Olá amigos!

Muitos leitores já me pediram para falar sobre dinâmicas de grupo. Na faculdade de psicologia, estudamos os processos grupais em matérias ligadas à Psicologia Social e à Psicologia Organizacional, a psicologia que está inserida dentro das empresas.

Dizem que é praticamente certo que venhamos a ter contato com um profissional da psicologia pelo menos uma vez na vida. Talvez seja ainda na escola, ou em um consultório ou quando vamos tirar a carteira de motorista. Mas é muito comum que o primeiro contato seja quando vamos participar de um processo seletivo para trabalhar em uma empresa.

Nos processos seletivos são realizadas diversas atividades para que a empresa conheça melhor o profissional que está contratando. Na verdade, para que possa escolher entre os candidatos que estão disputando aquela vaga.

Um exemplo esclarece melhor o que estou querendo dizer. Imagine que você tem uma loja e precisa de uma funcionária para trabalhar na contabilidade. Você coloca um anúncio na porta da loja e, em uma semana, recebe 10 currículos. Como você poderia saber qual seria a melhor funcionária para sua loja se você não conhece nenhuma das 10 pessoas?

Basicamente, desde que o mundo é mundo, são feitas entrevistas. Mesmo que uma pessoa não tenha os conhecimentos da psicologia, ela pode entrevistar os candidatos e fazer perguntas:

– O que você estudou?

– Aonde você mora?

– Já trabalhou com contabilidade?

E por aí vai. Com a Revolução Industrial e principalmente a partir do século XX, os conhecimentos da psicologia produzidos e testados em laboratório começaram a ser utilizados a fim de auxiliar os grandes industriais a escolher os seu quadro de empregados. Pouca gente sabe que esta foi a primeira aplicação prática do famoso teste de Binet, do Quociente de Inteligência, o QI.

Para quem quiser saber mais sobre entrevistas, veja o nosso texto – Como se comportar em uma entrevista de emprego

De maneira sintética, temos que entender que para selecionar a nossa contadora, teremos que ter em mente o que queremos em termos de suas qualidades pessoais e experiência profissional, certo? Não há como escolher se não sabemos o que queremos…

Portanto, teremos que ter em mente um Perfil. O perfil talvez tenha a configuração:

1) Uma pessoa sem experiência, mas que queira aprender contabilidade e seja disciplinada;

2) Uma pessoa que esteja estudando contabilidade e já saiba mexer com Excel e goste de ligar para clientes;

3) Uma pessoa que já tenha se formado em contabilidade, que ainda não tenha experiência, mas que queira trabalhar por muitos anos na mesma empresa;

4) Uma pessoa que já tenha se formado, com experiência e com perfil de liderança para treinar futuros contratados.

Ou seja, o perfil poderá ser qualquer um destas 4 opções. E claro, poderíamos ir imaginando muitos outros tipos de perfis. A pegadinha de todo processo seletivo é que o candidato dificilmente vai saber o perfil exato que vai ser exigido no processo. Às vezes a empresa lança alguns dados como o mínimo de escolaridade ou experiência prévia. Porém, o perfil de personalidade, o jeito que a pessoa age na maioria das vezes – o que podemos chamar de probabilidade do comportamento – nunca será divulgado.

Voltando, com o desenvolvimento das indústrias e empresas no século XX, com o aumento da escolaridade, as organizações passaram a ter que escolher com mais detalhes. E, para tanto, foram desenvolvidas algumas estratégias, em suma:

1) Entrevistas individuais mais completas;

2) Testes psicológicos projetivos e não projetivos;

3) Dinâmicas de Grupo

Abaixo, falaremos mais sobre as dinâmicas

Como se comportar em uma Dinâmica de Grupo

Por definição, uma dinâmica de grupo é feita em grupo. Isto quer dizer que a avaliação será do comportamento do indivíduo em um grupo. Como seria antiético da minha parte contar como funciona uma dinâmica específica, podemos inventar uma suposta dinâmica como um exemplo do processo.

Dinâmica inventada:

Imagine que você está fazendo uma excursão pelo deserto. O seu grupo passa por uma tempestade de areia e você, quando finalmente consegue abrir os olhos, descobre que está sozinho e à sua volta encontra alguns dos objetos da sua turma.

Sabendo que terá que conseguir ajuda o mais rápido possível, você tem que escolher o que será melhor levar contigo. Você deve escolher entre:

– um GPS;

– uma bússola;

– um óculos de sol;

– uma roupa de frio;

– um celular

– um boné;

– um livro sobre o deserto

Na primeira parte da dinâmica, esta escolha é feita individualmente. Cada um deve marcar o que gostaria de escolher. Na sua parte, em pequenos grupos de 4 ou 5, o grupo deve escolher o que gostaria de levar.

Tendo tomado nota do que foi escolhido individualmente e foi defendido e do que foi escolhido em grupo e foi defendido, os avaliadores conseguirão avaliar algumas características pessoais do comportamento do indivíduo quando está sozinho e quando está em um grupo.

Na psicologia social, estudamos que em grupo existe a tendência da polarização entre um chefe ou líder e um bode expiatório (alguém para ser criticado ou “deixado de lado”).

Esta dinâmica de grupo – que, novamente, não existe e foi totalmente inventada – é só um exemplo para mostrar que durante o processo estão sendo avaliadas características comportamentais, ou seja, o modo como cada um se comporta em uma situação. No caso que inventei, uma situação de conflito e de dificuldade.

É claro que existem milhares de dinâmicas e cada uma avaliará uma competência esperada para a vaga. Enquanto uma avalia a liderança, outra avalia o seguimento de ordens, enquanto outra investiga a colaboração com o colega, uma outra ainda busca medir a habilidade de convencer o próximo.

Enfim, as formas criadas em uma dinâmica são muito variadas e o objetivo de cada uma também é extremamente variado.

Mas e agora? Como se comportar?

Bem, sabendo que o candidato nunca vai saber exatamente o que a empresa está esperando para um perfil, temos que entender que tentar ser uma outra pessoa, “atuar como um personagem de teatro” para ser assim ou assado, nunca vai funcionar.

Imaginemos um caso que não dará certo. O sujeito começa a participar de um processo seletivo e imagina que terá que demonstrar ser um líder nato. Embora não goste da posição de liderança, ele tenta fingir que gosta e que tem muita facilidade. Faz as entrevistas, os testes e a dinâmica tentando passar esta impressão. (O que ele não sabe é que as contradições entre cada fase serão percebidas pelo avaliador experiente). Mas digamos que não seja. Ele tenta parecer um líder.

No fim das contas, a empresa não estava querendo mais um líder. Ela queria uma pessoa experiente mas que conseguisse trabalhar bem em grupo, mais assumindo e cumprindo ordens do que mandando. Portanto, o candidato que mentiu (provavelmente já será eliminado só por este motivo) não conseguiria a vaga, porque tentou ser um líder, para uma vaga que não era de liderança.

De forma que tentar ser um outro tipo de personalidade nunca funciona. O lema “seja você mesmo” é a melhor estratégia sempre. E esta é a dica fundamental que podemos dar para qualquer um que vai participar de uma dinâmica. Pois em um processo seletivo, a pessoa mais fechada e introvertida talvez seja a selecionada, se a vaga for para uma pessoa mais fechada e introvertida. Se a vaga for para uma pessoa brava e a pessoa brava se comportar como uma pessoa calma, ela perderá também a vaga.

Entendem aonde quero chegar?

Há um perfil determinado. Um perfil X. O candidato que for selecionado e que irá trabalhar na empresa precisa ter esse perfil. Se eu tenho o perfil X e tento parecer que tenho o perfil Y, vou perder a vaga.

E, mais uma dica antes de concluirmos.

É natural se sentir um pouco nervoso ou ansioso em situações grupais. Embora não seja uma apresentação formal como falar em público em uma palestra, curso ou seminário, as dinâmicas de grupo acabam sendo uma fonte de sensações corporais diferentes (que muitos avaliam como desagradáveis).

Como sabemos, cerca de 50% da população mundial tem medo de falar em público. De modo que se você tem um pouco de ansiedade ao falar para um grupo de desconhecidos, existem algumas alternativas:

– Primeiro, saber que a maior parte das pessoas ao seu redor devem estar também um pouco ansiosas;

– Segundo, falar uma coisa errada, gaguejar um pouco uma hora ou parar para pensar são comportamentos esperados e normais;

– Terceiro, se você realmente se sentir muito mal, pode procurar fazer um tratamento com um psicólogo e/ou psiquiatra para ajudar nas suas emoções. Outra dica é fazer cursos de como falar em público ou oratória.

E, por fim, o perfil X não é melhor do que o perfil Y. São apenas características pessoais diferentes. Portanto, se você não for selecionado em um processo, na verdade, é porque não era para ser mesmo. Trabalhar em uma vaga que não condiz com o seu perfil é sofrimento na certa.

Psicólogo Clínico e Online (CRP 06/145929), formado há 14 anos, Mestre (UFSJ) e Doutor (UFJF), Instrutor de Mindfulness, Coach e Presidente do Instituto Felipe de Souza. Como Professor no site Psicologia MSN venho ministrando dezenas de Cursos de Psicologia, através de textos e Vídeos em HD. Faça como centenas de alunos e aprenda psicologia através de Cursos em Vídeo e Ebooks! Loja de Vídeos e Ebooks. Você pode também agendar uma Sessão Online via Skype, Terapia Cognitivo Comportamental, Problemas de Relacionamentos, Orientação Profissional e Coaching de Carreira , fazer o Programa de 8 Semanas de Mindfulness Online. E não se esqueça de se inscrever em nosso Canal no Youtube! e Instagram! Email - [email protected] - Agendar - Whatsapp (11) 9 8415-6913