Toda a nossa vida na medida em que tem forma definida, não é nada além de uma massa de hábitos. Aprenda o que é um hábito, como ele se forma e como mudá-lo.

Olá amigos!

Enquanto eu estava realizando as minhas pesquisas de mestrado (entre 2008 e 2010) sobre identidade (responder à pergunta “Quem eu sou?”) eu fiz esta pergunta para diversas pessoas. A resposta mais comum é a identificação com o trabalho. Eu sou pedreiro. Eu sou enfermeira. Eu sou músico. Eu sou cabeleireira… É fácil de observar que você é o que você faz, ou seja, você associa o que você faz com quem você é, mas apenas o que você faz com frequência.

Se eu toco violão uma vez, não vou dizer que sou músico. Se tento cortar ou pintar o cabelo de alguém uma vez, não vou dizer que sou cabeleireiro. Quer dizer, é o hábito que faz o monge. O hábito corresponde à frequência do nosso título: “Você é o que você faz como hábito”.

Outra resposta que as pessoas frequentemente dão à pergunta “Quem eu sou?” são adjetivos. Eu sou uma pessoa feliz. Eu sou uma pessoa divertida. Eu sou um palhaço. Eu sou sério. Eu sou genioso. Eu sou irritado. E, de igual modo, ao associar o ser a um adjetivo, estamos fazendo referência ao que fazemos com frequência. Se você é uma pessoa séria e conta uma piada a cada ano, ninguém vai dizer que você é um piadista. Agora se toda ou quase toda vez que você encontrar alguém você contar uma piada, dirão que você é engraçado, que você é um palhaço.

E, ainda outra possibilidade de resposta à pergunta da identidade são os comportamentos de rotina. Por exemplo, a pessoa que diz: Eu sou fumante. Eu sou sedentário. Eu sou fã de novelas. Eu sou um esportista radical. Nesta outra resposta frequente, vemos de novo que a rotina, o dia-a-dia ou o final de semana (como no caso de esportes ou hobbies), criam o que a pessoa associa com quem ela é.

Portanto, se acabamos associando quem nós somos com o que fazemos com frequência, se mudarmos um hábito também poderemos mudar para melhor quem acreditamos que somos.

O Poder do Hábito

“Toda a nossa vida na medida em que tem forma definida, não é nada além de uma massa de hábitos”. (William James)

O Poder do Hábito, escrito pelo jornalista Charles Duhigg, se tornou um best-seller internacional por descrever em detalhes o que é um hábito, como se forma e como transformá-lo. Recomendo a leitura (se você tem conta na Apple, no iBooks você pode comprá-lo por apenas 4,99 dólares). Não vou fazer um resumo do livro aqui. Ao invés, vou escrever alguns textos baseados em algumas das informações disponíveis nele.

Em síntese, o hábito é formado a partir de 3 elementos:

a) Deixa

b) Rotina

c) Recompensa

A deixa é um elemento que desperta uma dica para que o circuito do hábito inicie. Pode ser um horário do dia, uma palavra, um lembrete no celular. Como define Duhigg, “um estímulo que manda seu cérebro entrar em modo automático, e indica qual hábito ele deve usar”.

A rotina é a repetição quase idêntica do comportamento, mas também pode ser um ato mental ou emocional. A rotina pode ser constituída de elementos simples, como escovar os dentes ou complexas, com dirigir, escrever um texto como este, falar em público.

E, por fim, há a recompensa, que é um elemento que permite ao cérebro associar à deixa e à rotina um aspecto positivo, agradável, interessante. Em princípio, o sujeito pode nem se dar conta de que há uma terceira parte no hábito que é positivo, agradável, interessante. Por exemplo, se você escova os dentes de determinado jeito todos os dias, é provável que você nem note.

Mas em termos do funcionamento do cérebro, todo o circuito em três partes do hábito é uma grande economia de energia. De acordo com os neurocientistas, 40% dos nossos comportamentos diários são hábitos. Ou seja, quase metade do nosso dia, fazemos coisas, realizamos as mais intricadas atividades até as mais simples, no automático, sem nem perceber o que, como ou até porquê estamos fazendo aquilo – daquele jeito.

Para que você perceba como isto é verdade, tente escovar os dentes com a sua outra mão. Se você é destro, escove com a mão esquerda. Se você é canhoto, escove com a mão direita. Você verá como é incrível o fato de você escovar os dentes todos os dias (espera-se) no automático, enquanto pensa milhões de coisas ao mesmo tempo.

Na medida em que o hábito é uma grande economia de energia, ele é uma vantagem para a nossa vida. Porém, o funcionamento do cérebro que é responsável pelos hábitos (os gânglios basais) não conseguem identificar se um hábito é bom ou ruim. Ter o hábito de escovar os dentes depois do almoço – a deixa é o fim do almoço, a rotina é escovar os dentes e a recompensa pode ser a sensação agradável de limpeza – é um hábito tão funcional para o cérebro como o hábito de fumar. Quem fuma depois do almoço passa por processo igual. Há a deixa, o almoço, a rotina, o cigarro, a recompensa, a sensação provocada no corpo pela nicotina.

Então, depois de termos visto que associamos quem somos com o que fazemos frequentemente e termos começado a estudar o que é um hábito e como ele se forma, talvez fique a pergunta: Como mudar um hábito?

Sabendo como é o modo de operação de um hábito, já temos uma incrível pista para a criação de um novo hábito. Primeiro, temos que selecionar uma deixa e uma recompensa. Digamos que você queira caminhar todas as tardes.

A deixa pode ser o horário, às 18 horas, a rotina será caminhar e a recompensa, inicialmente, pode ser qualquer recompensa que você achar prazerosa, como tomar um banho mais demorado depois, comer uma barra de cereal ou ouvir aquela música que te diverte.

O segundo passo é fazer todo este processo repetidamente durante um período de 21 dias. 21 dias é, de certa forma, um número arbitrário. Mas três semanas é um tempo suficiente para que o cérebro guarde o novo hábito para sempre. Ao ter a deixa, haverá uma grande tendência a realizar o comportamento.

Como se diz, os começos são difíceis, mas depois tudo fica mais fácil. Com um novo hábito é a mesma coisa. No começo é difícil, porque é um novo processo. Depois realizaremos o novo hábito sem nem pensar mais que houve um dia um começo difícil.

Assim, se você mudar um hábito com sucesso, verá como é fácil de verdade mudar um hábito. Se você mudar um hábito, terá a chance de mudar uma área de sua vida: exercícios físicos, boa alimentação, sono, estudo, trabalho. Ao mudar uma área de sua vida, você começará a ver que é possível mudar as outras áreas e, assim, você vai através de novos hábitos criando e recriando a sua vida e mudando a definição de quem você é para melhor.

Psicólogo Clínico e Online (CRP 06/145929), formado há 14 anos, Mestre (UFSJ) e Doutor (UFJF), Instrutor de Mindfulness, Coach e Presidente do Instituto Felipe de Souza. Como Professor no site Psicologia MSN venho ministrando dezenas de Cursos de Psicologia, através de textos e Vídeos em HD. Faça como centenas de alunos e aprenda psicologia através de Cursos em Vídeo e Ebooks! Loja de Vídeos e Ebooks. Você pode também agendar uma Sessão Online via Skype, Problemas de Relacionamentos ou Orientação Profissional e Coaching de Carreira , fazer o Programa de 8 Semanas de Mindfulness Online. E não se esqueça de se inscrever em nosso Canal no Youtube! e Instagram! Email - [email protected] - Agendar - Whatsapp (11) 9 8415-6913