“Uma falha nem sempre é um erro, pode ser apenas o melhor que conseguimos fazer sob certas circunstâncias. O erro real é parar de tentar” (Skinner). 

O título deste texto vem de uma música da Legião Urbana chamada Riding Song, a primeira música do CD “Uma outra Estação”. O começo do álbum é uma espécie de entrevista. Logo no início, Renato Russo, o vocalista faz uma pequena biografia:

“Eu sou o Renato Russo
Eu escrevo as letras, eu canto
Nasci no dia 27 de março, eu tenho 23 anos
E sou Áries e ascendente em Peixes
Eu trabalhava com Jornalismo, rádio, era professor de Inglês também
E … comecei a trabalhar com 17 anos e tudo
Mas só que de repente tocar Rock era uma coisa que eu gostava mais de fazer
E como deu certo eu continuo fazendo isso até hoje”

Estudando de novo a psicologia comportamental, me veio esta última frase: “como isso, aquilo ou aquilo outro deu certo… continuo fazendo isso até hoje”. Este texto é sobre este fator, ou seja, como as consequências do que fazemos mantém o nosso comportamento ao longo do tempo.

Como deu certo, eu continuo fazendo isso até hoje

Quantas e quantas coisas em nossas vidas não cabem nesta simples frase, não é mesmo? Você certamente também vai conseguir se lembrar e pensar no que deu certo para você e que você continua fazendo. Eu posso dizer que eu gosto de escrever e, pelas diversas consequências, que avalio como positivas ou boas, permaneço escrevendo.

Uma outra pessoa pode pensar que por praticar muito bem um esporte teve também diversas consequências positivas, então continua praticando.

Aqui seria muito bacana se você parasse por alguns instantes e avaliasse o que cabe nessa estrutura:

“Como deu certo fazer _________, continuo fazendo”.

E aqui, apesar de utilizarmos a palavra “certo”, não estamos fazendo um juízo de valor. Você pode pensar também no que é moralmente questionável, mas que você continua fazendo porque tem consequências positivas.

Por exemplo, no livro Princípios Básicos do Comportamento – que recomendo – os autores mencionam o caso de um rapaz que estava fazendo terapia comportamental e, na análise funcional, ele menciona que estava em um relacionamento amoroso e traía sua namorada. Na análise, há a avaliação das respostas positivas de trair, ou seja, para este rapaz estar com outras mulheres era um sinal de virilidade, de status, valorizado por seu pai, irmão e amigos.

Talvez ele não o fizesse, se não tivesse as habilidades sociais para conseguir conversar com outras garotas ou, talvez, se tivesse tive uma única resposta muita aversiva.

É parecido com o caso do vendedor que, por agir de uma determinada forma, continua agindo daquele jeito. Uma vez ou outra não ocorre o resultado esperado, mas na média sim, então, ele também continua na profissão de vendedor.

Enfim, com estes e milhares de outros exemplos, podemos avaliar os nossos comportamentos. Afinal, muitas vezes pensamos de dentro para fora: “eu não sou bom nisso porque sou assim” ou “eu não consigo fazer bem X porque minha personalidade é Y (ou meu signo, ou minha história pessoal não me permitiu), etc. E, ao olhar a realidade de dentro para fora – colocando a culpa na genética, nas estrelas, na família ou no que for, não nos damos conta de que o ambiente influi no nosso agir.

A escola é um outro excelente exemplo. Quando somos pequenos somos muito paparicados. Acertamos uma questão e a tia coloca: “Muito bom! Você é excelente” e, aos poucos (não sei bem quando há a mudança), só existem notas e uma demarcação maior para os erros, destacados em vermelho.

O impasse

O problema que surge em decorrência da percepção de que muito do que fazemos é devido à situações alheias (não controlamos o comportamento da professora ou do cliente ou de um namorado ou namorada) é que parece um beco sem saída, uma sinuca de bico. Não controlamos o ambiente e o ambiente nos controla.

Se, por exemplo, eu tentei vender cem vezes e não consegui, generalizo e penso que eu não sou um bom vendedor e limito meu repertório comportamental.

Se eu passar a ver que a ausência de reforço, a ausência de uma resposta positiva para mim, é o que me faz parar de tentar vender, terei dado um passo adiante. Porém, como posso controlar o que controla o meu comportamento?

O jeito é entender que é possível se comportar de uma outra maneira para obter uma outra resposta. Ou seja, é possível aprender, em um passo-a-passo, como se comportar de uma maneira que o ambiente lhe retorne uma resposta mais adequada.

Um exemplo mais simples: se eu começo a usar um computador e não sei aonde estão as letras, vou digitar olhando as teclas e vou digitar devagar. Posso, portanto, pensar que sou um péssimo digitador. Entretanto, se fizer um curso e aprender novas habilidades, poderei escrever com rapidez e sem olhar aonde está cada letra e número.

Em resumo: começo de um ponto no qual não sei ainda a habilidade (de digitar, vender ou tocar rock) e vou passo-por-passo aprendendo uma nova ferramenta para que a resposta final do ambiente – ou de outras pessoas – seja mais condizente com o que eu almejo.

Conclusão

Neste livro que citei acima há uma passagem muito interessante na qual eles definem controle comportamental:

“Controlar comportamento quer dizer tornar sua ocorrência mais ou menos provável. Não significa, necessariamente, obrigar alguém a fazer algo contra sua vontade. Quando você faz uma pergunta, está controlando comportamento; quando pára diante de um cruzamento, seu comportamento está sendo controlado. O tempo todo estamos controlando o comportamento dos outros e os outros estão controlando o nosso. A Análise do Comportamento busca simplesmente entender melhor como funcionam essas relações de controle (relações funcionais” (Moreira & Medeiros, p. 149).

E fazendo a ligação com o começo do texto, podemos passar a perceber – como uma análise funcional detalhada dos nossos comportamentos e controles – os caminhos que vamos trilhando, na nossa vida pessoal e na nossa vida profissional. Talvez, se tivesse em um outro contexto, Renato Russo poderia ter continuado um professor de inglês e um cantor amador.

Psicólogo Clínico e Online (CRP 06/145929), formado há 14 anos, Mestre (UFSJ) e Doutor (UFJF), Instrutor de Mindfulness, Coach e Presidente do Instituto Felipe de Souza. Como Professor no site Psicologia MSN venho ministrando dezenas de Cursos de Psicologia, através de textos e Vídeos em HD. Faça como centenas de alunos e aprenda psicologia através de Cursos em Vídeo e Ebooks! Loja de Vídeos e Ebooks. Você pode também agendar uma Sessão Online via Skype, Terapia Cognitivo Comportamental, Problemas de Relacionamentos, Orientação Profissional e Coaching de Carreira , fazer o Programa de 8 Semanas de Mindfulness Online. E não se esqueça de se inscrever em nosso Canal no Youtube! e Instagram! Email - [email protected] - Agendar - Whatsapp (11) 9 8415-6913