Respostas às principais dúvidas sobre procrastinação – a tendência de deixar para depois.

Olá amigos!

É com muita satisfação que publico abaixo mais uma entrevista concedida a um veículo de grande circulação. Desta vez, fui solicitado a responder sobre procrastinação para o Correio Braziliense, a quem agradeço desde já o convite. Veja as perguntas e respostas abaixo:

Entrevista sobre Procrastinação – Psicólogo Felipe de Souza

1- Quais os principais efeitos, a longo e a curto prazo, que a procrastinação pode causar à vida profissional, social e psicológica? Como identificar a procrastinação exagerada?

Bem, o primeiro passo é entender o que é procrastinação. Em certo sentido, o tempo todo nós procrastinamos pois procrastinar significa deixar uma atividade para depois. Porém, o problema reside no que deixar para depois e quanto tempo vamos dedicar para cada ação.

Por exemplo, se você tem uma prova que vai lhe exigir uma semana de estudo, deixar para estudar no último dia será prejudicial. A noção de prejuízo ou malefício é o que define a procrastinação exagerada ou pouco inteligente.

2- Quais as principais dicas para vencer a procrastinação e se motivar a começar a trabalhar?

Gosto bastante do livro “A arte de procrastinar” de John Perry. (Saiba mais aqui). Como disse, estamos todo o tempo procrastinando. A diferença entre quem não sofre com as consequências da procrastinação e quem sofre é o autoconhecimento aliado à capacidade de saber o que fazer e o que deixar para depois.

É como pagar uma conta. Se você tem o dinheiro, é melhor pagar antes da data de vencimento do que pagar depois com juros. Uma atividade que procrastinamos trará consequências negativas e, além disso, será um fator de stress até que seja finalmente realizada.

Portanto, o caminho passa pelo autoconhecimento: saber sobre a própria produtividade (horários e ambientes em que as atividades fluem melhor), formas de organização que são mais eficazes (e variam de pessoa para pessoa), e o entendimento do que motiva e do que desmotiva.

Para aumentar a motivação, a forma mais simples e eficaz é a visualização do objetivo e do benefício de fazer a ação. Ou seja, visualizar o 10 na prova ou o sentimento de um trabalho bem feito trará motivação para começar a fazer o que tem que ser feito o quanto antes. Algumas pessoas também conseguem se motivar pelo que pode acontecer se houver a paralisia da ação, como ficar de recuperação ou perder o ano, perder o negócio ou o emprego.

3- Que dicas você daria para formular metas e não cair em desânimo?

 É difícil dar uma regra geral que seja válida para todas as pessoas. Mas metas grandes (sonhar alto) ajudam a aumentar o sentimento de que é possível conquistar aquilo que queremos. Porém, é preciso reconhecer em que pé estamos e saber os próximos passos imediatos.

Por exemplo, se o objetivo é se formar na faculdade X, é preciso ver em que momento deste percurso está o “agora” e fazer o necessário logo a seguir. Se a pessoa está no Ensino Médio, o próximo passo é conseguir entrar na faculdade. Depois, tirar boas notas e assim indo até a colação de grau. Ou seja, o objetivo é grande (se formar), contudo, o sonho tem que ser concretizado passo-a-passo.

O mesmo acontece com quem quer comprar um imóvel, por exemplo. É preciso reconhecer o que é necessário e o quanto está disponível no banco e quanto tempo vai levar e o que vai ser preciso para realizar a meta final.

A importância de ter metas grandes reside que isto já traz para o presente a possibilidade real da realização. E isso aumenta a motivação como se disséssemos: “olha, eu vou conseguir fazer isso”. Porém, a imaginação tem que ser fixada em ações sucessivas.

4- O que leva uma pessoa à procrastinação?

Existem algumas boas razões para a procrastinação, a maior delas é o sentimento de que a próxima ação é desagradável. É difícil encontrar quem procrastina o que pensa ser o maior prazer da sua vida. O exemplo clássico é o do aluno que procrastina o dever de física, mas chega antes na aula de educação física… ou seja, estudar Newton é desagradável – portanto, procrastinado – enquanto jogar futebol não é deixado para depois.

Outras razões consistem em não saber direito o que fazer, ter conflitos internos entre fazer ou não fazer e não compreender os motivos de fazer o que tem que ser feito agora.

Veja também – 7 armadilhas que aumentam a procrastinação

5- Como a procrastinação pode afetar nas diferentes etapas da vida? (durante o período escolar, na vida adulta durante o trabalho e na velhice durante a aposentadoria)

Em síntese, podemos entender a procrastinação como não fazer de todo ou não fazer dentro do prazo. A não-ação ou a ação atrasada, evidentemente, não terá consequências positivas no longo prazo, tendo em vista o objetivo visado.

No exemplo anterior, falamos do aluno que procrastina a física mas não a educação física. Se o seu objetivo for ser um atleta ou um educar físico, a procrastinação não será tão negativa, entretanto, como concluir o Ensino Médio é importante, a procrastinação pode prejudicar e adiar o sonho de entrar na faculdade ou conseguir um trabalho melhor.

Portanto, dado um objetivo, se há procrastinação haverá atraso ou, nos casos extremos nenhuma realização do objetivo final. Independentemente se for na vida acadêmica ou profissional (ou pessoal), a vida ficará cheia de atrasos e poucas realizações. Além disso, como um adendo, poderá haver culpa e ressentimento por não ter feito o que tinha que ser feito.

No caso da aposentadoria, o principal problema é a distância do tempo. Com 20 anos, sequer conseguimos imaginar como estaremos com 40, quem dirá com 60! Entretanto, se utilizarmos a dica de visualizar os benefícios de uma ação para nos motivar, poderemos imaginar os benefícios de poupar e fazer bons investimentos no longo prazo e, portanto, quando este longo prazo tiver chegado, colheremos o fruto das ações anteriores.

6- Quais as principais doenças psicológicas que podem ser associadas à procrastinação?

Esta é uma pergunta com duas facetas: a procrastinação pode levar a uma doença mental ou a procrastinação é resultado de uma doença mental prévia? Não existe um consenso na psicologia. Mas na medida em que definirmos a procrastinação como o adiamento de uma atividade (e o tempo de adiamento como o relevante para as suas consequências) veremos que todos nós procrastinamos. Portanto, não existe sentido em dizer que a pessoa que procrastina tem uma doença mental.

Por outro lado, algumas doenças mentais, nitidamente a depressão e o TDAH, fazem com que o portador tenha maior vulnerabilidade para procrastinar. Na verdade, os sintomas destas doenças já incluem uma fenomenologia que é próxima do que chamamos de procrastinação.

Psicólogo Clínico e Online (CRP 06/145929), formado há 14 anos, Mestre (UFSJ) e Doutor (UFJF), Instrutor de Mindfulness, Coach e Presidente do Instituto Felipe de Souza. Como Professor no site Psicologia MSN venho ministrando dezenas de Cursos de Psicologia, através de textos e Vídeos em HD. Faça como centenas de alunos e aprenda psicologia através de Cursos em Vídeo e Ebooks! Loja de Vídeos e Ebooks. Você pode também agendar uma Sessão Online via Skype, Problemas de Relacionamentos ou Orientação Profissional e Coaching de Carreira , fazer o Programa de 8 Semanas de Mindfulness Online. E não se esqueça de se inscrever em nosso Canal no Youtube! e Instagram! Email - [email protected] - Agendar - Whatsapp (11) 9 8415-6913