Leia o que é necessário sobre o tema. Abandone logo o que é desnecessário. Você terá então tempo para fichar o melhor (de acordo com os seus objetivos) e citar o que é imprescindível.

Olá amigos!

Continuando o nosso Curso – Como sobreviver ao TCC – a dica de hoje vem em decorrência da anterior, de ter um objetivo claro em mente. Principalmente em pesquisas da área de humanas (mas também das outras áreas), uma boa parte do tempo de pesquisa consiste no levantamento bibliográfico, ou seja, em entender, analisar e parafrasear o que outros autores disseram e pesquisaram anteriormente.

Neste sentido, existem dois grandes grupos opostos de pesquisas:

1) Pesquisas de temas já muito pesquisados: se você vai estudar Platão, terá 2.300 anos de pesquisas para dar uma olhada;

2) Pesquisas de temas recentes ou pouco pesquisados: você terá pouco material à disposição.

Os dois grupos de pesquisas tem suas facilidades e dificuldades. Reduz-se o tamanho do material do grupo 1 limitando o tema. Assim, é diferente estudar a ética de Platão e a estética de Platão. Reduz-se mais indo a um tema específico: podemos estudar o conceito de justiça na República ou a “expulsão dos poetas da cidade perfeita”.

Quanto ao segundo grupo, será fundamental ter uma visão completa do que já foi pesquisado como o material à disposição não é farto. Isso exigirá do pesquisador e também tenderá a fazer a pesquisa uma pesquisa nova e original (nem sempre uma vantagem para pesquisadores iniciantes).

A verdade é que, com o tempo, aprendemos a pesquisar e todo o processo acaba ficando como uma linha de montagem em uma fábrica. Uma metáfora boa para o TCC, para a dissertação de mestrado e para a tese de mestrado é pensar no trabalho final como uma grande dissertação que aprendemos no segundo grau.

Assim como em uma dissertação, os trabalhos acadêmicos terão um começo, um desenvolvimento e um fim. Exporemos a nossa “opinião” ou visão do problema de pesquisa e mostraremos os resultados (conclusões) a que chegamos.

Mas não podemos fazer isso do nada. Temos que ter noção do que outros pesquisadores fizeram antes. Por isso, o levantamento bibliográfico – a partir dos objetivos – acaba sendo uma boa parte do tempo da pesquisa e também por este motivo que um pesquisador profissional que está fazendo pós-doutorado (o último nível de pesquisas, para ser um Phd) consegue realizar uma pesquisa enorme em seis meses, enquanto isto seria impossível durante a graduação.

Como se diz, a prática leva à perfeição. E para ajudar neste processo de aprendizagem a dica é: “ler o necessário, fichar o melhor e citar o fundamental”.

Ler o necessário

Vamos retomar o exemplo de alguém que esteja estudando o conceito de justiça na República. Este é o seu objetivo geral. Para tanto, evidentemente, a pessoa terá dois tipos de corpus, de livros para estudar:

1) o corpus fundamental: no caso, a República

2) o corpus secundário: comentadores de Platão e outros textos do filósofo

Tendo em vista – sempre em vista – o objetivo geral, teremos que nos ater ao corpus fundamental e ao corpus secundário. Estudar um autor contemporâneo que fale sobre a estética ou sobre o debate com Heráclito não será necessário, certo?

Então, primeiro, temos que definir as referências que serão necessárias. Em muitos casos, por incrível que pareça, dois ou três livros serão suficientes para uma pesquisa completa sobre o tema. Se você está começando a pesquisar agora, precisará da ajuda do seu orientador nesse quesito.

resumir-fichar-citar

Fichar o melhor

A palavra fichamento vem das antigas fichas de pesquisa como podemos ver no livro que recomendo Como se faz uma tese, de Umberto Eco. Hoje, com as novas tecnologias, a estrutura muda de plataforma (do papel para o digital), porém, o mesmo procedimento precisa ser feito

Existem 3 tipos de “fichamento” e cada professor de metodologia dará um nome (o que pode ficar confuso às vezes). Mas em síntese temos:

– Fichamento (é um resumo do texto estudado através de tópicos. Por exemplo: – na página 278, o autor refere-se à Têmis, a deusa ligada aos assuntos de justiça. Página 289, o autor volta a falar da deusa, da relação entre a mitologia e da definição etimológica da palavra justiça, que retornará nos textos dos filósofos…) E assim vai.

O básico, novamente, é fazer o fichamento do que terá relação direta ou próxima com os objetivos da pesquisa

– Resumo: um resumo é um texto, note bem um texto não em tópicos como um fichamento, no qual vamos resumir os principais pontos do livro que estamos estudando.

– Resenha: a resenha, por sua vez, é igual a um resumo. Contudo, inserimos o nosso ponto de vista e damos o nosso parecer, a nossa opinião, o nosso comentário ou crítica do que lemos.

E, além destes 3, também temos os fichamentos de citação. São citações que serão inseridas no texto, ipsis litteris, ou seja, com as mesmas letras que o autor anterior usou. Por exemplo,

No segundo capítulo da República, Platão escreve: “Quem comete uma injustiça é sempre mais infeliz que o injustiçado” (Platão, 2002, p. 99).

Então, em síntese, nós temos fichamento (em tópicos), resumo (em texto), resenha (em texto mais opinião) e o fichamento de citações.

A tendência de quem está começando é querer fazer tudo de tudo. Esse é o principal erro que nos fará desviar dos objetivos geral e específicos. Se você quer estudar a justiça em Platão, você não precisa fichar o Banquete, nem fazer um resumo dele, nem uma resenha e nem um fichamento de citações.

Lembre-se: menos é mais. Tenha e mantenha sempre em vista os seus objetivos. Com eles, você saberá o que é fundamental e o que não é fundamental fichar, resumir e anotar citações.

Isto reduzirá em muito o seu trabalho, porque você não vai perder tempo fichando um texto que, depois, nem usará no seu trabalho final. Temos a tendência de querer pegar e falar de tudo, mas é importante ter em mente que você deve falar apenas do que está contido no seu objetivo. Assim, se na sua banca de defesa, um professor perguntar de algo que extrapola os seus objetivos, você menciona esta fato irrefutável e diz algo como: “esta é uma pergunta interessante, gostaria de ter estudado este ponto, mas isto encontra-se fora dos nossos objetivos aqui, que foram….”

Afinal, este tipo de crítica da banca é uma crítica rasa e fraca. Toda e qualquer pesquisa será, por definição, limitada. Limitada em seus próprios objetivos. Criticar que você não falou do conceito de amor em um trabalho que fala do conceito de justiça ou que você não estudou certo autor quando estudou outro não faz sentido. E a resposta padrão é esta: “Isto não estava nos nossos objetivos desta pesquisa. Em pesquisas futuras, esta possibilidade poderá ser contemplada… etc, etc”

Conclusão

Como disse, com o tempo aprendemos a escrever neste gênero de escrita chamado gênero acadêmico. Um bom pesquisador consegue fazer um artigo científico em pouquíssimo tempo, depois que adquiriu a habilidade para tanto. A minha querida orientadora de mestrado dizia por este motivo que fazer um doutorado é muito mais fácil do que fazer o mestrado. Não só porque temos mais tempo (4 anos versus 2 anos de mestrado), mas porque já temos prática de pesquisa.

Com o tempo, passamos a “sentir” quando estamos nos desviando dos nossos objetivos e voltamos rapidamente. Lembre-se que um mês perdido em livros, referências e artigos que não tem relação com o seu trabalho final, significarão um mês de atraso! Portanto, não perca tempo, defina o corpus fundamental e o corpus secundário – e mantenha-se ligado sempre e apenas a eles.

Leia o que é necessário sobre o tema. Abandone logo o que é desnecessário. Você terá então tempo para fichar o melhor (de acordo com os seus objetivos) e citar o que é imprescindível.

Na próxima lição, você terá acesso a uma dica que considero a mais importante: escrever primeiro, revisar depois.

Todas as Lições:

1) Um projeto que te emocione

2) Um objetivo claro em mente

3) Ler o necessário, fichar o melhor e citar o fundamental

4) Escrever primeiro, revisar depois

5) 5 Dicas de Produtividade

Conheça também o meu trabalho de Orientação Acadêmica Online – TCC, Mestrado e Doutorado

Psicólogo Clínico e Online (CRP 06/145929), Mestre (UFSJ), Doutor (UFJF), Instrutor de Mindfulness e Pós-Doutorando (Unifesp), Coach e Presidente do Instituto Felipe de Souza. Como Professor no site Psicologia MSN venho ministrando dezenas de Cursos de Psicologia, através de textos e Vídeos em HD. Faça como centenas de alunos e aprenda psicologia através de Cursos em Vídeo e Ebooks! Loja de Vídeos e Ebooks. Você pode também agendar uma sessão de Coaching Online via Skype, Relacionamentos ou Carreira (faculdade), fazer o Programa de 8 Semanas de Mindfulness Online e Orientação Profissional Online. E não se esqueça de se inscrever em nosso Canal no Youtube! Email - [email protected] - Agendar - Whatsapp (11) 9 8415-6913