Na 1° Lição do Curso Grátis Como sobreviver ao TCC, você descobrirá a importância de escolher um projeto de pesquisa (um tema) que lhe emocione, ou seja, um tema que seja apaixonante estudar.

Olá amigos!

Levi-Strauss foi um dos mais importantes antropólogos do mundo. Lecionou inclusive na Universidade de São Paulo (1935-1939), quando realizou pesquisas sobre os índios Bororo no Brasil e publicou Tristes Trópicos. (Eu tenho uma edição rara deste livro em alemão). Na França, durante décadas deu aulas no Collège de France.

No final, teve que se aposentar. Foi obrigado a isso pelas regras da Universidade. Resultado: fez vestibular e retornou como aluno.

Existem pessoas – como eu – que são acadêmicos, ou seja, gostam de estudar pelo estudo. Com os incentivos sociais certos, tais pessoas passarão a vida toda estudando e ensinando, estudando e ensinando.

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Por outro lado, existem outras pessoas que são diferentes (nem melhores, nem piores) que estudam para um fim. Estudam para ter um diploma e poder ter uma área de atuação e uma remuneração mais alta.

Didaticamente, para o nosso curso, é importante diferenciar entre estes dois grupos: o grupo de acadêmicos e o grupo de não-acadêmicos. Para os primeiros, a pesquisa é apaixonante ou, em outras palavras, é tão instigante que não é um fardo. Ocorre como um processo natural da própria personalidade e, com isso, tem-se mais facilidade para fazer iniciação científica, trabalhos de conclusão de curso, artigos, dissertações de mestrado e teses de doutorado.

Para o grupo de não-acadêmicos, portanto, todo o Ensino Superior consistirá em um período de aprendizagens, é claro, mas como uma finalidade prática em vista. Deste modo, há a tendência de que o processo exigido (provas, seminários, trabalhos finais, TCC, etc) seja mais enfadonho e cansativo.

De toda forma, para os dois grupos, para os acadêmicos e os não-acadêmicos, existirão momentos de stress e dificuldade. E é justamente por este motivo que estou criando este breve Curso sobre como sobreviver ao TCC.

O mais fácil ou o mais difícil?

Estes dias eu vi um filme (Ninfomaníaca, de Lars Von Trier), em que um dos personagens perguntava para a outra se ela começava a cortar as unhas pela mão esquerda ou direita. Sendo destra, ela responde que começa a cortar as unhas pela mão esquerda. E só depois vai para a mão direita.

Como a mão direita é mais habilidosa, ela começava pelo mais fácil e somente após ia para o mais difícil. O personagem que perguntava dizia então que o mundo se dividia em dois tipos de pessoas:

– as pessoas que começavam pelo mais fácil;

– as pessoas que começavam pelo mais difícil.

Claro que isto não é uma teoria científica, mas nos ajuda a entender um princípio importante para todo e qualquer trabalho acadêmico: começar pelo mais fácil.

E um trabalho acadêmico começa pelo projeto, pela ideia do que você vai e quer pesquisar. Levando em conta o princípio do mais fácil, por que não começar e estudar o que você gosta? Escolher um projeto e um tema que é do seu interesse?

Se você ainda está na fase da escolha do tema do projeto, este texto é para você. (Se você já passou desta fase, acompanhe os próximos textos).

Mas porque eu digo que o ideal é que você escolha um tema que você goste? Que você seja apaixonado por?

Pela fato óbvio de que você “ganhará um tempo” muito grande estudando isso. Este tempo pode chegar até a 4 anos no doutorado. A não ser que você seja como um querido professor meu, um acadêmico tipo pensamento (na tipologia de Jung), que pediu para o seu orientador na época escolher um objeto de estudo para ele, porque ele gostaria de estudar tudo, o mais recomendável é que você escolhe um tema que lhe agrade.

Realmente, por razões óbvias. Até este tema que você escolheu – e que você gostará de estudar – em certos dias poderá te trazer certo desconforto. Portanto, dica simples: escolha um tema que seja do seu mais profundo interesse.

E para tanto, existem algumas ideias que podem te ajudar na escolha:

– Lembre-se das matérias da faculdade que você mais gostou de estudar;

– Pergunte a famosa pergunta instigante – Porque? Porque estudar isso tem relevância (para mim)? (Acreditar que a sua pesquisa vai mudar o mundo também sempre ajuda na motivação)

-Investigue a sua personalidade.

Embora nem todos, eu sei bem, tem a tendência ou a vontade de buscar o autoconhecimento, esta última dica também pode ser muito útil para descobrir e encontrar um projeto que te emocione. Por exemplo, eu estudei durante 3 anos a obra de James Joyce porque tive um sonho. Analisando o sonho, percebi que não sabia quem era James Joyce. Ao encontrar os seus romances, fiz uma iniciação científica e um mestrado…

Conclusão

Eu tenho a opinião de que o Ensino Superior é superior ao Ensino Médio pelo fato de que podemos escolher o que estudar. Esta é uma grande vantagem, pois focamos a nossa atenção em uma grande área de estudos.

Por exemplo, eu escolhi e entrei aos 17 anos na faculdade de psicologia. Deixei de lado muitas outras oportunidades de estudo e centrei minha dedicação na área psi. Esta escolha, evidentemente, já implica na ideia de que eu gosto da área que estudo. O que estamos falando aqui nesta primeira dica, é sobre encontrar um tema específico dentro da psicologia que eu goste mais, que me chame mais a atenção.

(Isto acaba excluindo as pessoas que escolhem uma faculdade não porque gostam da área de estudos. Mas a dica não se torna inválida por isso. Se você escolheu uma faculdade que não gosta e agora tem que fazer o TCC para pegar o diploma, procure entender este texto na seguinte perspectiva: escolha um tema que você se interessou durante este anos. Se isto for muito difícil, escolha o que menos te desagradou).

A metáfora de escolher a mão esquerda para cortar a unha como uma imagem para a nossa disposição de escolher o mais fácil é uma metáfora até boba. Mas não se preocupe com isso.

Eu sei por experiência própria que o mais indicado é que você escolha um tema que lhe agrade, que lhe desperte interesse, que seja apaixonante – como o meu amigo que disse ter encontrado o amor de sua vida ao começar a estudar música.

Em alguns casos, especialmente no mestrado e no doutorado, acontece de o orientador mudar o projeto de pesquisa que foi apresentado no processo seletivo. Por isso, e entendendo a importância de ter um tema que você goste, escolha sempre muito bem o orientador e escolha também tendo em vista o que ele ou ela gosta de estudar.

Como há uma relação assimétrica entre professor e aluno, por “questões do destino”, você pode acabar tendo que estudar durante 2 ou 4 anos um tema de escolha não sua, mas do seu orientador. Por isso, fique atento.

Esta dica da escolha do orientador(a) também é válida para o TCC. Se possível em sua instituição de ensino, escolha um orientador(a) com que você tiver afinidade. Isto te poupará algumas dores de cabeça no caminho…

No próximo texto, falaremos sobre Um objetivo claro em mente.

Veja também as Lições seguintes:

3) Ler o necessário, fichar o melhor e citar o fundamental

4) Escrever primeiro, revisar depois

5) 5 Dicas de Produtividade

PS: Se você já escolheu uma faculdade ou um tema que não te emocione, continue lendo os nossos próximos textos, que te ajudarão, ok?

Conheça também o meu trabalho de Orientação Acadêmica Online – TCC, Mestrado e Doutorado

Psicólogo Clínico e Online (CRP 06/145929), Mestre (UFSJ), Doutor (UFJF), Instrutor de Mindfulness e Pós-Doutorando (Unifesp), Coach e Presidente do Instituto Felipe de Souza. Como Professor no site Psicologia MSN venho ministrando dezenas de Cursos de Psicologia, através de textos e Vídeos em HD. Faça como centenas de alunos e aprenda psicologia através de Cursos em Vídeo e Ebooks! Loja de Vídeos e Ebooks. Você pode também agendar uma sessão de Coaching Online via Skype, Relacionamentos ou Carreira (faculdade), fazer o Programa de 8 Semanas de Mindfulness Online e Orientação Profissional Online. E não se esqueça de se inscrever em nosso Canal no Youtube! Email - [email protected] - Agendar - Whatsapp (11) 9 8415-6913