Seja grato por tudo o que você tem e pare de reclamar – reclamar incomoda todo mundo, não faz nenhum bem e não resolve seus problemas (Zig Ziglar). 

Olá amigos!

Uma das muitas pequenas decisões que podemos fazer todos os dias é entre escolher agradecer ou reclamar. Como sabemos, fazer uma vez ou outra não terá tanto impacto ao longo da vida, porém, tudo o que temos tendência de fazer e fazemos, acaba se tornando um hábito. E um grupo de hábitos constitui uma personalidade e a personalidade traça um caminho, um destino – não no sentido místico, mas na direção a que nos destinamos.

E por que agradecer é tão importante?

Bem, porque é fácil nos esqueceremos do que temos ou conquistamos e focar toda a atenção no que ainda não temos, no que nos falta ou no que queremos.

Assim, o agradecimento nos faz recordar de tudo o que temos (que certamente é muito) e a reclamação prende a atenção na ausência, na falta, no que está errado, ruim ou é desagradável.

No final das contas, não haveria nada demais em reclamar, já que é só um pensamento ou uma fala. Porém, a consequência negativa de reclamar, e de reclamar constantemente, é que os sentimentos e sensações que decorrem deste tipo de pensamento são por si só desagradáveis. Em outras palavras, ao reclamar não mudamos nada na realidade. Apenas aumentamos o grau de insatisfação pessoal.

Agradecer faz o contrário: permite-nos olhar para o que é bonito, adequado, agradável, o que nos faz bem, o que nos faz forte. Enfim, o agradecimento faz com que nossa atenção nos mostre o presente que é… estarmos vivos.

Agradecer

Experiências extremas

Victor Frankl é um dos mais importantes psicólogos de todos os tempos. Sua obra é vasta e profunda. Seu livro mais conhecido é: Um psicólogo no campo de concentração. A experiência extrema de viver em um campo de concentração, tomando sopa rala por anos e tendo que realizar trabalhos forçados, com roupas insuficientes para o frio, em meio à doenças e tristeza é, ali, contada.

O que assombra na leitura é não só o extremo que a perversidade humana, na guerra, pode chegar. O que é mais incrível é a capacidade que o ser humano pode ter de resistir, de enfrentar, de ser resiliente. Esta é uma experiência extrema. E o que nós às vezes pensamos em nossas vidas que é uma experiência extrema está muito longe disso. Uma infelicidade, um contratempo, uma dificuldade está muito longe de viver em condições tão miseráveis como viveu Frankl – e como vivem milhões de pessoas ainda hoje.

A grande chave para entender a relação (e a escolha) entre agradecer e reclamar reside na avaliação pela comparação.

Avaliamos se algo é ruim ou bom, negativo ou positivo, através da comparação com um outro elemento. Uma qualidade, um adjetivo, só é possível através da comparação. Como saber que alguém é alto? Através da comparação com pessoas baixas. A história abaixo é didática sobre esta chave de compreensão.

Frio ou quente?

“Os jovens da tribo se entreolharam, curiosos, quando o velho chefe começou a acender uma pequena fogueira perto do riacho. O frio era tanto naquela noite (a mais longa do ano, ponto máximo do inverno), que até os pequenos riachos estavam congelados…

Com gestos lentos e preciosos, ele pendurou sobre o fogo uma panela de água. Enquanto a água esquentava, estendeu uma esteira no chão e colocou três tinas de barro, vazias.

Quando a água ia começando a borbulhar, quase a 100 graus, o pajé derramou-a na tina que estava à sua direita.

Em seguida, colheu do riacho a água gélida, próxima de zero grau, ponto de congelamento, e derramou-a na tina que estava à sua esquerda.

No recipiente do meio, juntou água fria e quente, em partes iguais, e derramou um pouco do chá medicinal que estava tomando.

Os jovens assistiam a tudo, em silêncio, cada vez mais curiosos. O chefe pede então, a um deles:

– Ponha sua mão direita na água gelada e a mão esquerda na água bem quente. E deixe as duas mãos nessa posição por algum tempo.

O velho respirou fundo, por três vezes, inspirando e expirando vagarosamente. Não havia relógio, e nem ele precisava, pois era magistral a sua noção do tempo. Observando o ritmo do seu próprio corpo – a respiração, a pulsação do sangue em suas veias, o compasso do coração – e também o movimento e o brilho da lua, do céu estrelado, ele media com exatidão a passagem do tempo.

– Agora tire as mãos de onde estão e coloque as duas na tigela do meio – disse ao jovem. Como está agora?

Surpreso, o jovem respondeu que estava sentindo calor na mão direita e frio na mão esquerda. Na mão direita, que estava na água fria, ele sentia que aquela água da tina do meio estava quente. E na mão que veio do quente ele sentia a água fria. Mas as duas mãos estavam mergulhadas na mesma tina.

– A água pode estar fria ou pode estar quente, dependendo de como está a sua mão…

Respirou, olhou de novo para o jovem, tirando suas mãos da tina, e continuou:

– … Assim como tudo que acontece na vida.. pode ser bom ou pode ser ruim, dependendo de que?

– Da própria pessoa – completou o jovem índio, contente pelo ensinamento, que nunca mais seria esquecido”. (RIBEIRO, p. 25-26).

Veja também –  Conto: O que é sorte e o que é azar?

Conclusão

A história acima pode ser uma profunda fonte de reflexão. Por exemplo, se substituirmos o calor da água pela quantidade de dinheiro. Uma pessoa que ganha 10 salários pode reclamar da inflação, da perda do ganho de seu poder de compra. Uma outra pessoa pode estar completamente feliz por ter subido o seu salário, de um salário mínimo para um e meio…

Como disse, avaliar se é bom ou ruim é uma questão de perspectiva, de comparação. Se compararmos com um elemento, teremos uma avaliação, se compararmos com outro, teremos outra.

De toda forma, é e continuará sendo sempre uma escolha querer agradecer ou querer reclamar. Se alguém acha que as coisas estão ruins, é fácil piorar: basta começar a reclamar e não parar. Ou então, passar a agradecer. Talvez as coisas não melhorem na realidade, ao menos não imediatamente, mas certamente o que o senso comum chama de “estado de espírito” melhorará imediatamente.

Referências bibliográficas

RIBEIRO, Lair. Autoestima: aprendendo ao gostar mais de você. Editora Objetiva, 1994

Psicólogo Clínico e Online (CRP 06/145929), formado há 14 anos, Mestre (UFSJ) e Doutor (UFJF), Instrutor de Mindfulness, Coach e Presidente do Instituto Felipe de Souza. Como Professor no site Psicologia MSN venho ministrando dezenas de Cursos de Psicologia, através de textos e Vídeos em HD. Faça como centenas de alunos e aprenda psicologia através de Cursos em Vídeo e Ebooks! Loja de Vídeos e Ebooks. Você pode também agendar uma Sessão Online via Skype, Problemas de Relacionamentos ou Orientação Profissional e Coaching de Carreira , fazer o Programa de 8 Semanas de Mindfulness Online. E não se esqueça de se inscrever em nosso Canal no Youtube! e Instagram! Email - [email protected] - Agendar - Whatsapp (11) 9 8415-6913