Olá amigos!

A psicologia, embora já tenha mais de cem anos de existência, é, em termos históricos, uma ciência nova. Não seria tecnicamente correto falar em uma psicologia na Grécia Antiga, ou, antes uma psicologia egípcia, hindu, chinesa… pelo fato de que a história do Ocidente é única no processo de divisão entre a ideia de alma (psique) e espírito (nous). Embora esta separação seja verdadeira, é possível para o psicólogo encontrar grandes verdades a respeito da natureza humana nestes velhos tratados esquecidos que vão desde os Vedas ao Bardo Thödol (o livro tibetano dos mortos), passando pela gnose e alquimia.

Todas estas relíquias antigas podem parecer um contrassenso no movimento de evolução advinda da modernidade. Por um lado, somos mais inteligentes e temos mais tecnologia do que um sábio tibetano ou um chines com seu I Ching, porém, em muitos sentidos perdemos a compreensão do que nós somos.

Algumas psicologias, como a psicologia comportamental, tentam se desvencilhar dos problemas de investigação deste rico universo interno que temos e que desde sempre chamamos de alma ou espírito, propondo apenas uma análise exterior, a partir do comportamento. Brilhante por um lado, pobre por outro, o behaviorismo evidentemente tem seus limites.

Se vermos a fala de Skinner na Associação de Psicologia Americana,  pouco antes de morrer, veremos a sua tentativa de solução para a psicologia. Como um extrovertido, a psique (se é que se pode usar este termo) é analisada apenas de fora, pela influência do meio sobre o comportamento.

Enfim, neste texto, vamos falar sobre uma compreensão de nós mesmos que tem utilidade não apenas teórica. É a compreensão humanista de autoaceitação.

Gosto do jeito que sou

Para um psicólogo clínico, toda informação sobre o ser humano tem o seu valor. Não importa se esta informação tenha nascido há 5 mil anos como a astrologia caldaica ou 2 mil anos como a teologia cristão ou poucos anos como as redes sociais na internet. Toda informação pode trazer um insight sobre o melhor caminho a seguir, embora as técnicas utilizadas sempre sejam da própria psicologia, dos laboratórios de Wundt, passando pelo divã de Freud à psicologia cognitivo comportamental e psicologia positiva.

Satre dizia o seguinte: “Eu mudo, mas dentro de uma permanência”. A relação entre a identidade que muda e a identidade que permanece foi tema de minha dissertação de mestrado – Um manuscrito de Joyce e esta questão expressa o dilema enfrentado pelos pacientes entre mudar a própria personalidade ou, no mínimo uma visão sobre os problemas, e permanecer no que pode ser uma zona de conforto ou o conforto de ser quem sempre foi.

Este não é um paradoxo sem importância ou um jogo de palavras. Se alguém odeia o jeito como é, deve mudar. Mas, se mudar, terá perdido uma grande referência. Embora a mudança total seja improvável… o oposto também aparece, “se eu gosto do jeito que sou, para que eu vou mudar? Como vou viver, se perder a essência de quem sou?”

O título deste texto vem de uma música do Legião Urbana.

As diferentes personalidades

O conceito de personalidade, em psicologia, varia de autor para autor. Porém, a ideia de que temos uma persona (uma máscara) que permanece estável ao longo dos anos perpassa as teorias. Imagine que você fique dez anos sem ver um grande amigo. Se você o encontrá-lo novamente depois de uma década, observará mais mudanças físicas do que psicológicas. Muitos detalhes podem ter mudado, mas o jeito, o modo, a personalidade será – muito provavelmente – muito parecida com o que era.

Outra forma de considerar é olharmos as pessoas que estão próximas como pais, avós, tios, primos. É possível reconhecer cada um deles pela voz no telefone porque o tom de voz assim como o comportamento observável tem a sua estabilidade. Claro que as histórias mudam também, passamos por experiências e concepções são alteradas mas o que eu quero frisar é que há algo que não muda. 

Na psicologia chamamos este fator que não muda de personalidade. Na minha dissertação de mestrado, personalidade seria sinônimo ao conceito de identidade-idem (a identidade que permanece a mesma) em oposição à personalidade ou identidade-ipse (que se modifica).

Personalidade e autoestima

Considerando então a personalidade ou o lado de nós mesmos que não muda, é de vital importância aceitar e gostar do nosso próprio jeito de ser.

Alguém pode ser metódico, sistemático, organizado e gostar do próprio jeito. Outra pessoa pode ser simpática, carinhosa, sensível e também gostar de si. Uma terceira pode ser mística, intuitiva, perceptiva e, entendendo esta permanência do que os antigos chamavam de essência, começar a se aceitar.

Um dos maiores autores da psicologia, na chamada psicologia humanista, foi Carl Rogers. Você pode ver um pouco da técnica dele neste vídeo – Carl Rogers e um exemplo de sessão de Psicoterapia

Este maravilhoso autor nos deixou uma concepção paradoxal: Se nos aceitamos como somos, podemos mudar…

Interpretar esta frase cabe à cada um. Aliás, existem várias chaves de interpretação ou contextos nos quais ela poderia ser usada. Um alcoolatra só consegue parar de beber quando aceita que é um alcoolatra. Aceitando que é um alcoolatra, ele deixa de ser alcoolatra…

Alguém que é tímido, pode ficar anos tentando esconder a própria timidez. Mas se busca mudar, terá primeiro que aceitar a condição da onde parte e poderá se tornar um grande orador.

Uma mulher casada com um marido violento, pode ficar anos negando para si e para os outros a violência. Ao aceitar o que vive, terá iniciado o processo de autodescoberta que lhe possibilitará transformar o seu cotidiano.

Além desta chave de interpretação para a frase de Rogers, a interpretação que gostaria de trazer é ligada à autoestima. Se é verdade que existe uma parte de nós que é refratável à mudança, ou seja, continuará constante e estável até o final de nossas vidas, a aceitação traz paz. Se eu sou desorganizado, por exemplo, por “essência”, de nada adianta ficar brigando com esta parte de mim. Muito mais simples e prático é contratar alguém para me ajudar ou pedir ajuda de quem possa me ajudar com a organização. Se eu sou um ser em constante mudança e cada hora quero uma coisa, não adianta ir contra esta tendência semelhante a um rio que nunca está parado e querer ser como alguém estático como uma pedra. Neste caso, o caminho será encontrar uma certa regularidade dos interesses.

“Mudamos, mas sempre dentro de uma permanência” e “Se nos aceitamos como somos, podemos mudar”…

Autoestima é simples: estimar o que nós somos, quem nós somos. Se algo precisar ser mudado (afinal não somos perfeitos) poderá ser mudado somente quando aceitarmos o que deve ser mudado. E, se for mudado, será mudado dentro de uma permanência… por isso, é tão importante o autoconhecimento, no sentido de reconhecer quem e como nós somos e agimos. Mudar e permanecer, aceitar e transformar, parece ser (aparência e essência)  a dança da vida.

Psicólogo Clínico e Online (CRP 06/145929), formado há 14 anos, Mestre (UFSJ) e Doutor (UFJF), Instrutor de Mindfulness, Coach e Presidente do Instituto Felipe de Souza. Como Professor no site Psicologia MSN venho ministrando dezenas de Cursos de Psicologia, através de textos e Vídeos em HD. Faça como centenas de alunos e aprenda psicologia através de Cursos em Vídeo e Ebooks! Loja de Vídeos e Ebooks. Você pode também agendar uma Sessão Online via Skype, Terapia Cognitivo Comportamental, Problemas de Relacionamentos, Orientação Profissional e Coaching de Carreira , fazer o Programa de 8 Semanas de Mindfulness Online. E não se esqueça de se inscrever em nosso Canal no Youtube! e Instagram! Email - [email protected] - Agendar - Whatsapp (11) 9 8415-6913