Muitas vezes os pais, familiares ou amigos tentam influenciar na escolha da profissão. No caso da psicologia, as críticas geralmente estão ligadas aos possíveis baixos salários, alta concorrência, conflitos religiosos ou incompreensões sobre a área de atuação.

Olá amigos!

Uma dúvida muito comum que recebo aqui no site diz mais ou menos o seguinte: “eu gostaria de fazer a faculdade de psicologia, mas meus pais ou minha família ou meus amigos não querem que eu faça. O que você acha? O que eu devo fazer?”

Como eu entrei na faculdade em 2002, me formei em 2006 e já tenho muita experiência na área, vou procurar responder a esta questão neste texto a partir do meu ponto de vista.

Razões para não fazer psicologia

Os pais, familiares, amigos ou quem quer que seja que diz que não se deve fazer psicologia, muito provavelmente, levantam uma ou mais das razões abaixo:

1) a psicologia não dá dinheiro;

2) o mercado já está saturado de profissionais

3) a psicologia é apenas para gente louca;

4) a psicologia pode mudar as suas crenças.

1) A psicologia não dá dinheiro

Bem, já escrevi aqui no site alguns textos sobre a remuneração na psicologia. Veja aqui:

Compensa fazer a faculdade de psicologia pelo salário?

Por que os psicólogos ganham tão mal?

A questão é que em toda e qualquer profissão há o salário mais baixo e o salário mais alto. Portanto, se você encontrar um profissional da psicologia que é bem sucedido e perguntar para ele se a psicologia dá dinheiro, o que você acha que ele responderá? Que sim, é claro.

Porém, se você encontrar um profissional que ganha pouco ou até está desempregado, a resposta será totalmente inversa. Assim, podemos ficar em dúvida sobre quem fala a verdade.

A verdade é que a maior parte dos profissionais da psicologia ganha entre 2.000 reais e 4.000 reais. Alguns ganham menos e alguns ganham mais e poucos ganham mais de 10.000 reais por mês.

Mas, analisando mais friamente, veremos que isto não é exclusivo da psicologia. Em todas as áreas, das humanas às exatas passando pelas biológicas, são poucos os profissionais que passam disso. São salários de cargos sêniors, executivos, diretores com bastante experiência.

Segundo um levantamento recente do IBGE, apenas 1% da população ganha mais de 10.000 reais por mês. Portanto, não é mesmo comum encontrarmos profissionais da psicologia – e de outras áreas – com um salário deste tipo.

A vantagem da psicologia, na questão salarial, é que é um profissão que lhe permite atuar em diversas áreas.

Veja – As 7 melhores áreas de atuação para a psicologia

Além das várias possibilidades de atuação, também é uma profissão liberal. Em muitos e muitos casos, é o próprio profissional que faz o seu horário, define o valor de sua hora, como, onde e com quem quer trabalhar.

Entretanto, existem vantagens e desvantagens de ser um profissional liberal

2) O mercado já está saturado de profissionais

Segundo dados do Conselho Federal de Psicologia, somos 250.000 profissionais formados no Brasil. Para ser mais exato,

Número de psicólogos no Brasil: 254.536

Destes, cerca de 90% são do sexo feminino

Apesar do número parecer alto, não é tão alto se compararmos com outras profissões como direito, por exemplo. O número toma outra significação quando olhamos para a concorrência por estados:

Estado Psicólogas (os)
Acre 414
Alagoas 3.012
Amapá 343
Amazonas 3.103
Bahia 8.042
Ceará 4.782
Distrito Federal 7.714
Espírito Santo 3.561
Gioás 6.240
Maranhão 1.489
Mato Grosso 2.465
Mato Grosso do Sul 3.182
Minas Gerais 29.600
Pará 3.317
Paraíba 3.623
Paraná 13.870
Pernambuco 8.714
Piauí 1.963
Rio de Janeiro 32.844
Rio Grande do Norte 2.213
Rio Grande do Sul 17.095
Rondônia 1.242
Roraima 420
Santa Catarina 9.760
São Paulo 82.791
Sergipe 1.788
Tocantins 902
* Exterior

Ou seja, enquanto existem 82.791 psicólogos em São Paulo, 32.844 no Rio de Janeiro e 29.600 em Minas Gerais (os estados com mais prevalência e que representam mais da metade do número total), no Acre existem apenas 414 e no Amapá somente 343.

Portanto, do mesmo modo que ocorre com a dúvida a respeito do salário (se o salário é bom ou ruim), a resposta sobre a concorrência na área da psicologia fica incerta. Quer dizer, certamente em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas a concorrência é maior – contudo, se levarmos em conta a totalidade da população nestes estados, teremos uma outra dimensão da concorrência versus público-alvo.

Por outro lado, em estados no Norte e Nordeste, o número de profissionais é extremamente baixo. Por este motivo, uma colega de profissão me disse que no período em que passou no Acre (seu marido é militar), ela mal tinha acabado a mudança e já tinha três propostas de emprego.

3) A psicologia é apenas para gente louca

Embora este tipo de preconceito esteja acabando, ainda é comum a associação entre psicologia e loucura. De duas formas: a ideia de que os profissionais que lidam com a saúde mental devem ter alguma loucura intrínseca para ter este tipo de interesse e, de outro, a ideia de que as pessoas que são tratadas são necessariamente muito perturbadas.

É importante salientar que a psicologia não é apenas a psicologia clínica. Temos a psicologia organizacional (em empresas e indústrias), a psicologia escolar e educacional (em escolas, faculdades, governo), a psicologia do trânsito, a psicologia forense e jurídica, a psicologia hospitalar, a psicologia do esporte, a psicologia social e comunitária, neuropsicologia, psicomotricidade – isto só para citar as principais.

De modo que, colocado nestes termos, é evidente que a psicologia não lida apenas com distúrbios mentais graves. Mesmo o psicólogo clínico pode se especializar em tipos de atuação que não envolvam transtornos mentais sérios, como orientação profissional ou terapia de casal.

4) A psicologia pode mudar as suas crenças

Este tipo de crítica é comum em pessoas que são religiosas e temem que seus filhos e filhas, ao fazerem a faculdade de psicologia, possam se afastar de suas origens espirituais.

Muita gente não sabe, mas existe uma área da psicologia chamada de psicologia da religião (não confundir com psicologia religiosa). É uma área que está dentro da tradição alemã intitulada de Religionswissenschaft (Ciência da Religião), que engloba a antropologia da religião, a sociologia da religião, a filosofia da religião e a teologia (história das religiões comparadas, entre outras vertentes).

Bem, para responder a este tipo de questionamento se a psicologia altera ou não as crenças pessoais e religiosas eu escrevi dois textos:

Psicologia e Deus

Psicologia: Interpretação dos fenômenos religiosos

Conclusão

Tais preocupações paternas, familiares ou de amigos que tratamos no texto são, até certo ponto, justificáveis. Entretanto, como sabemos, a grande questão da Orientação Profissional é encontrar uma profissão que seja adequada à personalidade única de cada um. Seguir os conselhos alheios, neste sentido, nem sempre é útil ou saudável.

Como salienta muito bem Jung no Livro Vermelho:

“Não é apenas imbecilidade trocar sua própria vida por uma estranha, mas também uma brincadeira estúpida, pois nunca conseguirás viver realmente a vida de outra pessoa, tu apenas finges, enganas o outro e a ti mesmo, pois só podes viver tua própria vida” (JUNG, 2013, p. 169).

Dúvidas, sugestões, críticas, por favor, escreva abaixo:

Psicólogo Clínico e Online (CRP 04/25443), Mestre (UFSJ), Doutor (UFJF), Instrutor de Mindfulness (Unifesp), Coach e Presidente do Instituto Felipe de Souza. Como Professor no site Psicologia MSN venho ministrando dezenas de Cursos de Psicologia, através de textos e Vídeos em HD. Faça como centenas de alunos e aprenda psicologia através de Vídeos e Ebooks! Loja de Vídeos e Ebooks. Você pode também agendar uma sessão de Coaching Online via Skype, Relacionamentos ou Carreira (faculdade). E não se esqueça de se inscrever em nosso Canal no Youtube! Email - [email protected] - (12) 3042-0336 - Whatsapp (35) 99167-3191 - Snapchat: psicologiamsn