Olá amigos!

Há um tempo atrás eu escrevi este texto – E quando é melhor desistir? –  e hoje gostaria de conversar com vocês a respeito de um sentimento que encontramos frequentemente no consultório de psicologia. O sentimento de que tudo está dando errado. E, talvez, pior: de que não há esperança, de que é melhor não lutar. O objetivo não é falarmos de depressão ou melancolia (ou outro rótulo diagnóstico), mas sim discutirmos o que podemos pensar e fazer quando enfrentamos tais situações.

O tudo que não é tudo

Primeiro, é importante notar que fazemos generalizações. Quando dizemos: “tudo está dando errado” estamos criando uma ideia total, geral, que não é verdadeira. Pode até parecer real ou verdade, mas se formos analisar de perto, em detalhes, veremos que é uma mentira.

Digamos que estamos com problemas em um relacionamento e problemas no trabalho. Problemas em mais de uma área podem suscitar a ideia generalizadora. Ora, porém, podemos ver que outras áreas não estão afetadas: continuamos respirando, o coração continua batendo, os sentidos estão disponíveis, etc.

A análise a que chegamos, então, é de que exageramos. O que não está dando certo, o que está com problemas é apenas uma parte das nossas vivências. Extrapolar e dizer que é tudo é uma hipérbole, portanto. É comum sentir a falta, sentir a inadequação, o problema e desanimar.

Um jeito simples de mudar este desânimo é ver por outro ângulo. Não damos valor até perdermos, certo? Se estamos com saúde, estamos com saúde, mas não comemoramos isto todas as manhãs. Se perdermos a saúde, vamos reclamar que estamos doentes…

Não se trata de uma questão de pessimismo ou otimismo, mas de ver as coisas como elas são. Claro, alguma coisa pode dar errado aqui e ali, mas e o restante? Não está tudo bem?

Desamparo aprendido

Existe um conceito em psicologia comportamental chamado de Desamparo Aprendido. Não sou especialista na área, portanto, vou dar uma descrição breve e vocês poderão pesquisar mais a fundo depois. A ideia atrás do desamparo aprendido é quando um organismo, através de sucessivas respostas do seu meio ambiente, aprende que, independente do comportamento que tiver, a resposta, a consequência obtida será insuficiente ou negativa.

Embora pensemos o desemparo aprendido em situações graves de abandono, por exemplo, em menores de rua, é comum observarmos o desamparo aprendido em um ou outro comportamento das pessoas com quem convivemos.

Imagine uma pessoa que, na escola, independente de estudar ou não, de se esforçar ou não, de tentar de vários modos, sempre teve respostas negativas por parte dos professores e sempre recebeu notas baixas. Ou seja, não importa o que fizesse, essa pessoa sempre tinha para si consequências negativas, punitivas, estressantes. Com o tempo, ela aprende que, não importa o que ela faça, ela não terá nenhuma resposta positiva, construtiva, reforçadora. Com isto, ela começa a deixar de fazer e abandona toda e qualquer tentativa.

Apesar de o conceito de ser mais complexo e amplo do que explicitado acima, é um conceito muito útil para entender o desânimo que pode advir em situações adversas. No consultório, ouvimos muito frases como: “De que adianta tentar”?

Bem, desistir, como digo no outro texto, nem sempre é algo ruim. Porém, é preciso avaliar com calma as opções.

Veja o texto – E quando é melhor desistir?

A metáfora de plantar e colher

Imagine duas grandes fazendas conduzidas por duas pessoas diferentes. Em uma delas, independente das condições externas, sol ou chuva, pragas ou pestes, o fazendeiro continua sempre trabalhando. Não importa se a colheita anterior foi mais fraca do que o esperado ou que se perdeu tudo. Ele continua porque, se parar, sabe que não terá o que colher. O outro fazendeiro, por outro lado, fica desanimado com os fracos resultados e para. Não planta mais. Deixa tudo como está, parado. O resultado é óbvio: se não plantar nada, não terá resultado algum…

Esta é uma história simples, mas com ela podemos ver que mesmo que tenhamos momentos ruins, de cansaço, desânimo ou resultados não tão bons como os esperados, temos que continuar. Temos que continuar a não ser que encontremos um melhor caminho.

No exemplo, se o fazendeiro não vê nenhuma chance de continuar plantando naquela terra, ele pode vender a fazenda e fazer outra coisa. Não há problema em tentar, errar e mudar de campo. O erro é ficar parado, olhando e deixando o tempo passar…

Psicólogo Clínico e Online (CRP 06/145929), formado há 14 anos, Mestre (UFSJ) e Doutor (UFJF), Instrutor de Mindfulness, Coach e Presidente do Instituto Felipe de Souza. Como Professor no site Psicologia MSN venho ministrando dezenas de Cursos de Psicologia, através de textos e Vídeos em HD. Faça como centenas de alunos e aprenda psicologia através de Cursos em Vídeo e Ebooks! Loja de Vídeos e Ebooks. Você pode também agendar uma Sessão Online via Skype, Terapia Cognitivo Comportamental, Problemas de Relacionamentos, Orientação Profissional e Coaching de Carreira , fazer o Programa de 8 Semanas de Mindfulness Online. E não se esqueça de se inscrever em nosso Canal no Youtube! e Instagram! Email - [email protected] - Agendar - Whatsapp (11) 9 8415-6913