“Exclua do seu vocabulário e dos seus pensamentos a expressão tenho que – isso vai liberar muita pressão autoiposta” (Louise Hay)

Olá amigos!

Nós últimos tempos notamos o crescimento do uso da palavra empoderamento. A palavra vem do inglês empowerment, criada dentro da psicologia comunitária e muitas vezes atribuída à cientista social Julian Rappaport.

Definição de empoderamento

Empoderamento se refere a políticas ou medidas destinadas a aumentar o grau de autonomia e auto-determinação das pessoas, individualmente ou em grupo. Assim, falamos em empoderamento das mulheres ou empoderamento econômico de uma população pobre.

A ideia é fazer com que a  pessoa – ou o grupo como um todo – consiga ter voz e poder de decisão para agir em prol do seu próprio interesse, utilizando a própria autoridade.

O termo também é utilizado para a ajuda ou suporte a ser oferecido para que o processo se concretize, passando de uma sensação de falta de poder e influência, para o reconhecimento da própria capacidade.

Empoderamento pessoal

Neste texto, utilizo o termo com um viés mais específico. Penso que ao mudarmos a forma como pensamos e ao mudarmos o modo como nós vemos o mundo e a nossa relação com os outros, podemos melhorar.

Um exemplo para tornar mais claro o meu ponto de vista. Ontem vi em uma rede social a história de um juiz, de 30 anos de idade, que havia passado no concurso para ser juiz há menos de um ano, com salário de 24 mil reais mensais e que simplesmente decidiu largar a profissão para encontrar o seu caminho.

Bem, é uma decisão particular, é certo. Porém, o mais curioso é observar os comentários das pessoas. Muitas diziam que ele não podia ter feito aquilo, que ele tinha que continuar, que ele tinha que tentar mais, que ele não podia desistir.

Ora, quando nós temos esta perspectiva, de que temos que fazer… estamos criando uma prisão ao nosso redor. Ter que, dever de, não poder isso ou aquilo… são pensamentos, são palavras que restringem a nossa liberdade.

Exercício

Faça o seguinte exercício. Pelos próximos minutos, escreva uma lista das coisas que você tem que fazer. Não importa se são poucas coisas ou se são muitas. Apenas para por alguns instantes e faça a sua lista.

Depois que você tiver feito, diga antes de cada item:

“Eu tenho que…”

ou

“Eu devo…”

Qual é a sensação que ler a sua lista desta forma provoca em seu corpo? Prova uma sensação de desconforto? Talvez o sentimento de ansiedade ou preocupação?

Agora, retorne à sua lista e mude. Em vez de dizer, “eu tenho que…” diga:

“Eu escolho fazer…”

“Eu quero fazer…”

“Eu estou com vontade de…”

E então? Qual é a sensação que a simples mudança de um pensamento provoca em seu corpo? Você se sente mais aliviado? Mais tranquilo?

A maior parte das pessoas percebe a mudança. Afinal, quando dizemos “eu escolho” em vez de “eu tenho, eu devo”, nós estamos deixando bem claro para nós mesmos que todo e qualquer comportamento é uma escolha.

Isto é especialmente útil para quem tem a tendência de procrastinar, de deixar para depois. Pesquisas indicam que um procrastinador, em média, não perde prazos ou atrasa na realização dos itens da sua lista. A única diferença é deixar para a última hora e, durante todo o processo, sente culpa, preocupação e ansiedade pelo que tem que fazer. 

Mas vejamos: se a nossa lista tem 10 itens (ou mais ou menos), nós nunca conseguiremos fazer tudo ao mesmo tempo, certo?

Teremos que fazer uma coisa de cada vez. Portanto, é sempre e sempre e de novo e de novo uma escolha!

Às 3 horas da tarde, você escolhe fazer A. Às 4 horas, escolhe fazer B.

Resultados

Bem, a simples mudança de pensamento, de uma única forma de pensar, pode trazer resultados significativos. Porém, temos que nos lembrar que se estivemos pensando há muito desta forma (“tenho que, devo”) é como se tivéssemos criado um hábito.

Um hábito pode ser modificado, acabar ou começar, de uma hora para outra. Contudo, existe a tendência de retornar de tempos em tempos. Mas isso não é nada demais: apenas podemos escolher ficar atentos e escolher mudar.

Uma outra questão é que, talvez pelo hábito mental, surja a ideia de que isso é como uma autoenganação. Em outras palavras, existe muitas coisas que nós temos que fazer, embora não queiramos.

Para desconstruir esta forma de ver a vida, eu gosto do seguinte pensamento de Carl Gustav Jung: “livre arbítrio é a capacidade de fazer com alegria aquilo que eu devo fazer”.

Por exemplo, digamos que você “tenha que” pagar uma conta. O fato de colocar a situação nestes termos, gera um sentimento de falta de escolha e falta de autodeterminação. Porém, como sabemos, podemos escolher não pagar a conta. Ou, podemos enrolar até a última hora ou pagar atrasado e com juros.

Mas, no fundo, se modificarmos a nossa forma de ver e entender o processo e passarmos a compreender de verdade que nós temos escolha, ampliaremos a nossa liberdade.

“Eu escolho pagar esta conta agora e ficar livre dela” ou “da próxima vez, posso escolher não comprar” ou “eu escolho pagar as contas em dia”.

Um outro exemplo é visível em relacionamentos amorosos. Uma pessoa em um relacionamento talvez pense que “tem que” continuar, por pressões familiares, religiosas ou econômicas ou porque “estão juntos há muito tempo e é assim que tem que ser”. É importante reconhecer que sempre há a escolha de continuar ou terminar.

Enfim, estes são exemplos simples de como o processo de mudança dos pensamentos e crenças ressignifica o momento atual e até o futuro. Como diz Fernando Pessoa, nós não somos uma árvore, portanto, se não estamos satisfeitos como e aonde estamos, podemos escolher mudar.

Conclusão

Existem meios e caminhos para aumentar o empoderamento de pessoas e grupos. Um meio não muito divulgado é a transformação pessoal, interna, das crenças e pensamentos. Neste texto, procuramos mostrar como a mudança de uma única forma de considerar as coisas pode trazer mudanças significativas no modo como nos sentimos.

Assim como processo de empoderamento político, através de políticas públicas, em muitas situações talvez precisemos de ajuda para mudar e melhorar. E é por isso que sempre indico a psicoterapia, pois ao fazer terapia, temos um tempo só para nós, para nos autoconhecermos e mudarmos o que escolhermos mudar.

Dúvidas, sugestões, comentários, por favor, escreva abaixo.

Psicólogo Clínico e Online (CRP 06/145929), formado há 14 anos, Mestre (UFSJ) e Doutor (UFJF), Instrutor de Mindfulness, Coach e Presidente do Instituto Felipe de Souza. Como Professor no site Psicologia MSN venho ministrando dezenas de Cursos de Psicologia, através de textos e Vídeos em HD. Faça como centenas de alunos e aprenda psicologia através de Cursos em Vídeo e Ebooks! Loja de Vídeos e Ebooks. Você pode também agendar uma Sessão Online via Skype, Terapia Cognitivo Comportamental, Problemas de Relacionamentos, Orientação Profissional e Coaching de Carreira , fazer o Programa de 8 Semanas de Mindfulness Online. E não se esqueça de se inscrever em nosso Canal no Youtube! e Instagram! Email - [email protected] - Agendar - Whatsapp (11) 9 8415-6913