Olá amigos!

Esta é a 2° Lição de nosso Curso de Neurociência Online Grátis! Hoje, vamos conversar a respeito da história da neurociência. Em outras palavras, qual é a história do estudo do sistema nervoso, central e periférico?

Quando estudamos história, na escola ou na faculdade, sabemos que sempre que vamos estudar um assunto, temos que voltar um pouco antes no tempo (talvez alguns séculos), para conseguirmos compreender as condições e causas de acontecimentos que afetaram diretamente o assunto que estamos estudando. Assim, se vamos estudar as neurociências e seu rápido desenvolvimento no século XX, teremos que voltar no tempo e estudar pesquisas e estudos que foram as suas condições de possibilidade.

A história perdida

O Egito, mais do que a Grécia, é o berço da civilização ocidental. Há milhares de anos, os egípcios já faziam cirurgias no cérebro. Porém, o que exatamente era feito, como e com qual finalidade ficou perdido no tempo. Sabemos que tais cirurgias eram feitas porque encontramos perfurações no crânio em esqueletos da época. Papiros do século 15 a. C também descrevem procedimentos intracranianos. O que se sabe, nos dias atuais, é de que eles conseguiram relacionar as funções motoras com o cérebro.

Infelizmente, a história real do que aconteceu e do grau de conhecimento dos médicos egípcios encontra-se praticamente perdida.

Com isso, temos que avançar no tempo e começar a história da neurociência alguns séculos depois, na Grécia. Hipócrates, o pai da medicina ocidental, definia o cérebro como a sede da mente. Escreveu ele: “Deveria ser sabido que ele é a fonte do nosso prazer, alegria, riso e diversão, assim como nosso pesar, dor, ansiedade e lágrimas, e nenhum outro que não o cérebro. É especificamente o órgão que nos habilita a pensar, ver e ouvir, a distingüir o feio do belo, o mau do bom, o prazer do desprazer. É o cérebro também que é a sede da loucura e do delírio, dos medos e sustos que nos tomam, muitas vezes à noite, mas ás vezes também de dia; é onde jaz a causa da insônia e do sonambulismo, dos pensamentos que não ocorrerão, deveres esquecidos e excentricidades”.

Lendo esta citação – com os conhecimentos que temos hoje – é incrível observar a acuidade do pensamento hipocrático. O grande problema de pesquisa para as neurociências sempre foi como estudar o cérebro e todo o sistema nervoso em um organismo vivo. Ao dissecar um cadáver, é possível ver o cérebro, as meninges, a medula e os nervos irradiando da medula para os membros. Mas como relacionar estas estruturas com o funcionamento, com a fisiologia quando o corpo está vivo?

Em vista disso, entre as concepções de Hipócrates e o século XX, encontramos mais conjecturas (próximas da filosofia e da teologia) do que conhecimentos reais, empíricos, laboratoriais para o conhecimento do sistema nervoso.

Entretanto, antes de chegarmos ao século passado, devemos mencionar descobertas importantes e hipóteses que, embora tenham se mostrado equivocadas, ajudaram os pesquisadores a evoluir o conhecimento.

O século XIX e a frenologia

Talvez vocês já tenham visto filmes que mostram a grande popularidade da frenologia de Gall no século XIX. A ideia deste médico alemão era de que, a partir das saliências da caixa craniana, era possível estabelecer tipos de personalidade, ou melhor, tipos de mente. O nome frenologia vem do grego: φρήν, phrēn, “mente”; e λόγος, logos, “lógica ou estudo”.

O problema mencionado acima (de observar o funcionamento do cérebro vivo) deveria ser solucionado com a possibilidade de medição do crânio. Podemos entender esta concepção pensando o seguinte. O cérebro, dentro do crânio, possui diversas regiões. Cada região é responsável por uma função da mente. Sendo assim, se um sujeito desenvolve mais uma destas funções, aquela parte do cérebro cresce, pressionando a parte do crânio que está próxima, criando saliências e protuberâncias que podem ser medidas.

O argumento de Gall, na opinião dos neurocientistas atuais, estava correto apenas ao considerar que o cérebro possui regiões ou locais que são responsáveis por funções determinadas. Porém, os 35 locais descritos por Gall não são corretos. Na verdade, são locais imaginários para funções imaginárias, ou seja, inventadas por ele. E, portanto, a medição do crânio para a avaliação da personalidade ou para a avaliação do desenvolvimento de certas funções é sem sentido.

Florens e o campo agregado

Ainda no século XIX, Jean Pierre Florens, médico francês, defendeu uma tese contrária à de Gall. Estudando pombos e coelhos com traumas cerebrais, ele notou experimentalmente que as funções destes animais não eram prejudicadas com as lesões. Tais pesquisas, levaram-no a argumentar que o cérebro não funcionava através de regiões especializadas (argumento dos localizacionistas), mas funcionava como um campo agregado.

A teoria do campo agregado, portanto, baseou-se no estudo experimental da fisiologia animal, e, nesse sentido, foi um avanço. Ao continuar o seu estudo, Florens passou a remover o cerebelo dos coelhos e pombos e concluiu que as funções musculares eram prejudicadas apenas momentaneamente. As funções cognitivas eram afetadas apenas com a remoção dos hemisférios cerebrais, também, temporariamente. A conclusão final era de que o cérebro funcionava com um todo, ou seja, o córtex, o cerebelo e tronco encefálico funcionavam como um campo agregado. Em outras palavras, as lesões eram recuperadas com o tempo pela ativação de outras áreas próximas.

Deste modo, ele iniciou o movimento contrário aos dos localizacionistas, estabelecendo o argumento dos globalistas.

Florens definiu o campo agregado do seguinte modo: todas as sensações, percepções e vontades ocupam o mesmo espaço no cérebro.

Jackson e a Organização Topográfica do Cérebro

J. H. Jackson, ao invés de estudar animais, começou a estudar o cérebro humano, em pacientes epiléticos.

Veja também – Epilepsia: tipos, sintomas e papel do psicólogo

Observando em detalhes as convulsões dos epiléticos, Jackson notou que todos eles apresentavam movimentos motores parecidos. Partindo desta informação, ele concluiu que os epiléticos deveriam ter um problema cerebral em uma parte específica do cérebro. O modelo explicativo é o do mapa mental, cada região cerebral controlando uma parte motora, em outras palavras, esta é a concepção topográfica do cérebro. Lembrando que topos, em grego, significa lugar. Deste modo, Jackson – com outros dados – voltou a defender a posição localizacionista, dando um grande passo além das ideias imaginárias de Gall.

Paul Broca e Carl Wernick – A linguagem e o cérebro

Durante a faculdade de psicologia, estudei as descobertas de Broca, que foi uma das mais importantes na história da neurociência. Aqui, claro, estamos trazendo uma visão panorâmica desta história. Em outras lições, retomaremos pontos específicos e nos aprofundaremos.

Os dois pesquisadores, Broca e Wernick, conseguiram realizar a primeira importante pesquisa sobre a localização específica no cérebro de uma função. Eles conseguiram este feito ao estudar danos em partes do cérebro e seu efeito nas funções psíquicas. Tudo começou em 1861, quando Broca avaliou um homem que podia entender a linguagem mas não era capaz de falar. A única palavra que ele conseguia falar era “tan”. Depois, descobriram que este homem tinha uma lesão no lobo frontal esquerdo, que foi chamado – a partir de então – de área de Broca.

Wernicke, neurologista alemão, estudou um paciente que conseguia falar, mas muitas vezes emitia frases sem sentido. Este paciente tinha sofrido um derrame e, embora falasse, não conseguia entender a linguagem falada ou escrita. A lesão do derrame havia sido na parte posterior do lobo temporal esquerdo, local que ficou conhecido como área de Wernicke.

Tanto as descobertas de Broca e Wernicke sustentaram – com provas – o ponto de vista dos localizacionistas, quer dizer, lesões em áreas específicas do cérebro provocavam mudanças comportamentais específicas, ou seja, eles descobriram duas regiões exatas no cérebro para a expressão da fala e da compreensão da fala.

Posteriormente, no século XX, com o desenvolvimento da neuroimagiologia, conjunto de técnicas para diagnóstico médico como tomografia, cintilografia e a ressonância magnética o conhecimento do sistema nervoso cresceu muito e milhares de outras pesquisas foram feitas. Falaremos mais destas pesquisas nos próximos textos.

Antes de concluirmos, gostaria de mencionar também as pesquisas do médico alemão Alois Alzheimer, que contribuíram igualmente para a expansão do nosso conhecimento sobre o cérebro.

Veja aqui – O que é alzheimer?

Diagnóstico e Tratamento do alzheimer

Em nossa próxima Lição do Curso de Neurociência Online e Grátis será sobre o Sistema Nervoso Central e Periférico, já com as grandes descobertas do século XX e, principalmente, a década de 1990, a década do cérebro.

Psicólogo Clínico e Online (CRP 06/145929), Mestre (UFSJ), Doutor (UFJF), Instrutor de Mindfulness e Pós-Doutorando (Unifesp), Coach e Presidente do Instituto Felipe de Souza. Como Professor no site Psicologia MSN venho ministrando dezenas de Cursos de Psicologia, através de textos e Vídeos em HD. Faça como centenas de alunos e aprenda psicologia através de Cursos em Vídeo e Ebooks! Loja de Vídeos e Ebooks. Você pode também agendar uma sessão de Coaching Online via Skype, Relacionamentos ou Carreira (faculdade), fazer o Programa de 8 Semanas de Mindfulness Online e Orientação Profissional Online. E não se esqueça de se inscrever em nosso Canal no Youtube! Email - [email protected] - Agendar - Whatsapp (11) 9 8415-6913