Olá amigos!

Quando comecei a escrever para a internet, há cerca de 4 anos, escrevi um texto simples em que argumentava que um único pensamento é capaz de mudar uma vida. Foi interessante receber a opinião de uma querida leitora, talvez um pouco raivosa, que pensava exatamente o oposto. Claro que com sua opinião contrária, podemos ver logo que ela defendia a tese segundo a qual toda mudança é difícil e árdua. Com esta crença, não é de se espantar que ela tenha dificuldade de mudar…

Se digo que um pensamento muda uma vida (para melhor ou para pior), não estou me referindo aos pensamentos cotidianos, práticos, concretos como “Vou pegar o controle da TV” ou “Vou fazer um macarrão instantâneo” ou “O metro está mais cheio do que o normal”.

No texto, que escrevi há tanto tempo atrás (digo tanto tempo porque depois já escrevi mais de 700 textos, uma dissertação de mestrado e 75% de uma tese de doutorado), a ideia era de que podemos mudar as nossas vidas, desde que mudemos pensamentos centrais que temos sobre nós mesmos, sobre os outros e sobre o mundo.

Pensamentos como:

“Eu acredito no प्रज्ञापारमिता (Prajñāpāramitã) que diz que não há um eu para se acreditar”…

“Eu penso que eu sou capaz de realizar…”

“Eu sou uma pessoa amorosa/ ou deprimida / ou intensa / ou que não se pode confiar”…

“Eu sou inteligente”….

“Eu gosto de ser bem tratado”…

Enfim, a lista é interminável. Estes são apenas alguns exemplos de como pensamentos que são chamados de crenças na psicologia cognitiva são importantes para a mudança comportamental. Em outras palavras, se alguém pensa:

“Eu sou capaz”

ao invés de pensar:

“Eu não sou capaz”… a diferença será muito grande, não é mesmo?

Mas ainda assim, com certeza, muitas pessoas poderão pensar que parece simples, que talvez seja deste modo, mas que não parece tão fácil mudar, quando caímos de novo na realidade. Outras talvez pensem que serão necessários vários anos de psicanálise para mudar um significante mestre e outros nem isso, talvez pensem que a mudança é impossível que se trata da genética da pessoa, que, não se sabe como, poderia ser torcida com remédios psiquiátricos…

Você acha que mudar é possível?

Dizem as boas línguas que “As palavras convencem, mas os exemplos arrastam”. Este é uma espécie de provérbio popular que tem em si uma grande verdade porque a melhor forma de mudar é encontrar um exemplo de mudança.

Pensar que a mudança é impossível é só olhar para exemplos de pessoas que mudaram, pouco. Quer dizer, pessoas que mudaram muito lentamente, tão lentamente que dão a impressão que não mudaram nada. Se olharmos de perto, evidentemente, veremos que existem muitas mudanças do nascimento, passando pela infância, adolescência, idade adulta até a terceira idade.

O argumento de que mudar é impossível ou que mudar é muito difícil leva, em conta, portanto, exemplos de pessoas que permaneceram com sua identidade mais ou menos estática ao longo dos anos. Será que isto prova que mudar não é possível?

Também podemos pensar nos milhões de exemplos de pessoas que mudaram, como se disse, da água para o vinho. Exemplos de conversão religiosa são bem convincentes nesse sentido, basta nos lembrarmos de Saulo para Paulo, ou de Asoka, um sanguinário general e conquistador em um budista que de tanto amor criou até hospitais públicos para os animais.

Mas saindo da esfera da psicologia da religião para a nossa vida cotidiana, podemos certamente encontrar diversos exemplos de pessoas que realmente mudaram de vida, sem passar, necessariamente, por nenhuma experiência religiosa.

O interessante aqui é investigar, em uma menor envergadura, as pequenas mudanças que vão tendo lugar sem que percebamos.

Por exemplo, alguém que era fanático por Heavy Metal e, gradualmente, vai deixando as roupas pretas e o cabelo grande para ser um professor universitário; ou alguém que era uma espécie de Don Juan de Marco, se casa e constrói uma família feliz.

Como acontece esta mudança?

Se investigarmos a fundo, veremos que a mudança começa em um pensamento. Na troca de um pensamento por outro. Aqui, gostaria apenas de mencionar, que isto é válido tanto para o que chamamos de uma mudança positiva para o que chamamos de uma mudança negativa.

Por exemplo, alguém que sempre pensava de ajudar os outros, com atos caridosos, e passa a pensar que não adianta ajudar, que nada vai mudar de verdade. Esta também é uma mudança de pensamento, que mudará o comportamento e, gradualmente, vai modificar a personalidade e o jeito de ser.

 Em ambos os casos, é a partir de uma mudança no pensamento que ocorre a mudança. Aqui no site, nós temos 20 textos completos, da Programação Neurolinguística, que descrevem 20 formas de mudar os significados que atribuímos, em outras palavras, mudar a forma como pensamos.

Veja aqui – Como mudar?

Se você ainda duvida, pense nos momentos em que você mudou e veja como tudo teve início com uma mudança na forma de pensar, na forma de conceber, na forma de estruturar a sua realidade.

Para finalizar, gostaria de compartilhar um exemplo muito interessante. Interessantíssimo, por sinal, para a psicologia clínica. Creio que todos conhecem a história de John Nash – que ficou mundialmente conhecida pelo filme Uma mente brilhante.

No livro Terapia Cognitiva da Esquizofrenia, Aaron Beck nos conta o processo de mudança pela qual ele passou:

“Nash atribuiu sua própria melhora a vários fatores, sendo a principal o raciocínio lógico. Para ilustrar esta questão, Nash descreveu, primeiramente, que se convenceu de que as alucinações auditivas eram produto de sua própria mente e, depois, persuadindo-se da improbabilidade e grandiosidade de muitas das suas crenças mais valorizadas. Adaptando seu pensamento em relação às alucinações e delírios, diminuiu a pertubação sintomática e gerou uma melhora considerável em seu funcionamento cotidiano. Nash, assim, exemplifica a abordagem cognitiva à esquizofrenia, que defendemos”

No filme Uma mente brilhante podemos ver em detalhes como este processo aconteceu. Como se sabe, na esquizofrenia, um dos sintomas mais evidentes é a alucinação visual ou auditiva. Durante boa parte da sua vida, Nash conviveu com algumas pessoas que existiam apenas em sua mente, um amigo e uma garota. Porém, pelo raciocínio lógico, pela auto-reflexão, ele se dá conta que ambos não envelhecem. Se os dois não envelhecem, não são reais, mas fruto da sua própria mente. Desta forma, como diz Beck, ele consegue recuperar boa parte de sua capacidade.

Portanto, este é mais um exemplo de como podemos mudar, mudando uma forma de pensar.

O que vocês acham? Críticas, comentários, sugestões serão muito bem vindos!

Psicólogo Clínico e Online (CRP 06/145929), formado há 14 anos, Mestre (UFSJ) e Doutor (UFJF), Instrutor de Mindfulness, Coach e Presidente do Instituto Felipe de Souza. Como Professor no site Psicologia MSN venho ministrando dezenas de Cursos de Psicologia, através de textos e Vídeos em HD. Faça como centenas de alunos e aprenda psicologia através de Cursos em Vídeo e Ebooks! Loja de Vídeos e Ebooks. Você pode também agendar uma Sessão Online via Skype, Terapia Cognitivo Comportamental, Problemas de Relacionamentos, Orientação Profissional e Coaching de Carreira , fazer o Programa de 8 Semanas de Mindfulness Online. E não se esqueça de se inscrever em nosso Canal no Youtube! e Instagram! Email - [email protected] - Agendar - Whatsapp (11) 9 8415-6913