Olá amigos!

Recebi esta pergunta e gostaria de compartilhar com vocês a minha opinião. Quais características alguém deve ter para ser um bom profissional em psicologia? É uma pergunta realmente muito interessante e pode ser respondida tanto para dar uma ideia do que seria o perfil do psicólogo ou psicóloga, bem como também pode ser útil para ajudar quem deseja se aperfeiçoar nesta carreira.

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A psicologia e a metáfora do indivíduo

James Hillman, um dos maiores psicólogos junguianos, criador da psicologia arquetípica, dizia que a psicologia trabalha com a metáfora do indivíduo. Assim, muito mais do que pensarmos que a psicologia é a ciência que estuda a psique, a alma, os pensamentos, sentimentos ou comportamentos, podemos definir a psicologia como o estudo do indivíduo.

Afinal, a ideia de indivíduo e individualidade é fundamental para a psicologia. Até podemos substituir individualidade por personalidade ou repertório comportamental, mas de todo modo a psicologia tem a sua unidade de estudo no indivíduo. A sociologia nos grupos e sociedades, o direito nas leis…

Óbvio que esta definição é concisa. Mas apesar de concisa é muito perspicaz e nos ajuda a definir o que penso ser imprescindível para um bom profissional da psicologia: a capacidade de enxergar as diferenças individuais. Sem esta característica, dificilmente alguém conseguirá ser um bom profissional da área.

Veja também – O que é psicologia?

Por exemplo, já vi profissionais da psicologia, trabalhando em prefeitura, saíram do seu atendimento contando tudo o que ouviram no consultório. Apesar de que é algo não tão comum (felizmente!), este tipo de profissional existe. E o comportamento de não respeitar o sigilo na clínica é, sem dúvida, causada pela falta de consideração do indivíduo, pela ausência de respeito pelo outro.

Esta incapacidade de enxergar que o outro é um outro, com suas próprias necessidades, vontades, sonhos e desejos também provoca – no consultório – a ideia de que o paciente deve seguir os conselhos do mestre, no caso o psicólogo ou psicóloga clínica, como se o ponto de certeza estivesse de um lado e a clínica não fosse um diálogo que busca, justamente, desenvolver as potencialidades e a individuação daquele ou daquela que a busca.

Pessoas autocentradas, que se consideram o centro do universo e pensam estar sempre com a razão são pessoas que, na minha opinião, não servem para a área. A inflexibilidade, portanto, é um sinal de um mal profissional. Bons profissionais são flexíveis porque estão sempre em relação com o outro, seja no consultório ou na escola, no hospital ou em uma empresa. Agir sempre do mesmo modo e esperar que o outro faça o que se faria é um perfil destinado ao fracasso nesta profissão.

A curiosidade que não acaba

Ser excelente em uma determinada profissão e querer sempre continuar estudando as teorias, novidades, contradições, problemas; ler livros e artigos científicos, buscar filmes e documentários, enfim possuir uma curiosidade infindável pelo conhecimento específico da carreira é uma condition sine qua non para ter excelência. Não só na psicologia, mas em qualquer carreira.

Imaginar terminar a faculdade e ficar 30 anos trabalhando com o que se adquiriu na graduação, achando que está sendo excelente, é falta de vontade, interesse e dedicação.  E não digo para acumular diplomas na parede e exibir como troféus. A ideia é saber mais para ter mais habilidades. Com isso, ser um bom profissional da psicologia exige o estudo contínuo, talvez não da psicologia como um todo (o que seria um ideal, mas nem sempre possível), ao menos da área de especialização escolhida.

Por exemplo, se o profissional escolheu trabalhar com Recursos Humanos, com Psicologia Organizacional, é altamente recomendável fazer uma pós ou MBA para ampliar o seu horizonte. Alguém que tenha escolhido a clínica, deve também se especializar na abordagem teórica, no mínimo aprender a língua do autor que mais se interessa para ler os livros no original e conhecer a fundo tanto o que foi deixado (seja por Freud, Lacan, Jung, Reich, Adler, Skinner) como o desenvolvimento da abordagem preferida. Fazer supervisões e terapia também, constantemente, se mostra obrigatório.

Empatia e Intuição

No começo do texto, disse que o bom profissional da psicologia é aquele que entende a individualidade. Também podemos nomear esta qualidade como sendo empatia, amor, compaixão. Em termos técnicos, seria mais adequado dizer empatia. Ser empático quer dizer ver e relacionar com outra pessoa, respeitando-a e, ao mesmo tempo, se aproximando. O dicionário define empatia como “Experiência pela qual uma pessoa se identifica com outra, tendendo a compreender o que ela pensa e a sentir o que ela sente, ainda que nenhum dos dois o expressem de modo explícito ou objetivo”.

Empatia vem do grego ἐμπάθεια, empátheia, que significa entrar no sentimento. O psicólogo E.B. Titchener trouxe de volta este termo grego, introduzindo-a na psicologia. Um exemplo banal seria conseguir deixar de lado a preferência própria por um time de futebol e ouvir com atenção a preferência do outro, que ama o time rival. A situação fica mais complicada, se pensarmos em valores sexuais (como heterossexualidade ou homossexualidade), ou religiosos. Enfim, ser empático também não é para qualquer um. Assim como não é para qualquer um ser um profissional da psicologia.

Outra característica que creio ser essencial é o que chamamos de intuição. Embora o termo seja eivado de misticismo, a intuição para Jung é a capacidade de percepção inconsciente, da realidade psíquica do outro ou de si, além das possibilidade futuras de um evento se concretizar ou não. Ter intuição, dentro da psicologia, significa “ver nas entrelinhas”, nos mínimos detalhes, com precisão o objeto que é o centro desta ciência.

Por exemplo, ao fazer uma avaliação psicológica para uma seleção de pessoal, o psicólogo frequentemente vai ouvir mentiras, omissões, falsidades. Como perceber o que não está claro em uma entrevista, dinâmica, teste psicológico? Eu diria que isto só é possível a partir da intuição.

Um grande amigo meu, brilhante músico, dizia que existem músicos e os que tentam ser músicos. Para os que tentam, ele diz que falta um “tchan”. Para os que tentam ser psicólogos (mas não são bons profissionais), em minha opinião falta a capacidade de entender profundamente o conceito de individualidade, ter empatia, intuição e uma grande sede de conhecimentos.

Psicólogo Clínico e Online (CRP 04/25443), Mestre (UFSJ), Doutor (UFJF), Instrutor de Mindfulness (Unifesp), Coach e Presidente do Instituto Felipe de Souza. Como Professor no site Psicologia MSN venho ministrando dezenas de Cursos de Psicologia, através de textos e Vídeos em HD. Faça como centenas de alunos e aprenda psicologia através de Vídeos e Ebooks! Loja de Vídeos e Ebooks. Você pode também agendar uma sessão de Coaching Online via Skype, Relacionamentos ou Carreira (faculdade). E não se esqueça de se inscrever em nosso Canal no Youtube! Email - [email protected] - (12) 3042-0336 - Whatsapp (35) 99167-3191 - Snapchat: psicologiamsn