Olá amigos!

Recebi um pedido de uma querida leitora para escrever sobre a questão do feminismo versus machismo. É um problema bastante interessante, que pode ir desde uma conversa singela entre amigos ou namorados até dificuldades muito sérias como violência ou, nos casos extremo, assassinato.

Para começar e entendermos as questões éticas envolvidas, vamos pensar em algumas interrogações:

– Uma mulher pode votar para escolher os seus representantes políticos?

– Uma mulher pode deixar os pêlos das axilas crescerem?

– Um homem pode usar vestido ou saia se quiser?

– Um homem pode ser estuprado só por ter cometido um delito e estar preso?

Todas estas perguntas – e muitas outras – estão imersas no debate. Como são questões éticas (que são individuais) e políticas (não deixam de estar relacionadas ao nosso convívio social) estamos certos de que não chegaremos sempre a um consenso, a um acordo como poderíamos chegar em um conhecimento científico, como, por exemplo, de que a água evapora a 100 graus nas condições certas.

Todas as perguntas éticas e políticas representam posições a serem defendidas. Evidentemente, em muitas situações também estamos falando de direitos, em geral, e direitos humanos, em particular.

Mas antes de voltarmos a estas questões, façamos um breve histórico do feminismo, sob a perspectiva da historiadora e psicanalista Julia Kristeva.

História do Feminismo

A grosso modo, podemos distinguir três momentos históricos do feminismo. Tais momentos se sobrepõe e estão presentes até os dias atuais. São eles:

1) Feminismo Liberal: busca por direitos civis como o direito de votar e de estudar.

2) Feminismo Radical: a feminilidade é exaltada e as diferenças entre os gêneros e uma busca maior da valorização do que é ser mulher é perseguida.

3) Feminismo para além das distinções de gênero: as categorias homem e mulher são criticadas por serem metafísicas. A busca aqui é pela liberdade de ser, independente da palavra que designa o gênero.

Quando digo acima que tais momentos do feminismo se sobrepõe é porque nem todos os direitos da mulher, direitos básicos, foram ainda conquistados. Ao menos entre nós a mulher tem o direito de votar e o seu voto tem tanto valor quanto o voto de um homem. Inclusive, temos no mais alto cargo da nossa República, uma mulher, a presidenta Dilma.

Entretanto, é fato que as mulheres ganham em média menos do que os homens em cargos iguais. Este é um direito civil básico (igualdade de salários para o desempenho das mesmas funções) que ainda não foi conquistado. Por este e outros motivos o chamado feminismo liberal continua ativo.

O feminismo radical é aquele na qual há uma forte demarcação do que é ser mulher. Em sua defesa, em muitas situações, acaba-se defendendo até a superioridade da mulher a fim de se contrapor à dominação predominantemente masculina.

[Parênteses: vocês que acompanham o site, sabem que há alguns anos venho estudando alemão. Na língua alemã, poder é Macht. Para uma pessoa de língua materna alemã, a palavra poder está intimamente associada com a palavra fazer (machen). Ou seja, quando falamos que alguém tem poder, estamos pensando de forma um pouco equivocada. O poder é fazer. O poder se exerce. O poder é o próprio uso dele].

Como o mundo foi dominado nos últimos séculos pelos homens (dizem que muito antes o mundo era matriarcal), vemos que o poder político – o poder de criar leis e executá-las – e o poder econômico – o poder do dinheiro de comprar e influenciar o comportamento – esteve e está predominantemente na mão dos homens.

Um dado que é irrelevante mas acaba ilustrando este fato é de que entre as 10 pessoas mais ricas do mundo em 2014 está apenas uma mulher: Crhisty Walton, filha do fundador do Walmart.

Apesar de que no Brasil há a presidenta Dilma e na Alemanha a Angela Merkel, a política também continua a ser dominada por homens. Isto não deve ser considerado um fato natural nem um fator sem importância. Lembrando que o poder é poder fazer. O poder de fazer leis. O poder de executá-las. O poder de julgar e condenar. O poder de comprar e exercer influência.

Então, contra este estado de coisas, o feminismo radical vem lutar contra. Vem demarcar posição. Vem levantar a bandeira (ou retirar a blusa como faz o movimento Femen).

Por outro lado, o feminismo posterior, de teóricas como Julia Kristeva, viu um problema filosófico profundo na questão:

– O que é ser mulher?

– O que é ser homem?

Este tipo de questão pode parecer boba, afinal, sabemos o que é ser mulher e sabemos o que é ser homem. Mas será que sabemos de verdade?

Em geral, as respostas sobre o que constitui ser homem ou ser mulher são convenções sociais, coisas que aprendemos na cultura na qual estamos inseridos.

Por exemplo, se eu sair de saia pela rua serei criticado. Um homem não deve usar saias. Mas se eu usar um kilt, a saia masculina utilizada na Irlanda, ao menos por lá, não será um problema.

Uma mulher deve depilar as axilas ou as pernas? Se sim, por motivos higiênicos e estéticos, porque o homem não deve depilar necessariamente também?

Como disse, quando vamos tentar responder à questão o que é ser homem e o que é ser mulher, acabamos sempre dando uma resposta que é uma convenção social. Ou, para tentar ser mais científico, poderíamos responder que o que distingue é a biologia, a natureza, o corpo.

Porém, a resposta da biologia é insuficiente para dar conta das questões éticas. Por uma pessoa ter corpo de mulher, ela deve depilá-lo? Por uma pessoa ter o corpo de um homem é até tolerável que sofra violência física?

No fundo, responder biologicamente não é uma resposta válida. Cairíamos tão somente em preconceitos que são também sociais. Por uma pessoa ser homem, não deve lavar a louça. Por ter um corpo de mulher, não deve trocar a lâmpada… e assim podemos continuar com outros preconceitos.

O questionamento de Kristeva e outras feministas sobre em que consiste ser homem ou ser mulher é ainda mais pertinente se pensarmos o problema da orientação sexual. Que, ao contrário do que se poderia pensar em princípio, é mais complexo.

Temos:

identidade-genero

Conclusão

Ao contrário do feminismo (que pode ter uma conotação positiva), o machismo é geralmente tido como uma posição negativa. Se pegarmos a esteira de Kristeva, veremos que o problema é mais embaixo.

Quando valorizamos mais um sexo do que o outro, já estamos tendo pressupostos que quase nunca são debatidos. Estes pressupostos não são fixos, ou seja, mudam de tempos em tempos, mas é importante que sejam levados em conta, até para que transformações sociais positivas aconteçam.

Antigamente, uma mulher não podia votar apenas por ser mulher. Hoje, o que uma mulher não pode apenas por não ter nascido com um pênis?

Psicólogo Clínico e Online (CRP 06/145929), formado há 14 anos, Mestre (UFSJ) e Doutor (UFJF), Instrutor de Mindfulness, Coach e Presidente do Instituto Felipe de Souza. Como Professor no site Psicologia MSN venho ministrando dezenas de Cursos de Psicologia, através de textos e Vídeos em HD. Faça como centenas de alunos e aprenda psicologia através de Cursos em Vídeo e Ebooks! Loja de Vídeos e Ebooks. Você pode também agendar uma Sessão Online via Skype, Terapia Cognitivo Comportamental, Problemas de Relacionamentos, Orientação Profissional e Coaching de Carreira , fazer o Programa de 8 Semanas de Mindfulness Online. E não se esqueça de se inscrever em nosso Canal no Youtube! e Instagram! Email - [email protected] - Agendar - Whatsapp (11) 9 8415-6913