Palavras repetidas em finais de frases como “né”, “tá”, “entende”, “percebe”, “é…é” devem ser evitadas ao máximo quando vamos falar em público. Embora elas possam passar desapercebidas por quem está falando, serão muito irritantes para quem estiver ouvindo. Vamos aprender como mudar este hábito negativo?

Olá amigos!

Uma das coisas mais irritantes quando estamos ouvindo alguém falar em público, , é a repetição de um som, , desnecessário, ? Porque se você for parar para pensar, , com o tempo, , começamos a não presentar atenção, , no que está sendo dito, , e passamos a ouvir só o , ? Ou não é?

Bem, evidentemente que esta frase inicial quer apenas mostrar que a repetição de um som como né (ou tá, por exemplo) torna uma apresentação extremamente cansativa e enfadonha. O público ouvirá cada vez mais estes sons, chamados de cacoetes, enquanto que o próprio orador talvez nem note que fala com tanta frequência. Palavras como né, tá, daí, aí, assim, entre outras repetidas dezenas, centenas, milhares de vezes em uma fala de poucos minutos causam uma péssima impressão.

O simples ato de parar de emitir estas palavrinhas terríveis para quem está ouvindo já será um alívio! Porém, confesso que esta técnica do nosso Curso sobre Como Falar em Público é uma das mais difíceis de serem colocadas em prática.

Primeiro porque existe a tendência de não notarmos que falamos tanto uma palavra ou outra. Cada pessoa terá sua palavrinha de preferência e de tanto repeti-la se tornará inconsciente, do mesmo modo como paramos de sentir um cheiro desagradável se ficarmos expostos um tempo suficiente para nos acostumar. Como podemos vir a adotar uma palavra-cacoete no nosso dia-a-dia, também vamos acabar levando a palavra-cacoete para os momentos em que estivermos falando em público.

Segundo, como se torna um hábito, é complicado parar de uma hora para outra. Não percebemos e também nos acostumamos tanto que às vezes parece ser tão difícil parar como um vício.

Terceiro, estas palavras-cacoetes, em geral, são palavras que visam buscar a aprovação do público. Se eu digo, não é? No final da frase, algumas pessoas na plateia poderão fazer sinal de aprovação e eu passarei a entender que elas estão aprovando o que eu estou dizendo. Com o tempo, começarei a perguntar mais porque tenho um estímulo agradável (a aprovação alheia) e começarei a fazer tanto isso que ao invés de me passar segurança fará com o que as pessoas sintam que eu estaria inseguro, ou seja, como se constantemente eu tivesse precisando de aprovação.

A regra, portanto, é clara: nunca fale mais estas palavras-cacoetes. Pois se você aprender que poderá falar às vezes, logo deixará de notar que está falando tanto e continuará com o comportamento que tinha antes, de falar e falar milhões de vezes a palavrinha de segurança imaginária. Corte o mal pela raiz. Imagine como se fosse um vício e não se permite fazer uso nunca mais da sua palavra querida.

Como disse, não é fácil de abandonar. De tempos em tempos você vai notar que a palavra quer sair da sua boca. Mas como você já estará alerta que a palavra não pode ser dita, tão logo você notar que disse, note que você não pode dizer. E faça a técnica abaixo para se livrar de vez!

A estrutura de um hábito

Um hábito é tão somente um comportamento repetido centenas de vezes. Tão repetitivo que se torna inconsciente. Não notamos mais. O primeiro passo para mudar é começar a notar o hábito, a partir da sua estrutura trina:

1) Deixa

2) Comportamento habitual

3) Recompensa

No caso do uso de uma palavra-cacoete podemos levantar como hipótese que:

1) A deixa será o final de uma frase

2) O comportamento habitual é falar a palavra-cacoete

3) A recompensa é se assegurar de que o público está concordando (ou sentir a segurança de estar sendo claro, como, por exemplo, “Um círculo é redondo de todos os lados, tá?”)

Bem, independente da estrutura poder varir um pouco, individualmente, tomando este modelo trino perceberemos que só precisamos mudar o passo 2, que é a emissão do palavra-cacoete. Uma das técnicas mais incríveis que aprendi no livro O Poder do Hábito é a técnica da psicologia comportamental de substituição de um hábito por outro. Melhor dizendo, alteramos apenas um comportamento desajustado, equivocado ou prejudicial por outro mais adequado, positivo e benéfico.

Veja o exemplo:

Reação Concorrente para mudar um Hábito

“O terapeuta pediu que Mandy descrevesse por que roía as unhas. No começo, ela teve dificuldade de dizer os motivos. À medida que conversavam, no entanto, ficou claro que ela roía quando estava entediada. O terapeuta a colocou em algumas situações típicas, como assistir televisão e fazer lição de casa, e ela começava a mordiscar. Quando tinha roído todas as unhas, ela dizia sentir um breve senso de completude. Essa era a recompensa do hábito: um estímulo físico pelo qualela passara a ansiar.

No fim da primeira sessão, o terapeuta mandou Mandy para casa com uma tarefa: carregar sempre consigo uma ficha, e cada vez que sentia a deixa – uma tensão nas pontas dos dedos – fazer uma marca na ficha. Voltou uma semana depois com 28 marcas. Àquela altura, ela estava muito ciente das sensações que precediam seu hábito. Sabia quantas vezes aquilo acontecia durante a aula ou enquanto assistia televisão.

Então o terapeuta ensinou para Mandy o que é conhecido como “reação concorrente”. Disse a ela que, sempre que sentisse essa tensão nas pontas dos dedos, devia imediatamente por as mãos nos bolsos ou embaixo das pernas, ou agarrar um lápis ou alguma outra coisa que tornasse impossível colocar os dedos na boca. Depois Mandy devia procurar alguma coisa que fornecesse um estímulo físico básico – tal como esfregar o braço ou bater os nós dos dedos numa mesa – algo que gerasse uma reação física. As deixas e as recompensas continuaram as mesmas. Só a rotina mudou.

Eles praticaram no consultório do terapeuta por cerca de trinta minutos e Mandy foi enviada para casa com uma nova tarefa: continuar com as fichas, mas fazer um tique quando ela sentisse a tensão nas pontas dos dedos e um # quando conseguisse conter o hábito com êxito.

Uma semana depois, Mandy tinha roído as unhas só três vezes e usara a reação concorrente sete vezes. Ela se recompensou com uma sessão de manicure, mas continuou usando as fichas. Depois de um mês, o hábito de roer as unhas sumira. As reações concorrentes tinham se tornado automáticas. Um hábito substituíra o outro”. (DUHIGG, p. 126-128)

Portanto, podemos aprender com Mandy e seu trabalho com seu psicólogo e mudar o hábito de falar palavras-cacoete. A mudança sempre terá relação com dois passos simples:

– reconhecer quando a palavra-cacoete está aparecendo no discurso

– mudar a emissão de palavra-cacoete por um outro comportamento

Cada um pode escolher este comportamento concorrente para substituir a palavra-cacoete. Por exemplo, pode ser apertar o dedo indicador contra o polegar, pode ser respirar mais profundamente, pode ser contrair o abdômen para dentro como em uma inspiração de Pilates, enfim, você pode escolher qualquer pequeno comportamento que praticamente não será visto pelos outros para contrapor ao hábito de falar né, tá, hamn, é…é…, etc.

Com a substituição e com o tempo o comportamento anterior será substituído pelo novo que não provocará cansaço, tédio, desconforto, incômodo em sua plateia como a repetição excessiva de sons desnecessários.

Conclusão

Como disse no início, esta técnica de parar de falar determinadas palavras que estamos acostumados a usar talvez seja a técnica que mais exige de nós. Afinal, dar pausas de 5 segundos, olhar nos olhos da plateia, dar ênfase em uma palavra ou outra é relativamente mais fácil do que se livrar do hábito de repetir uma palavra que na maioria das vezes nem notamos mais.

Em um dos Cursos que fiz, tive o feedback de que falava muito né. (Na verdade nem era muito né assim, mas a ideia era que o feedback fosse bem severo a fim de poder trazer contribuições futuras). Hoje, ainda noto que de tempos em tempos falo né, porque falava e até muitas pessoas próximas de mim usam sem perceber.

Mas como percebi que era desconfortável para quem estava ouvindo e como era o meu objetivo melhorar sempre a minha forma de falar em público passei a notar todas as vezes que falava. Hoje, se falo uma única vez já noto e consigo me policiar para não falar mais.

No caso das palavras-cacoetes o melhor conselho que podemos dar é: quanto menos, melhor. Se possível, nunca.

Para atingir o nunca, comece a notar sua própria fala. Veja o que você tem hábito de repetir. E quando captar uma destas palavras, comece a substituir por um comportamento concorrente que vai te ajudar ao invés de detonar a sua apresentação!

Na próxima Lição, falaremos sobre a importância da postura corporal.

Psicólogo Clínico e Online (CRP 06/145929), Mestre (UFSJ), Doutor (UFJF), Instrutor de Mindfulness e Pós-Doutorando (Unifesp), Coach e Presidente do Instituto Felipe de Souza. Como Professor no site Psicologia MSN venho ministrando dezenas de Cursos de Psicologia, através de textos e Vídeos em HD. Faça como centenas de alunos e aprenda psicologia através de Cursos em Vídeo e Ebooks! Loja de Vídeos e Ebooks. Você pode também agendar uma sessão de Coaching Online via Skype, Relacionamentos ou Carreira (faculdade), fazer o Programa de 8 Semanas de Mindfulness Online e Orientação Profissional Online. E não se esqueça de se inscrever em nosso Canal no Youtube! Email - [email protected] - Agendar - Whatsapp (11) 9 8415-6913