Olá amigos!

Neste semana, fui convidado pelo Jornal Diário de Sorocaba, em São Paulo, para responder algumas perguntas sobre a Depressão. Embora sejam perguntas gerais e as respostas sejam breves, penso que são questões importantes e podem ser úteis nas principais dúvidas. Por isso, compartilho com vocês:

1)      Apesar de as causas que motivam a depressão serem muito amplas, quais seriam as principais?

Podemos pensar em causas biológicas (genéticas, alimentares, hormonais) e causas psicológicas, ou seja, influenciadas por pensamentos e sentimentos disfuncionais.

 2)      Como a pessoa pode saber que está com depressão? Isolamento e falta de ânimo são comuns?

Bem, se há algum indício de depressão, a própria pessoa ou a família deve procurar a ajuda de um profissional da psicologia ou da psiquiatria. Pois apesar de falarmos normalmente de depressão, existem tipos de depressão.

O que é mais conhecido, o Episódio Depressivo Maior, é facilmente observável pelos outros pelo fato de a pessoa parar de realizar as atividades cotidianas que estava acostumada. Nesse sentido, há uma mudança no humor, no animo sim e uma tendência maior ao isolamento.

Entretanto, como salientei, existem outros tipos de depressão. A menos conhecida e menos diagnosticada é a personalidade depressiva ou a doença atualmente conhecida como distimia, na qual os sintomas depressivos são mais leves, não são tão incapacitantes ou discrepantes com as atividades anteriores, mas que também afeta a qualidade de vida.

Veja mais – O que é distimia?

 3)      Pessoas que perdem uma pessoa próxima tendem a ter depressão? O que ela deve fazer para evitá-la, principalmente, neste momento?

Bem, no caso da perda de um parente próximo, amigo ou mesmo no fim de um relacionamento amoroso importante, não falamos em depressão. Embora os sintomas possam ser parecidos, nós temos que considerar que o luto pela perda é normal e deve passar em algumas semanas ou meses.

Saiba mais – Luto e Melancolia

 4)      O que devem fazer familiares do depressivo? Você poderia dar dois exemplos: um falando de uma situação em que o familiar ajuda e outro em que prejudica?

Em casos de Episódio Depressivo Maior, é comum que a família note que algo está errado. O que não deve ser feito é acreditar que é uma bobagem, uma frescura, um capricho da pessoa. Ações como esta evidentemente prejudicam a pessoa depressiva e podem agravar a situação, na medida em que ela sente que não tem ajuda de quem precisa.

O caminho é procurar o mais breve possível a orientação de um profissional da psicologia e da psiquiatria para que seja realizada uma avaliação psicológica completa e também uma avaliação médica.

Algumas doenças físicas como, por exemplo, o hipotireoidismo podem afetar de tal forma o organismo que é comum o aparecimento de sintomas depressivos. Por isso, uma avaliação global, biológica e psicológica, é necessária para que sejam avaliadas as causas da doença e para que o tratamento seja bem sucedido.

 5)      Situações de bullying, principalmente em crianças, provocam depressão?

Não necessariamente. Sempre que vamos considerar algum sintoma psíquico temos que levar em conta que na psicologia nós consideramos as diferenças individuais. Com isso, não vamos falar que sim, mas podemos dizer que, para alguns indivíduos, experiências de frustração, críticas severas, desajustamento social ou dificuldade de criar laços de amizade, podem predispor a problemas psicológicos no futuro.

 6)      Quando o depressivo não quer ser ajudado, o que é aconselhado fazer?

A resposta para esta pergunta tem que levar em conta a idade do indivíduo. Um adolescente deprimido não tem responsabilidade total para definir se quer ou não quer fazer o tratamento, por isso, os pais tem que orientá-lo e encaminhá-lo para o tratamento, na medida do possível.

Adultos e indivíduos da terceira idade podem escolher se querem ou não tomar medicamentos, fazer ou não fazer terapia, porém, a orientação de parentes, amigos e profissionais da saúde é fundamental para que sejam mostradas as causas da doença e a possibilidade de melhora.

 7)      Quais são as consequências que a Depressão pode causar na pessoa?

A depressão, se não for tratada, pode provocar diversas consequências que vão da perda de relacionamentos, amorosos e de amizade, perdas financeiras e profissionais e, em casos mais graves, pode levar ao suicídio.

 8)      Já perguntei sobre as causas acima, mas gostaria de destacar sobre a solidão. Em que esta situação interfere?

Não devemos confundir a solidão com a depressão. Existem pessoas que gostam de estar sozinhas para produzir, para criar, para trabalhar. São as pessoas consideradas introvertidas. Elas tem amigos, embora eles sejam numericamente poucos, são bons e permanecem com os anos.

Veja aqui – Psicologia da Solidão – Introversão e Extroversão

O isolamento social total já é um indício preocupante, pois pode ser causado por uma depressão ou fobia social. Em ambos os casos, também é indicado o tratamento psicoterapêutico e/ ou medicamentoso.

 9)      Como é o tratamento dessas pessoas? Como são as primeiras terapias?

A psicologia possui diversas modalidades de terapia. Em resumo, podemos definir dois tipos básicos: terapias mais diretivas (nas quais o profissional intervém mais) e terapias não-diretivas (nas quais o profissional escuta mais do que orienta).

Cada um vai se adaptar mais com um tipo de terapia. As primeiras sessões são sessões de avaliação psicológica, para que o profissional possa saber mais a respeito da história de vida do paciente, seus sintomas, problemas e dificuldades, além do estabelecimento de empatia, confiança e na descrição das regras do modelo de tratamento utilizado.

 10)  A pessoa ter uma crença ou religião, ajuda no processo? Em que parte?

Pode ser que ajude, pode ser que atrapalhe. Na maioria dos casos, pode ajudar, pois a pessoa já tem uma crença que orienta sobre o seu papel no mundo. Em outros casos, é possível que as crenças arraigadas limitem os comportamentos de tal forma que um conflito psíquico é instaurado. Ou seja, há o desejo de seguir em uma direção e a crença religiosa orienta em outra.

De todo modo, um profissional experiente saberá como abordar as crenças de uma forma ética e respeitosa, visando sempre o bem estar psíquico de cada um.

Psicólogo Clínico e Online (CRP 06/145929), Mestre (UFSJ), Doutor (UFJF), Instrutor de Mindfulness e Pós-Doutorando (Unifesp), Coach e Presidente do Instituto Felipe de Souza. Como Professor no site Psicologia MSN venho ministrando dezenas de Cursos de Psicologia, através de textos e Vídeos em HD. Faça como centenas de alunos e aprenda psicologia através de Cursos em Vídeo e Ebooks! Loja de Vídeos e Ebooks. Você pode também agendar uma sessão de Coaching Online via Skype, Relacionamentos ou Carreira (faculdade), fazer o Programa de 8 Semanas de Mindfulness Online e Orientação Profissional Online. E não se esqueça de se inscrever em nosso Canal no Youtube! Email - [email protected] - Agendar - Whatsapp (11) 9 8415-6913