Olá amigos!

Há um tempo atrás escrevi o texto – O que é inteligência emocional? – e, em resumo, nós podemos dizer que a inteligência emocional pode ser dividida em dois pólos: o conhecimento de si mesmo (e o autocontrole) e o conhecimento dos outros (e o estabelecimento de relações positivas). No texto de hoje, falaremos a respeito do primeiro pólo: a inteligência emocional intrapessoal, ou seja, a inteligência emocional voltada para dentro. No próximo texto, falaremos da inteligência emocional interpessoal, quer dizer, a inteligência emocional voltada para fora, para as relações com os outros.

Conhecendo a si mesmo e as emoções

O primeiro passo para treinar a nossa inteligência emocional é conhecer a si mesmo. Por isso a pergunta do título: “Você conhece você?”

Afinal, para conhecermos as outras pessoas, suas necessidades e desejos, e nos relacionarmos bem, devemos conhecer quem nós somos, o que queremos e o que estamos sentindo, não é mesmo?

Utilizar o lema de Sócrates e do Templo de Delfos – “Homem, conheça-te a ti mesmo” é muito importante, mas mais importante ainda é saber que nós somos seres complexos, multifacetados, com contradições e tendências por vezes conflitantes e, em certo sentido, é uma tarefa para a vida toda. Entretanto, podemos começar já agora fazendo uma avaliação completa de nossos gostos, desejos, vontades, habilidades e defeitos (o que eufemisticamente chamamos na área de Recursos Humanos de características que precisam mudar).

A avaliação deve começar com as emoções, pois se trata de melhorar a nossa inteligência emocional.

Conhecer as próprias emoções significa saber quais emoções estamos tendo ou temos com frequência e ter a capacidade de expressá-las de forma apropriada. Em princípio, nenhuma emoção é negativa ou errada, tudo vai depender do modo como é colocada para fora e direcionada.

Por exemplo, sentir raiva e indignação é uma emoção como qualquer outra. Utilizar a raiva para modificar construtivamente o estado de coisas é um jeito de expressar apropriadamente e é muito diferente de quebrar tudo ou começar a brigar com as outras pessoas.

Portanto, avalie bem as suas emoções ao longo do dia. Seja sincero contigo mesmo e também reconheça as emoções que estão escondidas e sufocadas.

Conhecendo os seus valores

Não sei o que você pensa quando lê no título valores. Bem, cada pessoa pode pensar em um significado para valor. Eu penso em valor como valor econômico ou valor como julgamento de valor. Há ainda a possibilidade de pensar o valor como moral, ética, como na frase: “Ele é um homem que tem valores”.

Para os nossos propósitos de treinar a inteligência emocional, devemos entender os valores como atitudes, crenças, opiniões e memórias que governam os comportamentos. E, deste modo, conhecer os próprios valores é uma tarefa bastante extensa, porque envolve pensar o que te faz agir em cada uma das circunstâncias de sua vida.

Por exemplo, um homem que é agressivo com sua mulher tem a crença de que a mulher é de sua posse e que é de seu direito bater nela, já que ela é dele. Este é um exemplo de uma crença, de um valor (negativo, claro) que governa o comportamento deste homem. Se ele modificar esta crença, modificará em muito a sua vida, para melhor.

Exemplos muitas vezes dados na psicologia e no coaching são os de valores ligados à finanças. Você acredita que dinheiro é uma coisa suja? Que os mais ricos são pessoas desonestas e malvadas (como nas novelas)? Você acredita que é difícil ganhar dinheiro?

Enfim, estas são crenças, valores da psicologia financeira que podem fazer com que você se comporte de um jeito ou de outro.

Veja também – A psicologia do dinheiro e prosperidade

Como eu disse, desde o começo, o autoconhecimento é uma tarefa para a vida toda. Mas isto não impede que nós voltemos o olhar para dentro e comecemos a nos questionar o porquê de nossas ações. O que está por trás deste tipo de comportamento? Porque você age de um modo com uma pessoa e de outro jeito com outra? Porque você acorda um dia com motivação e outro dia indisposto?

A lista de perguntas poderia continuar indefinidamente. Para que você mesmo possa fazer esta autoanálise, sugiro que você anote e vá questionando os seus motivos, crenças, atitudes por trás dos seus atos. Você pode fazer isto pela manhã – pensando no dia anterior – ou pode fazer à noite, antes de dormir. Outra forma de treinar esta parte da inteligência emocional é avaliar situações específicas de sua vida.

Por exemplo, porque você começou este relacionamento amoroso com esta pessoa? Porque você saiu deste emprego ou mudou de cidade?

As perguntas, obviamente, são pessoais. Mas é simples de você mesmo elaborá-las. Pense em situações limite, em situações decisivas, que representaram momentos de grande mudança e questione as suas crenças subjacentes.

E outra possibilidade para avaliar as suas crenças, consiste em uma análise por áreas de sua vida. Assim, considere as crenças que você mantém até hoje que vem das seguintes áreas:

1) Família

2) Educação (escola, faculdade, cursos)

3) Herança cultura (país, língua, religião)

4) Maiores sucessos

5) Maiores fracassos

6) Eventos traumáticos

7) Esperanças e sonhos

Esta parte do processo é muito importante, porque suas crenças moldam as suas decisões e as suas decisões moldam a sua vida.

Conhecendo suas competências

Competência aqui deve ser entendida como a habilidade (ou não) de fazer algo. Para conhecer suas competências, você deve analisar não só a educação recebida de uma forma geral e inespecífica, mas avaliar de forma detalhada os comportamentos que você consegue ou não fazer.

Por exemplo, você consegue estabelecer relações sociais de forma segura e duradoura que podem ser utilizadas, se preciso, em um ambiente organizacional? Você consegue gerir o seu próprio tempo e fazer muitas atividades em pouco tempo e com pressão? Você consegue fazer a atividade X que é fundamental para o seu trabalho ou futuro trabalho?

Muitas competências são totalmente ligadas ao trabalho e à profissão escolhida. Um programador precisa saber php, MySQL, html. Um médico endocrinologista precisa saber avaliar a taxa de hormônios em um exame de sangue. Um eletricista precisa saber qual fio apertar para não tomar choque e assim por diante.

Esta parte da análise de si mesmo é realmente mais voltada para o trabalho e para a profissão. De modo que se você está empregado, sugiro que você busque saber o que você precisa melhorar para crescer em sua profissão. E, se você não está empregado, sugiro que você pesquise o que o mercado exige de ti na área que você escolheu.

Desta forma, você pode comparar o que você já tem de competências e o que você precisa desenvolver. É relevante dizer, também, que as competências podem sempre ser aperfeiçoadas. Se você já acha que faz bem alguma coisa, pense que você ainda pode fazer melhor. Pois o conhecimento é infinito e é muito bom termos a ideia de que temos muito a aprender, tanto para mantermos o senso de humildade, como para ter garra para continuar e motivação para ir além.

Conhecendo o seu estilo de comunicação

E, por último, a fim de treinar e expandir a nossa inteligência emocional, temos que conhecer o modo como nos comunicamos. Pode parecer bobo falar, mas a comunicação é o que nos liga às outras pessoas, literalmente, é o que torna comum um pensamento, uma ideia, um desejo. Falando com os termos das redes sociais, é saber o que e como você compartilha o seu mundo com os demais.

Existe um gráfico muito conhecido que analisa os estilos de comunicação em 3 níveis

Passivo ———– Assertivo ————— Agressivo

Entender estes três níveis é fácil, a passividade significa que o seu estilo de se comunicar é mais tímido e fechado, recebendo mais do que passando adiante. O assertivo é aquele tipo que está entre a passividade e a agressividade e, portanto, consegue expor bem o seu ponto de vista, mas ainda recebe também do outro. O agressivo normalmente não considera o ponto de vista alheio e quer “vencer” ou “convencer” de tudo quanto é forma.

Outro modo de considerar os estilos de comunicação é saber se você passa a informação adiante de forma detalhada e linear, passo por passo, ou se você é circular, digressivo e circuambulatório, quer dizer, vai e volta no mesmo ponto algumas vezes.

E, finalmente, uma outra forma de analisar o estilo de comunicação é considerar de que forma você se expressa melhor. Você fala melhor do que escreve ou escreve melhor do que fala? Você gosta de conversar com uma única pessoa como interlocutora, com várias ou falar em público com uma grande audiência? Como você se comunica com diferentes pessoas, como crianças, jovens, adultos e idosos ou como você se relaciona com seu próprio sexo e com o sexo oposto?

Do mesmo modo que fizemos com as competências, podemos ver no estilo de comunicação um pouco mais de quem somos e do que precisamos melhorar.

Dúvidas, comentários, sugestões e críticas, por favor, comente!

Psicólogo Clínico e Online (CRP 06/145929), formado há 14 anos, Mestre (UFSJ) e Doutor (UFJF), Instrutor de Mindfulness, Coach e Presidente do Instituto Felipe de Souza. Como Professor no site Psicologia MSN venho ministrando dezenas de Cursos de Psicologia, através de textos e Vídeos em HD. Faça como centenas de alunos e aprenda psicologia através de Cursos em Vídeo e Ebooks! Loja de Vídeos e Ebooks. Você pode também agendar uma Sessão Online via Skype, Terapia Cognitivo Comportamental, Problemas de Relacionamentos, Orientação Profissional e Coaching de Carreira , fazer o Programa de 8 Semanas de Mindfulness Online. E não se esqueça de se inscrever em nosso Canal no Youtube! e Instagram! Email - [email protected] - Agendar - Whatsapp (11) 9 8415-6913