Motivos como falta de tempo, recursos ou dificuldades em muitos e muitos casos são apenas desculpas e justificativas para deixar para depois o que queremos fazer. Mas, e se não tivermos todo o tempo do mundo?

Olá amigos!

Estes dias atrás tive a oportunidade de ler um trecho da autobiografia de Stephen King. Quando adolescente, li alguns de seus livros e, embora atualmente não seja particularmente um fã, temos que reconhecer a sua capacidade de criar histórias e vendê-las.

Em sua autobiografia, Stephen King escreve:

“Eu podia me ver trinta anos depois, vestindo os mesmas casacos gastos de tweed com remendos nos cotovelos e a barriguinha de chopp rolando sobre minha calças cáqui. Eu teria uma tosse pelo cigarro Pall Mall, óculos mais grossos, mais caspa, e na minha gaveta da mesa, seis ou sete manuscritos inacabados que eu levaria para fora para mexer de vez em quando, geralmente quando estivesse bêbado. Se alguém perguntasse o que eu faço no meu tempo livre, diria que estava escrevendo um livro – o que mais faz qualquer pessoa criativa de auto-respeito? – o que um professor poderia fazer com o seu tempo livre? E é claro que eu iria mentir para mim mesmo, dizendo que ainda haveria tempo, que não era tarde demais. Muitos romancistas tinham começado com cinquenta, o inferno, mesmo sessenta. Provavelmente muitos deles…” (tradução livre).

Nesta época de sua vida, Stephen King era professor e um total desconhecido que não tinha publicado um único livro. Avaliando como seria a sua vida no futuro se continuasse fazendo o que estava fazendo – escrever os romances apenas no tempo livre, fumando e bebendo – ele percebeu que adiar os seus planos e sonhos não era uma alternativa interessante.

Com isto, ele parou de trabalhar e começou a escrever “Carrie, a estranha”. Um sucesso editorial que depois foi levado às telas do cinema (e hoje já conta com algumas versões inclusive).

Este trecho da biografia de Stephen King é bastante interessante para começarmos a refletir sobre as consequências dos nossos atos no longo prazo.

Eu também tenho uma certa experiência parecida. A minha primeira experiência profissional importante, depois de ter me formado em psicologia, foi trabalhar com Recursos Humanos. Seria uma carreira promissora. Sei fazer avaliações psicológicas com rapidez, sei escrever laudos com precisão, tenho inglês fluente. Enfim, tinha 22 anos e infinitas possibilidades nesta área da psicologia, por ter um perfil que as grandes empresas valorizam.

Entretanto, no fundo, não me encontrava satisfeito. O pensamento que me fez mudar de rumos foi bastante parecido com o tipo de imaginação descrita no livro de Stephen King. Me imaginei fazendo o que estava fazendo – trabalhando com RH – nos próximos 3 anos. 5 anos…10, 25 anos!

Apenas acumularia experiência em uma área que não queria acumular experiência. Teria um currículo excepcional para trabalhar com atividades que não queria trabalhar nem mais um dia. Foi então que pedi as contas e a minha vida profissional começou de verdade.

Por que você deve parar de adiar seus sonhos e planos?

A Folha de São Paulo publicou recentemente uma entrevista com a atriz Deborah Secco, na qual ela diz que o filme “Boa Sorte” mudou a sua visão da vida. Ela disse: “A gente deixa para amanhã um monte de coisas, acha que vai viver para sempre, mas isto é quanto tempo?”

Este é o motivo mais simples e mais radical para parar de adiar os sonhos e planos. Por um capricho da própria vida, não sabemos de verdade quanto tempo nos resta. 50 anos ou 5 anos teremos nós pela frente?

Existe um a dinâmica que frequentemente recomendo para os meus pacientes que consiste em escrever uma lista com 100 itens contendo desde pequenos desejos aos grandes. O que é mais interessante é que quando vamos analisar uma lista como esta, vemos que a maioria dos itens não é difícil de ser realizado.

Normalmente, é só uma questão de estruturar um pouco de tempo e gastar um pouco de dinheiro.

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Porém, é preciso sair da chamada “zona de conforto”, da rotina estabelecida como um fato e uma realidade e olhar tudo de uma perspectiva mais distanciada. Horas e horas nas redes sociais, horas e horas vendo TV são horas a menos de vida, horas que não vão voltar mais…

Conclusão

Dizem que o tempo é uma invenção para que tudo não aconteça simultaneamente. É claro que se tivermos uma lista de 100 itens ou mais, não conseguiremos realizar tudo ao mesmo tempo.

Contudo, é realmente fundamental ter consciência plena de que não somos eternos (ou, ao menos, de que nossa vida é finita nesta forma de existência). Como disse Steve Jobs, “saber que vou morrer em breve é a ferramenta mais importante que encontrei para tomar as grandes decisões de minha existência”.

Quem é demasiadamente jovem e teve a sorte de não ter perdido um parente, um amigo, alguém especial pode não ter uma referência para entender de verdade a finitude. Mas, infelizmente, ninguém está imune a este choque de perder.

Também dizem que não conseguimos imaginar a nossa própria morte. Afinal, como imaginar o fim de si mesmo? Um filme muito interessante que recomendo é: “Minha vida sem mim”.

Então, embora isto possa parecer uma conversa lúgubre, certamente pode ser uma fonte de motivação para sair do lugar. E fazer diferente. E fazer melhor.

Psicólogo Clínico e Online (CRP 06/145929), formado há 14 anos, Mestre (UFSJ) e Doutor (UFJF), Instrutor de Mindfulness, Coach e Presidente do Instituto Felipe de Souza. Como Professor no site Psicologia MSN venho ministrando dezenas de Cursos de Psicologia, através de textos e Vídeos em HD. Faça como centenas de alunos e aprenda psicologia através de Cursos em Vídeo e Ebooks! Loja de Vídeos e Ebooks. Você pode também agendar uma Sessão Online via Skype, Terapia Cognitivo Comportamental, Problemas de Relacionamentos, Orientação Profissional e Coaching de Carreira , fazer o Programa de 8 Semanas de Mindfulness Online. E não se esqueça de se inscrever em nosso Canal no Youtube! e Instagram! Email - [email protected] - Agendar - Whatsapp (11) 9 8415-6913