Conheça os dois tipos de perfeccionismo e entenda melhor o termo a partir das pesquisas da psicologia.

Olá amigos!

Existem dois lados no perfeccionismo. De um lado, o perfeccionismo é visto como uma virtude, como a tentativa de fazer melhor e, em resultado, obter consequências melhores, quiçá perfeitas. Por outro, é visto como um vício ou defeito, como uma tendência que não se realiza. Por querer tanto que seja perfeito, há uma espécie de paralisação. Por este motivo, dizemos no Coaching que antes feito do que perfeito porque a ideia de uma perfeição pode paralisar desde o início.

O que é o perfeccionismo?

O site da APA, Associação Psicológica Amaricana, define o perfeccionismo como a necessidade de ser ou aparecer perfeito. Na medida em que a realidade nem sempre acompanha esta necessidade, o perfeccionismo vem sendo investigado em diversas pesquisas em sua relação com depressão, ansiedade, transtornos alimentares e outros problemas mentais. Nos casos extremos, existe inclusive o risco de suicídio ou tentativa de suicídio.

Olhando por este ângulo, o perfeccionismo seria uma característica indesejada de personalidade, já que seria uma vulnerabilidade para uma série de transtornos mentais. Apesar disso, alguns autores – especialmente que trabalham com o conceito de evolução advinda das teorias de Darwin – argumentam que este traço de caráter seria adaptativo, ou seja, uma adaptação ao ambiente que teria sido reforçada em seleções naturais ao longo da história.

Então, de certa forma poderíamos encontrar qualidades positivas no perfeccionismo, certo? Bem, tudo vai depender do grau e do nível de sofrimento. Psicólogos especialistas na área como Paul Hewitt e Gordon Flett argumentam que existem tipos de perfeccionismo (cada um em uma área da vida), entretanto, nenhum estaria totalmente livre de ser um possível causador de problemas. Isto porque ter e manter padrões exigentes de comportamento implica em aumentar o nível de stress cotidiano.

Um atleta profissional, que treina para as olimpíadas e é perfeccionista, por exemplo, talvez defenda a sua característica de personalidade com o argumento de que é por querer ir mais longe que consegue se motivar. Neste caso, em vez de uma fonte de stress e frustração, teríamos o perfeccionismo engendrando motivação.

No fundo, os diversos pesquisadores ainda debatem qual seria uma definição apropriada para o perfeccionismo. A fim de facilitar a discussão, tem sido aventado dois tipos de perfeccionismo:

– perfeccionismo adaptativo;

– perfeccionismo mal-adaptativo.

Os dois lados do perfeccionismo

Voltamos, portanto, ao conceito de adaptação. Em termos mais práticos e concretos, trazendo a ideia para o cotidiano, podemos dizer que existem dois tipos de perfeccionismo:

– o perfeccionismo que funciona e é útil (adaptativo);

– o perfeccionismo que não funciona e é inútil e só causa sofrimento psíquico (mal-adaptativo).

Quando trabalhei com Recursos Humanos e entrevistei mais de 1.000 pessoas, estava em voga a defesa do perfeccionismo. Na famosa pergunta sobre as qualidades pessoais positivas e negativas, não raro ouvia de muitos candidatos que eles eram perfeccionistas.

Isto significa que eles desejavam e sempre buscavam fazer as coisas com perfeição. No ambiente corporativo, nas empresas e indústrias, procurar e conseguir fazer tudo com qualidade é evidentemente uma característica vista com bons olhos.

Imagine uma pessoa que trabalha no setor de produção de um fábrica. Se fizer um único erro, pode parar a produção por horas. É fácil ver o prejuízo.

Com isto, nesta definição do senso comum, encontramos o perfeccionismo como a busca por fazer tudo com qualidade, de maneira rápida e precisa, sem descuido, desatenção ou erro.

Na grande onda que existiu da Gestão por Qualidade, inspirada nos modelos de gestão japoneses, encontramos princípio idêntico. Na área de produtos ou serviços, o erro não tem lugar. A empresa (e os funcionários por consequência) devem entregar tudo com 100% de qualidade, sem perdas no processo, sem ter que refazer, sem precisar corrigir.

A ideia é de que a empresa que faz tudo com qualidade vai ser mais competitiva, vai conseguir lutar por seu espaço no mercado, e, consequentemente, vai conseguir sobreviver e se adaptar face às mudanças.

Estes seriam exemplos do perfeccionismo – a busca por um ideal perfeito de ação – que seria adaptativo.

Por outro lado, ter um padrão elevado não implica necessariamente em ação. Ou seja, a pessoa quer que seja tão perfeito, tão certo, tão sem erros, tão belo ou preciso mas tão tão mesmo perfeito que não consegue fazer.

Por exemplo, no ambiente acadêmico temos que fazer artigos para apresentar em congressos, TCC (Trabalho de Conclusão de Curso), dissertação, tese, etc. Como as pessoas são avaliadas neste momento, é natural querer fazer de uma forma que esteja isenta de críticas. Portanto, o padrão se eleva. Porém, embora o padrão seja elevado – e justamente por isso – a pessoa trava. Vivencia o bloqueio criativo (writers block) e/ou atrasa muito a entrega, quando não entrega de todo.

Neste caso, teríamos o perfeccionismo negativo, aquele que não é produtivo e, logo, não é adaptativo.

No empreendedorismo também é frequente ver este tipo de perfeccionismo. A pessoa tem uma ideia do que seria a empresa perfeita, o negócio ideal. Embora possa começar a dar alguns passos agora, acha que tem que esperar ter mais condições (tempo, espaço, dinheiro, pessoas) e acaba por deixar o sonho no plano dos sonhos.

Melhor seria começar “por baixo” e ir levantando o negócio com o tempo, certo?

No final das contas, podemos diferir o perfeccionismo adaptativo do mal-adaptativo pensando no longo prazo. Ter sido perfeccionista nesta área te ajudou? Tem te ajudado? Te motivou ou te paralisou? Te fez buscar o seu sonho e realizá-lo ou te fez esperar uma condição mais adequada?

Como disse no início, devido a existir muito o perfeccionismo mal-adaptativo, no Coaching nós utilizamos o conceito de: antes feito do que perfeito. Comece. Mova-se. Faça. Depois você corrige. Melhora. Aperfeiçoa.

Para quem está com dificuldades de escrever, recomendo o nosso texto:

Como superar o bloqueio para escrever – 3 dicas da psicologia

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Conclusão

Como infelizmente existe uma vulnerabilidade no perfeccionismo para certos transtornos mentais como depressão, ansiedade e transtornos alimentares, é importante deixar claro que às vezes é preciso buscar ajuda profissional.

Caso você sinta que o seu lado perfeccionista está apenas te bloqueando e você não está conseguindo sair deste ciclo vicioso, e que tentar ser “perfeito(a)” te deixa muito triste e com ansiedade e outros problemas, procure tratamento psicológico. A terapia vai te ajudar a transformar o perfeccionismo em uma coisa boa e a diminuir a culpa ou a cobrança interna excessiva.

Psicólogo Clínico e Online (CRP 06/145929), formado há 14 anos, Mestre (UFSJ) e Doutor (UFJF), Instrutor de Mindfulness, Coach e Presidente do Instituto Felipe de Souza. Como Professor no site Psicologia MSN venho ministrando dezenas de Cursos de Psicologia, através de textos e Vídeos em HD. Faça como centenas de alunos e aprenda psicologia através de Cursos em Vídeo e Ebooks! Loja de Vídeos e Ebooks. Você pode também agendar uma Sessão Online via Skype, Terapia Cognitivo Comportamental, Problemas de Relacionamentos, Orientação Profissional e Coaching de Carreira , fazer o Programa de 8 Semanas de Mindfulness Online. E não se esqueça de se inscrever em nosso Canal no Youtube! e Instagram! Email - [email protected] - Agendar - Whatsapp (11) 9 8415-6913