é consirada uma das 3 forças da psicologia. Durante a faculdade, estudamos muito a obra freudiana e quem deseja se aprofundar acaba fazendo uma pós-graduação ou um curso de formação (que dura cerca de 5 anos).

Antes de desenvolver seu método próprio, Freud utilizava a hipnose. Ele observou que os pacientes melhoravam depois de algumas sessões, mas era frequente o retorno dos sintomas anteriores depois de um tempo. Deste modo, e por não gostar de hipnotizar, ele abandonou a hipnose e passou a utilizar o método da associação livre.

Funciona assim: o paciente chega ao consultório do psicanalista e nas primeiras sessões são realizadas sessões de avaliação, chamadas tecnicamente de entrevistas preliminares. Depois dessa avaliação e se for indicado, o analista explica o método e o paciente deita-se no divã.

O método consiste em falar tudo o que vier à mente, sem criticar o que vier, mesmo que seja bobo, estranho ou sem sentido. O analista, por sua vez, vai ajudar o paciente nesse processo, permitindo com que ele rompa as suas resistências e se abra. Também fará interpretações e com as elaborações do paciente, o processo de análise propicia autoconhecimento e transformação gradual dos sintomas.

Importante notar que é um método não diretivo. Ou seja, o analista não sugere que o paciente faça isto ou aquilo ou diga isto ou aquilo. A análise acontece a partir das associações do paciente e são analisados os sintomas (os sofrimentos) e sonhos, se estes aparecerem.

Muitos pensam que o analista fica quieto a sessão inteira e só o paciente fala. Não é muito por aí. Um bom analista vai interpretar em diversos momentos, embora possa ficar em silêncio durante parte do processo. Quer dizer, um analista que fique a sessão inteira em silêncio – e em todas as sessões – simplesmente não está fazendo o seu trabalho.

A duração de uma análise é extremamente variável e existe uma questão se há ou não o fim da análise (para quem quiser saber mais, recomendo o texto Análise Terminável e Interminável, de Freud). Mas digamos que uma análise para propiciar mudanças leve de 6 meses a 2 anos. Na medida em que é um processo igualmente de autoconhecimento, muitos continuam a análise até depois de terem superado seus sintomas iniciais e alguns ficam dez anos ou mais fazendo análise.

2) Psicologia Analítica de Jung (Análise junguiana)

Jung foi um dos mais importantes psicólogos do século XX. Ajudou na consolidação da psicanálise entre os anos de 1907 e 1912 e foi inclusive o primeiro Presidente da Associação Psicanalítica Internacional. Entretanto, ele discordou de certos pressupostos de Freud.

Na terapia junguiana, nota-se diferenças significativas com relação ao método de Freud. Em primeiro lugar, o analista não fica de costas para o paciente (deitado no divã). Os dois sentam-se frente à frente. Assim como na psicanálise, os sonhos podem vir a ser uma importante fonte de informações sobre o paciente, porém, como a noção de inconsciente é diferente nas duas linhas, vamos encontrar na Psicologia Analítica de Jung o conceito de personificação do inconsciente.

Em outras palavras, quando sonhamos, sonhamos narrativas. Nestas narrativas encontramos certos personagens que, de tempos em tempos, vão mudando.

Para entrar em “contato” com estes personagens Jung preferia utilizar o método da imaginação ativa, ao invés de utilizar o método da associação livre. Na imaginação ativa, o paciente aprende como deixar livre as suas fantasias e a se aproximar destes seus outros lados internos.

Para ajudar na imaginação são utilizadas técnicas geralmente ligadas às artes. Por isso, Jung é bastante estudado em cursos de arteterapia. Não raro são usadas pinturas, esculturas, desenhos, técnicas de escrita, técnica da caixa de areia (Sandplay).

3) Behaviorismo – Comportamental

Quando mencionei a psicanálise, disse que ela é considerada uma das 3 forças da psicologia. A segunda força é a comportamental, já que a Psicologia Analítica de Jung pode ser classificada como uma teoria próxima da psicanálise, nas chamadas psicologias psicodinâmicas (que defendem a existência do inconsciente).

É difícil dizer de um único behaviorismo, pois existem escolas que também divergem entre si sobre determinados aspectos. Mas conseguimos entender a abordagem em geral se percebemos que a sua visão é de que devemos entender e modificar o comportamento.

A psicologia comportamental começa com Watson e é expandida com os geniais estudos de B. F. Skinner, que conseguiu comprovar empiricamente, em laboratório, diversas relações funcionais entre estímulos antecedentes, comportamento e estímulos consequentes.

Um comportamento não é apenas o que fazemos. Os pensamentos, as emoções e a fala também são definidos como comportamentos. E o comportamento humano possui uma estrutura que tem regras. Melhor dizendo, existem leis que nos permitem compreendê-lo e alterá-lo.

Um organismo (um sujeito) se comporta de determinada forma com seus amigos e de outra com sua família. Este é apenas um exemplo de como o comportamento se modifica de acordo com o meio. (O meio também inclui o que pensamos, sentimos internamente, ou seja, o que os outros não conseguem observar diretamente).

Assim, a terapia comportamental foca os seus esforços na modificação dos comportamentos. É uma abordagem mais diretiva. O analista comportamental vai avaliar o que o paciente precisa e vai ajudar com técnicas específicas para a transformação. Técnicas estas que serão direcionadas para o problema particular do indivíduo.

Por exemplo, digamos que o paciente tenha medo de altura. O medo é um resposta condicionada do organismo. Isto significa que a altura elicia uma resposta que o paciente não consegue alterar. Como não consegue alterar por si, ele procura fugir do medo, o que não resolve nada, apenas mantém a resposta de medo com o comportamento de esquiva (de fuga).

Neste caso, o analista pode utilizar uma técnica como a dessensibilização sistemática. A grosso modo, seria como fazer aproximações sucessivas a fim de que o medo vá diminuindo aos poucos com a exposição ao ambiente que gera o medo.

Este é apenas um exemplo. Para cada problema ou transtorno, o analista comportamental possui técnicas específicas para ajudar o paciente. Não raro são passadas “tarefas de casa” para serem feitas entre uma sessão e outra. Por isso falamos que é uma abordagem mais diretiva. Não raro também acontece de o analista sair do seu consultório e ir junto com o paciente para lhe ajudar em uma determinada atividade, como enfrentar o medo de altura.

4) Humanismo

O principal expoente da terapia humanista é o psicólogo Carl Rogers. É difícil dizer em poucas palavras como funciona a sua terapia centrada na pessoa. Mas penso que o seu conceito de aceitação incondicional nos ajuda a entender os seus princípios e o modo como ele conduzia a psicoterapia, individualmente ou em grupo.

Para Rogers, só podemos mudar quando nos aceitamos. Como ele dizia: “O paradoxo curioso é que quando eu me aceito como eu sou, então eu mudo“.

O exemplo clássico para a aceitação ser fundamental para a mudança é o problema do álcool e drogas. Enquanto uma pessoa usa uma determinada substância, ela geralmente acredita que não é viciada e que tem um controle sobre o uso. Pode até brincar sobre o seu abuso, porém não aceita de verdade que tem um problema. É só quando aceita que tem um problema que ela consegue mudar.

Evidentemente, a terapia centrada na pessoa não está ligada apenas a este tipo de mudança. A aceitação incondicional por parte do terapeuta vai propiciar ao paciente a compreensão de si mesmo.

Também conseguimos compreender a utilidade e eficácia da terapia humanista quando percebemos que a autocrítica é terrível para a saúde mental. A aceitação por parte do terapeuta e até o carinho que ele demonstra por seu paciente (chamado preferencialmente de cliente no humanismo) faz com que ele também passe a se autoaceitar como é. E a aceitação gera mudança, e junto gera mais autoconfiança.

As sessões na terapia humanista não são estruturadas. O humanismo é classificado como a terceira força na psicologia e procurou estudar menos as doenças mentais e mais os estados ótimos do ser humano, como os estados de realização pessoal e espiritual.

5) Psicoterapia Corporal – Reich

Reich foi um importante psicanalista. Também discordou de Freud, assim como Jung e Adler, por questões teóricas, políticas e práticas. Para ele, apenas sentar e falar sobre o que se sente e sofre seria insuficiente para a melhora, já que o sofrimento psíquico se reflete no corpo como um todo.

Com a sua interessantíssima teoria das couraças do caráter, ele procurou mostrar esta relação entre tensão muscular e sofrimento psíquico, tratando os sintomas não só a partir da expressão verbal, mas principalmente com a modificação do corpo, com posturas corporais diferentes, mudança no equilíbrio e baricentro, respiração e relaxamento das tensões destas couraças (olhos, boca, garganta, diafragma, genitais, ânus).

A psicoterapia de Reich é, portanto, mais física e corporal e menos verbal e mental. São feitas avaliações individuais para se investigar o que é necessário mudar e técnicas individuais são prescritas tendo em vista a avaliação prévia.

6) Terapia Cognitivo-Comportamental

Falamos acima sobre a terapia comportamental. A Terapia Cognitivo-Comportamental, conhecida como TCC, é uma modificação que surgiu na comportamental a partir especialmente dos trabalhos de Aaron Beck sobre a depressão.

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Curiosamente, Beck começou pesquisando em laboratório se as hipóteses de Freud sobre o luto e a melancolia (depressão) estavam corretas. E, aos poucos, foi entendendo que era a cognição, ou seja, a forma de pensar e interpretar o mundo – peculiar em cada transtorno mental – que fazia o paciente adoecer.

A grosso modo, seria como se cada paciente tivesse uma forma de ver o mundo. Quando esta forma mudava para uma forma “depressiva” ou “ansiosa” ele passava a ter todos os sintomas da depressão ou da ansiedade. Tudo o que o terapeuta, portanto, precisava fazer era ajudar o paciente a voltar a ter uma visão de mundo, uma cognição, diferente e mais adequada para enfrentar os estímulos externos.

A terapia cognitiva comportamental, semelhante à terapia comportamental, é diretiva. Possui sessões estruturadas e geralmente o psicólogo vai informar a média de sessões para o problema que está sendo tratado.

Saiba mais aqui – 10 Princípios da Terapia Cognitiva

7) Transpessoal

Podemos situar a psicologia transpessoal como uma derivação das psicologias humanistas e existenciais, ou seja, Rogers e Maslow, entre outros. Com os estudos dos estados ótimos do ser humano, a psicologia transpessoal começou a notar que era fundamental atentar para as concepções de personalidade e eu.

Em geral, pensamos que a nossa personalidade total é o que vemos, ouvimos, cheiramos, tocamos, pensamos, sentimos, ou seja, tudo o que está relacionado com o eu, com o ego.

Para a psicologia transpessoal, entretanto, o eu é apenas uma parte da personalidade total. E uma parte que pode causar problemas.

Vou tentar explicar. Nós temos uma consciência que se atenta para os estímulos internos e externos. Quando vemos uma flor, nós vemos uma flor. Posso dizer: “estou consciente de que existe uma flor na minha frente”. Mas quando eu tenho um pensamento, eu confundo, e penso que eu sou o meu pensamento. Digo: “eu estou pensando nisso, e por estar pensando nisso, sou assim, gosto disso, gosto daquilo”.

De forma que confundimos. Assim como a flor não é quem somos, o eu (o que se pensa internamente) também não é a nossa essência ou a nossa personalidade integral. Tudo isso pode parecer uma conversa filosófica maluca, porém, quando se trata do sofrimento é muito importante.

Se alguém diz que eu sou burro, novamente, se eu confundo o pensamento com o eu, posso ficar muito magoado. Agora, se eu entendo que o eu, o ego, é apenas uma parte de mim e que a minha essência é maior do que o eu, do que o ego, eu posso ficar mais livre e sofrer menos.

No fundo, é como se passássemos metade da vida ou mais tentando defender um ego, que nem seria tão importante quando imaginamos, perto de quem somos de verdade. Esta é a visão da psicologia transpessoal, a psicologia além da pessoa (do ego).

A terapia transpessoal será extremamente variada. De acordo com cada terapeuta terá um certo tipo de prática.

8) Mindfulness Psychology

E por fim, não poderia deixar de mencionar a Mindfulness Psychology, a Psicologia da Atenção Plena. Em 1979, Jon Kabat-Zinn publicou um livro que foi revolucionário na psicologia e na medicina chamado Full Catastrophe Living.

Basicamente, o que Kabat Zinn fez foi pegar técnicas da meditação budista e utilizar em pacientes internados em hospitais com dor crônica e doenças graves. Ele retirou toda a conotação religiosa e pegou apenas as técnicas. Seria como utilizar a meditação como uma ferramenta.

Na Mindfulness Psychology, então, são utilizadas várias técnicas meditativas: meditação sentada (com foco na respiração), meditação andando, meditação de escaneamento corporal, técnica da uva passa, entre outras.

O que ficou comprovado em centenas de pesquisas científicas publicadas em renomados jornais acadêmicos é que as práticas, se forem realizadas constantemente, auxiliam na redução do stress, da dor, da ansiedade e ajudam em casos de depressão e outros transtornos – quando o paciente já está estabilizado.

Ou seja, as técnicas são úteis para melhorar concentração, atenção mas também podem ser utilizadas concomitantemente com farmacologia ou outros tipos de psicoterapia.

As sessões podem ser individuais, mas geralmente são realizadas em grupos que se encontram por períodos de 8 a 12 semanas.

Conclusão

Neste texto, procurei mostrar os principais tipos de psicoterapia que encontramos na psicologia. Existem outros tipos que não mencionei no texto como a psicologia existencial, fenomenológica, Gestalt-Terapia, psicologia positiva. Segui uma ordem geral conforme a Associação Psicológica Americana. (Caso você saiba e queira complementar, comente abaixo).

Como é um texto breve, ele procura ser geral e detalhado na medida do possível. Se você gostou de um destes tipos, procure saber mais e pergunte para o profissional com o qual pretende se tratar qual o tipo que ele utiliza – ou estude mais a linha teórica caso esteja fazendo psicologia.

Em muitos casos, a psicoterapia não tem sucesso total porque os objetivos pessoais do paciente e as ferramentas utilizadas não são as mais adequadas. Afinal, nem todos os tipos de psicoterapia vão funcionar para todos os tipos de pacientes.

Se você já teve algum tipo de experiência anterior com psicoterapia e, se por ventura não gostou, pode ser a abordagem teórica do profissional. Ou pode ser o profissional. Somos seres sociais e gregários e o fator empatia (ou antipatia) não deve ser desconsiderado em um tratamento.

Dúvidas, sugestões, complementações – desde que educadas – deixe seu comentário abaixo!

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Psicólogo Clínico e Online (CRP 04/25443), Mestre (UFSJ), Doutor (UFJF), Instrutor de Mindfulness (Unifesp), Coach e Presidente do Instituto Felipe de Souza. Como Professor no site Psicologia MSN venho ministrando dezenas de Cursos de Psicologia, através de textos e Vídeos em HD. Faça como centenas de alunos e aprenda psicologia através de Cursos em Vídeo e Ebooks! Loja de Vídeos e Ebooks. Você pode também agendar uma sessão de Coaching Online via Skype, Relacionamentos ou Carreira (faculdade), fazer o Programa de 8 Semanas de Mindfulness Online e Orientação Profissional Online. E não se esqueça de se inscrever em nosso Canal no Youtube! Email - [email protected] - Atendimento presencial na Av. Paulista: Agendar - Whatsapp (11) 9 8415-6913