Dicas preciosas sobre como começar a estudar quando o texto ou livro parece difícil ou impossível de entender. 

Olá amigos!

Um querido leitor do nosso site pediu que eu desse dicas de como estudar e entender textos mais complexos, quando estamos iniciando uma graduação, nos primeiros períodos. Explico: ao sairmos do Ensino Médio e entrarmos no Ensino Superior não raro sentimos que demos um salto no nível de conhecimento exigido nas provas e trabalhos. Na verdade, o próprio nome (médio e superior) já indica esta passagem.

Então, no início da graduação temos que nos acostumar com um outro ritmo de estudo, tanto na quantidade como na qualidade. Em outras palavras: não podemos utilizar as mesmas técnicas de estudo que utilizávamos antes e às vezes ficamos perdidos sobre como devemos proceder para assimilar a matéria. Afinal, a matéria estudada nas disciplinas não será apenas uma matéria a ser esquecida depois das provas pois, se queremos ter não só um diploma e sim uma carreira profissional e sermos competentes e bem sucedidos, temos que realmente aprender e memorizar o que vamos estudando ao longo dos anos da faculdade.

Neste texto, portanto, vou dar dicas de como estudar textos complexos. Como sou formado em psicologia, tenho mestrado em letras e doutorado em ciência da religião (psicologia da religião), falarei especificamente da área de humanas pois é a área que estudei nestes últimos 13 anos.

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Como entender textos complexos na faculdade

Existem duas estratégias básicas para começar a entender um texto mais complexo que são: contextualização e análise estrutural. A contextualização procura ver primeiro a floresta antes da árvore. Ou seja, vamos olhar o contexto no qual o texto foi escrito, a biografia do autor, quando e porque ele escreveu o texto.

A análise estrutural foca-se somente no texto. O texto pelo texto. Parágrafo por parágrafo, palavra por palavra.

1) Contextualização

Digamos que temos a tarefa de compreender o texto de Freud: Recordar, Repetir, Elaborar (Erinnern Wiederholen, Durcharbeiten). Qual seria o primeiro passo?

O primeiro passo é compreender:

  • Quem é o autor?
  • Quando o texto foi escrito
  • Por que foi escrito?

Bem, alguns autores – como Freud – são bastante conhecidos. Ouvimos falar do pai da psicanálise frequentemente. Mas não devemos contar com o que já sabemos. Devemos pesquisar um pouco mais sobre o autor e a sua obra.

Por exemplo, em que este autor se formou (na faculdade)? Em que ele se especializou? Qual foi sua tese de doutorado? Quais são as suas principais obras?

Fazendo esta pesquisa inicial começamos a ter uma visão ampliada do contexto de produção do texto. Para tanto, podemos utilizar biografias, autobiografias e livros introdutórios sobre a disciplina específica, no caso, sobre a psicanálise.

A data de escrita do texto também é muito importante porque a grande maior parte dos autores tem o que podemos chamar de fases ou períodos. Um texto de Freud de 1900 é muito diferente de um texto de Freud em 1930. São outros conceitos e outros pressupostos.

É claro que fazer uma pesquisa totalmente detalhada e completa poderia levar anos. Por isso, se não tivermos muito tempo, podemos utilizar sites como wikipedia ou artigos em sites especializados.

Se temos que ler apenas um capítulo de um livro, o ideal é ter contato com o livro para poder ler o Prefácio (da primeira edição e outras edições se houverem) e a Introdução e Conclusão.

2) Análise Estrutural

A palavra estrutural nos remete à palavra estrutura. Pense na estrutura de um prédio. Ao fazermos a contextualização, estamos querendo olhar em volta do prédio. Ver aonde está o prédio: em que vizinhança, em que cidade, em que estado, em que país e em que época foi construído.

A análise estrutural já vai direcionar o nosso olhar para o prédio em si, para a sua estrutura. E qual é a estrutura de um texto ou livro? Simples: o padrão é que tenha 3 partes:

  • Introdução
  • Desenvolvimento
  • Conclusão

Textos mais complexos podem ser difíceis porque não sabemos o contexto. Se soubermos o contexto (a data e informações básicas sobre o autor), teremos dado um passo a mais para a sua compreensão. Mas textos mais complexos podem parecer difíceis, ainda, por três motivos principais:

  1. vocabulário
  2. conceitos
  3. estilo de escrita

Bem, ninguém é obrigado a saber todas as palavras do dicionário. Então, é sempre útil ter um dicionário ou pesquisar em um dicionário online para conhecer novas palavras. E não se acanhe: confessar que não sabemos algo é um pré-requisito para começar a aprender. Portanto, se você não sabe, procure a palavra. Se você já procurou a palavra e não lembra do sentido… sem problemas! Procure de novo.

Quanto aos conceitos, nós temos que ter em mente que uma mesma palavra pode ter significados diferentes dependendo do autor. Por exemplo, a palavra intuição significa uma coisa para Jung e outra para Kant. Porém, como vamos saber o significado para cada autor se o significado no dicionário não vai mostrar a diferença?

Também é simples a resposta: devemos consultar dicionários específicos. Existem excelentes dicionários de cada disciplina. Dicionários de psicologia (como o da APA), de psicanálise (como o do Laplanche e Pontalis), de filosofia (como o do Abbagnano), etc.

E, por fim, uma outra dificuldade a ser superada é o estilo de escrita do autor. Cada autor terá um estilo de escrita. Alguns serão mais claros e outros mais obscuros. Alguns irão direto ao ponto e outros irão dar voltas e voltas e não vão expressar de uma vez o seu objetivo. Quanto á isso, não temos muito o que fazer a não ser nos acostumarmos com os diferentes estilos.

3) Ler e fichar

Além da contextualização e da análise estrutural, temos que ter humildade para reconhecer que precisamos ler mais que uma vez para entender – quando o texto é complexo. Por outro lado, temos que ter autoconfiança de que, por mais difícil que seja, nós conseguiremos compreender.

Uma técnica muito utilizada na faculdade é fazer fichamentos. Fichamento vem de fazer fichas. Fichas eram pequenos pedaços de papel para escrever o título do livro, do capítulo, do autor, além de um pequeno resumo do que tinha sido dito. (Esta técnica é bem anterior ao surgimento dos computadores).

Hoje em dia, claro, podemos abrir arquivos em editores de texto como Word, Br. Office ou Pages ou então utilizar aplicativos como o Evernote.

A ideia de fazer um fichamento consiste em fazer um resumo do que foi dito. Os principais pontos, em sequência. Naturalmente, para fazer um fichamento teremos que ler mais de uma vez. E neste ponto creio que talvez esteja o segredo do sucesso da técnica. Ao nos forçarmos a ler mais de uma vez, a escrever os pontos principais, estamos nos dando mais tempo para nos aprofundar na leitura, bem como estamos reescrevendo certas partes – o que certamente ajuda na memorização.

Conclusão

Com a contextualização, com a análise estrutural e com os fichamentos conseguimos entender textos mais complexos da faculdade, do mestrado, do doutorado. Evidentemente, uma parte deste trabalho poderia (e deveria) ser feito pelos professores. Mas, como isto nem sempre acontece, seja pelo motivo que for, justificável ou não, temos que aprender também a estudar por conta própria.

Em princípio, pode parecer que vamos ter que estudar ainda mais para estudar um texto menor. Mas é paradoxal. Com o tempo, o trabalho de contextualização não terá que ser feito com tanta frequência. Por exemplo, depois de um texto estudando Freud já conheceremos sua biografia e sua obra e o que tivemos que fazer no começo, não precisará ser refeito. Conceitos que não conhecíamos vão sendo aprendidos – o que também passa a facilitar o entendimento dos textos subsequentes.

Para finalizar, gostaria de resumir o que pode ajudar a entender textos mais complexos:

  1. Biografias, autobiografias e textos sobre a obra geral do autor
  2. Livros, artigos, textos sobre as ideias gerais do autor
  3. Livros, artigos, textos sobre as ideias específicas tratadas no texto
  4. Leitura do prefácio, introdução e conclusão do livro (pensar nesta estrutura também no texto)
  5. Pesquisar em dicionários (os normais) e em dicionários específicos da matéria
  6. Ter sempre em mãos livros introdutórios sobre a matéria. Por exemplo, Introdução à Semiótica, Introdução à Neurociência
  7. Procurar por vídeos de professores sobre o tema estudado
  8. Procurar aprender uma outra língua (nem que seja apenas para leitura). O mais recomendável é o inglês – porque metade da população mundial fala inglês – e/ou o idioma que é mais utilizado na área de estudo

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Psicólogo Clínico e Online (CRP 06/145929), formado há 14 anos, Mestre (UFSJ) e Doutor (UFJF), Instrutor de Mindfulness, Coach e Presidente do Instituto Felipe de Souza. Como Professor no site Psicologia MSN venho ministrando dezenas de Cursos de Psicologia, através de textos e Vídeos em HD. Faça como centenas de alunos e aprenda psicologia através de Cursos em Vídeo e Ebooks! Loja de Vídeos e Ebooks. Você pode também agendar uma Sessão Online via Skype, Terapia Cognitivo Comportamental, Problemas de Relacionamentos, Orientação Profissional e Coaching de Carreira , fazer o Programa de 8 Semanas de Mindfulness Online. E não se esqueça de se inscrever em nosso Canal no Youtube! e Instagram! Email - [email protected] - Agendar - Whatsapp (11) 9 8415-6913