Lendo o livro Nada a fazer, nenhum lugar a ir, de Thich Nhat Hanh, encontrei esta frase do poeta vietnamita Nguyen Du: “quando uma pessoa está triste, o cenário nunca é feliz”. Quando eu escrevia poesias, certa vez eu pensei: “os humores mudam as cores do mundo”.

Algumas pessoas dizem que veem auras, cores sobre as cabeças das pessoas que refletem o seu estado mental e emocional, agora e ao longo dos anos. Quem não vê não acredita que haja a possibilidade de ver. De toda forma, deve ser interessante como as cores são reflexos dos pensamentos e sentimentos. Na linguagem dizemos que quem está apaixonado vê o mundo cor-de-rosa e quem está deprimido vê tudo cinza.

O que mais me marcou ao longo destes 8 anos (quase 9) de experiência como psicólogo clínico é a comprovação das diferenças individuais.

Todos os objetos do mundo são objetivos mas não são os mesmos para todas as pessoas. A lua, por exemplo, para um representa a paixão, para outro a loucura (sabia que os crimes aumentam quando é lua cheia?) e para outro é um corpo celeste com certa massa, um satélite da terra. Embora cada um pense que vê a lua como ela é, cada um vê a lua conforme o seu si-mesmo.

Por isso Nguyen Du está completamente certo. A paisagem mais linda do mundo será lúgubre para quem está mal.

Quando uma pessoa está triste, o cenário nunca é feliz

Ainda que o cenário seja perfeito, portanto, a pessoa continuará triste. Mudar de casa, mudar de relacionamento, mudar de trabalho, de cidade, de estado, de país. Nada disso adianta. O cenário muda. A pessoa continua como está. É como a famosa frase de Jung: “quem olha para fora, sonha, quem olha para dentro, desperta”.

Em um sonho, não sabemos que estamos sonhando. A não ser casos especiais e raros, como são os sonhos lúcidos

Mas, em geral, não sabemos que estamos sonhando e vivemos o sonho como uma realidade. Ao acordarmos, vivemos a realidade de maneira igual. Não percebemos que o que vemos fora, está dentro. Se estamos de mal com a vida, a vida nos parecerá má. Se estamos bem, teremos prazer de viver.

Tudo isso pode parecer muito simples. Quem é do tipo mais lógico-racional (o tipo pensamento na classificação de Jung), talvez queira ver mais pensamento, mais conceitos, mais definições nisso que estamos falando. Dividir mais, esmiuçar mais, analisar mais é só um hábito.

Do ponto de vista das emoções, é suficiente dividir em emoções agradáveis e desagradáveis. A pessoa pensamento diria: por este, por aquele e por aquele outro motivo, o texto está incompleto (em última instância, não gostei do texto, o texto não me agradou). O pensar também reflete uma perspectiva individual e acreditar que o pensamento é isento de uma equação pessoal, ou seja, de uma participação do sujeito no pensamento, é uma ingenuidade.

Desta forma, do ponto de vista do pensamento: “Quando uma pessoa está pensando, o cenário lhe parece com o que e como está pensando…

Empatia e compreensão

É muito fácil não entender alguém. Na medida em que as pessoas são diferentes umas das outras, é fácil entender quem compartilha das mesmas cores dos nossos humores ou, dizendo sem metáforas, quem concorda conosco. Freud dizia: “Quando você diz: eu concordo com isso, na verdade, quer dizer, isso concorda comigo.”

Esta frase é uma outra maneira de dizer que é de dentro para fora e não de fora para dentro. Então a não compreensão ficaria algo como “Isso não concorda comigo, eu não concordo com isso, eu não concordo com você. Logo, não te entendo! Como você pode pensar assim?”.

E a continuação é tudo o que conhecemos: brigas, discussões, arguições, conflitos intermináveis. Cada um se sentindo o dono da razão.

Para ter empatia e compreensão pelo outro é preciso se imaginar em sua pele, conhecer a fundo sua história de vida, para saber o que lhe conduziu até ali e tentar ver sob o seu ponto de vista, sob o seu horizonte de perspectiva, como dizia Gadamer. Nas palavras do grande psicólogo humanista Carl Rogers:

“Ser empático é ver o mundo com os olhos do outro e não ver o nosso mundo refletido nos olhos dele”.

Conclusão

Do que dissemos podemos tirar uma conclusão: a de que é possível mudar. É possível mudar as cores do mundo, tornar o cenário mais frequentemente feliz, se abrir para novas verdades e novos olhares sobre as coisas, as pessoas e a realidade compartilhada. É possível ver que os pensamentos são apenas imagens e palavras e que as emoções, com suas variações nas sensações são transitórias e temporárias.

Uma boa maneira de passar por tudo o que falamos aqui neste texto é fazer teatro. No teatro, saímos do personagem que acreditamos que somos e entramos em outro. O cenário muda, as pessoas ao redor mudam, os sentimentos e pensamentos mudam.

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Psicólogo Clínico e Online (CRP 06/145929), formado há 14 anos, Mestre (UFSJ) e Doutor (UFJF), Instrutor de Mindfulness, Coach e Presidente do Instituto Felipe de Souza. Como Professor no site Psicologia MSN venho ministrando dezenas de Cursos de Psicologia, através de textos e Vídeos em HD. Faça como centenas de alunos e aprenda psicologia através de Cursos em Vídeo e Ebooks! Loja de Vídeos e Ebooks. Você pode também agendar uma Sessão Online via Skype, Terapia Cognitivo Comportamental, Problemas de Relacionamentos, Orientação Profissional e Coaching de Carreira , fazer o Programa de 8 Semanas de Mindfulness Online. E não se esqueça de se inscrever em nosso Canal no Youtube! e Instagram! Email - [email protected] - Agendar - Whatsapp (11) 9 8415-6913