Para falar bem em público é preciso aprender cada vez mais e cada vez melhor como dar ênfase em partes específicas das frases. E, além disso,  é fundamental aprender como demonstrar convicção sabendo o que se quer defender como argumento central

Olá amigos!

Começamos o nosso Curso falando que devemos ter sempre uma avaliação mais positiva de nossas apresentações. Isto não significa que não devemos, também, aprender com os nossos erros e tentar melhorar cada vez mais. Eu, particularmente, já percebi que avalio uma apresentação minha como quase perfeita quando eu falo com mais convicção. Em outras palavras, quando eu tenho mais firmeza no que eu estou falando.

Nesta Lição, então, vamos aprender sobre a firmeza na fala. Em dois sentidos:

1) Firmeza na fala como segurança no argumento central

2) Firmeza na fala como impostação de voz

1) Firmeza na fala como segurança no argumento central

Toda e qualquer apresentação passa uma mensagem em seu conteúdo. Veremos na Lição 9, a Mensagem em um Tweet, como construir a mensagem central em uma pensamento de no máximo 140 caracteres, como uma mensagem dentro do Twitter. Mas antes de chegarmos lá, precisamos conversar sobre mais alguns pontos dentro da exposição situacional.

Vamos começar por um exemplo, que daí fica tudo mais fácil.

No nosso Curso A Interpretação dos Sonhos, de Freud, nós descobrimos logo que ele tem um argumento central que perpassa toda a obra: o sonho tem um sentido e este sentido pode ser interpretado.

Bem, para quem já estudou um pouquinho de psicanálise, e até quem nunca estudou mas nasceu em um mundo depois da psicanálise, terá com certeza visto que o sonho pode ser interpretado. E é interpretado em análises e em terapias por psicólogos, psicanalistas e outros profissionais.

Porém, este argumento central de Freud não é óbvio. Na verdade, como vemos no capítulo 1, em que ele faz um extenso levantamento dos livros e trabalhos científicos publicados nos séculos anteriores, o argumento central dos médicos e cientistas era o oposto: o sonho é epifenômeno do sono. E não tem sentido algum.

Assim, nós temos um argumento a ser defendido e nós temos um argumento a ser combatido:

Tese dos cientistas antes de Freud: o sonho é sem sentido e constitui um amontado de imagens desconexas fruto do estado de sono.

Tese de Freud: o sonho tem um sentido e se nos dermos o trabalho de analisá-lo descobriremos que o sonho é a realização de um desejo reprimido.

Deste modo, entendemos que há uma tese e uma antítese, um argumento e um contra-argumento. Quando vamos falar em público, antes de mais nada temos que saber qual ponto queremos defender. Ter a clareza do argumento a ser defendido em uma apresentação tratá, também, a firmeza na fala, ou seja, a firmeza na impostação de voz, pois saberemos por onde devemos começar e para onde devemos conduzir os nossos pensamentos.

2) Firmeza na fala como impostação de voz

Este subtítulo é simples de entender. Leia a frase abaixo observando os pontos em negrito:

“Quando estamos falando, nós temos que dar ênfase em algumas palavras. Em um texto escrito, podemos mostrar como isto seria possível com negrito. O negrito vai indicar os pontos em a fala deve ser frisada. Ou seja, pontos em que a fala tem que ser mais forte e mais pausada”.

Também é interessante observar os discursos. Para entendermos o que seria esta tal de firmeza na fala, podemos imaginar duas situações:

Imagine uma situação na qual o palestrante fala todas as frases com o mesmo tom de voz, monotonal, apenas um tom, sem ênfase alguma.

Agora imagine uma situação na qual o palestrante dá enfâses de tempos em tempos, frisando, marcando, demarcando pontos, verbos, adjetivos que são fundamentais em cada frase. Isto dará não só um ritmo adequado para a fala como também passará para a plateia o sentimento de confiança e convicção do apresentador.

Uma dica importante, além destas, é a observação. Se você quer aprender a falar em público de verdade, observe, observe, observe. Veja como as pessoas falam na TV. Entrevistados, entrevistadores, jornalistas, apresentadores de programas. Veja como se fala nas rádios, em palestras, cursos, aulas. Em cultos, missas, orações. Quando alguém vai se apresentar (dizer quem é) para um grupo. Observe o tom de voz, a postura, a respiração, os gestos, o que diz, quando faz ênfases, quando faz pausas. Observando se aprende muito!

Com relação à importância deste ponto 2, sugiro observar os pastores de certas Igrejas evangélicas. Eles aprenderam bem este ponto. Tão bem que às vezes a ênfase torna-se excessiva.

Conclusão

No livro The Presentation Secrets of Steve Jobs: How to Be Insanely Great in Front of Any Audience de Carmine Gallo, sem tradução em português (em tradução livre o título seria Os segredos da apresentação de Steve Jobs: como ser insanamente bem em frente a qualquer audiência), nós apresentamos uma técnica muito interessante que Steve Jobs constantemente utilizava. Na verdade, em toda apresentação ele utilizava esta técnica.

A técnica é a seguinte: tenha um inimigo. Tenha um antagonista. Tenha algo contra a qual lutar. Tenha um bode expiatório. Tenho um pensamento, uma ideia, uma forma de conceber o mundo para ir contra em sua apresentação.

Pode parecer meio estranho a princípio, mas esta técnica faz sentido se pensarmos no ponto 1 de nossa Lição, a Firmeza na fala como segurança no argumento central.

O autor do livro, Carmine Gallo, menciona que Jobs sempre tinha um inimigo em mente para fazer as suas apresentações. Em uma época foi a IBM. Depois foi a Microsoft. Na apresentação em que introduz o primeiro iPad, o inimigo são os netbooks e assim por diante.

Se retomarmos o exemplo do Freud, veremos que ele tinha um “inimigo” quando estava escrevendo o Interpretação dos Sonhos: os cientistas de sua época que diziam que o sonho não tinha sentido. Nos Três Ensaios sobre a sexualidade, ele teve que ir contra a ideia de que a sexualidade só se inicia na puberdade, ou seja, teve que defender um argumento inovador e controverso: a sexualidade infantil.

Políticos também fazem uso desta técnica. Para mostrar a que vieram, fazem questão de apontar os erros de seus adversários. É claro que isto pode ser feito com elegância ou com irritação, desdém, falta de respeito.

Como cada pessoa terá o seu próprio jeito de falar em público, a partir de sua personalidade, encontrar um “inimigo” para lugar pode ser apenas uma estratégia para aclarar o próprio argumento e ter um outro argumento para desconstruir ou pode ser uma questão de vida e morte.

O que eu recomendaria é ter esta estratégia como apenas uma estratégia para ter mais firmeza e segurança na hora de defender uma tese.

Por exemplo, “nesta apresentação eu vou mostrar para vocês como o aquecimento global é uma mentira”. Pronto, estou com um argumento e vou defender este argumento. Para tanto, vou também ter em vista o argumento totalmente contrário, de que o aquecimento global é uma realidade.

E isto é válido para todas as teses possíveis. Em uma reunião de empresa, alguém pode defender o aumento de um gasto para ter lucro mais a frente, outro pode defender a redução de gastos. Em políticas públicas alguém pode defender a legalização das drogas, outro pode defender a proibição. Na moda, alguém pode defender o uso de glitter, enquanto outro pode achar glitter démodé. 

Enfim, tese e antítese. Argumento e contra argumento. Mocinho e vilão. Protagonista e Antagonista.

Saiba qual é a sua posição, o que você quer defender. Assim você terá firmeza nos dois sentidos: em seus argumentos e em seu tom de voz, frisando pontos específicos do discurso.

Veja também:

Página Inicial – Como falar em público

Lição 1 – Processamento Pós-Evento 

Lição 2 – Treinamento contínuo

Lição 3 – Exposição situacional – Pausas de 5 segundos 

Lição 4 – Exposição situacional – Olhos nos olhos

Para concluir, um belíssimo discurso. “Eu tenho um sonho” (I have a dream), por Martin Luther King: Eu tenho um sonho que um dia nas colinas vermelhas da Geórgia os filhos dos descendentes de escravos e os filhos dos desdentes dos donos de escravos poderão se sentar junto à mesa da fraternidade…

Obviamente, ele estava indo contra a segregação racial…

Psicólogo Clínico e Online (CRP 06/145929), Mestre (UFSJ), Doutor (UFJF), Instrutor de Mindfulness e Pós-Doutorando (Unifesp), Coach e Presidente do Instituto Felipe de Souza. Como Professor no site Psicologia MSN venho ministrando dezenas de Cursos de Psicologia, através de textos e Vídeos em HD. Faça como centenas de alunos e aprenda psicologia através de Cursos em Vídeo e Ebooks! Loja de Vídeos e Ebooks. Você pode também agendar uma sessão de Coaching Online via Skype, Relacionamentos ou Carreira (faculdade), fazer o Programa de 8 Semanas de Mindfulness Online e Orientação Profissional Online. E não se esqueça de se inscrever em nosso Canal no Youtube! Email - [email protected] - Agendar - Whatsapp (11) 9 8415-6913