Olá amigos!

Estes dias estava avaliando quantas técnicas da psicologia clínica e da PNL eu aprendi nestes anos todos. Passa de mil, com certeza. Uma das técnicas mais curiosas é a que eu chamo de Trailer do Passado. Imagine que você sai a noite para ir numa pizzaria com amigos ou parentes. Logo todos começam a conversar e, necessariamente, surgem eventos do passado de cada um. O passado, como sabemos, é o que aconteceu e não pode ser mudado, certo?

Como diz o historiador Vladimir Jankelevitch: “Aquele que foi já não pode mais não ter sido: doravante ,esse fato misterioso, profundamente obscuro de ter sido é o seu viático para a eternidade”. O que esta frase quer dizer é simples. O que foi, foi. O fato de ter sido, objetivamente, isso e não aquilo é o seu caminho para que seja para sempre do mesmo jeito.

Historicamente, quero dizer, na disciplina (científica) que conta e ordena os fatos do nosso passado social e cultura, isto é correto. A 1° Grande Guerra começou em 1 de agosto de 1904, um fato objetivo que é eterno, ou seja, nunca será mudado.

Mas, subjetivamente, psicologicamente, a frase do Jankelevitch não é verdadeira. Quando dizemos que o tempo cura tudo, não estamos falando que é o tempo um remédio universal, uma panaceia para todos os males. O que acontece, psicologicamente, é que, com a passagem do tempo, a memória sobre o passado muda.

Simples de observar: quando terminamos um relacionamento, podemos sofrer horrores nos primeiros dias, semanas e meses. Ficamos passando em nossa mente tudo o que aconteceu, momentos bons, pequenos detalhes carinhosos, músicas, etc. O tempo cura esta dor não porque é o tempo em si o fármaco. O que cura é que passamos – depois – a olhar, a lembrar do passado de uma maneira diferente.

Bem, tudo isso para falar sobre esta curiosa técnica chamada Trailer do Passado

Uma técnica curiosa sobre o passado

A história, a nossa história particular, é constituída de milhões e milhões de segundos, de pequenos momentos, cotidianos, corriqueiros, normais. E, sempre que precisamos lembrar de um fato que já passou, fazemos uma seleção específica de cenas. Geralmente, as cenas escolhidas são as cenas que mais nos afetaram emocionalmente. O que Jung chamou de complexo de tonalidade afetiva.

Veja aqui o nosso Curso sobre os Complexos

Então, para comprovar isto podemos fazer uma série de perguntas sobre o nosso próprio passado:

– Como foi sua relação com seu pai?

– Como foi sua relação com sua mãe?

– Como era a escola quando você era criança?

– Como foi o seu primeiro relacionamento amoroso?

– Como foi sua vida financeira nos últimos dez anos?

E assim por diante. Se formos responder, não vamos contar tudo, exatamente tudo, o que aconteceu. Vamos fazer uma seleção de algumas cenas. É comum resumirmos ainda mais dizendo que uma relação foi boa ou não foi boa, foi difícil ou foi tranquila. Mas se formos investigarmos o porquê de dizermos que foi boa ou ruim, estamos pensando em uma, duas ou três cenas. Ou seja, estamos fazendo um Trailer do Passado.

Um Trailer é um trecho de um filme que está para ser lançado, que escolhe os melhores trechos para que nós venhamos a ver o filme, certo?

Acontece que nós fazemos, internamente, um processo semelhante quando vamos analisar o nosso passado.

– Em que você é bom (ou boa)?

– O que você mais gosta de fazer?

– O que você detesta?

– O que você pensa sobre o amor? Sobre a morte?

De novo, tudo o que formos responder a respeito de nós mesmos, quem nós somos e quem nós não somos, traz um resumo do passado. Se mudarmos a seleção de cenas, veremos outras imagens que também cabem em nossa personalidade.

Um exemplo pessoal, se eu fosse responder à pergunta – O que eu mais gosto de fazer? – quando eu tinha 12 anos eu diria: “Eu gosto de jogar futebol”. Eu era ótimo, jogando futebol, mas depois de certa idade parei e parei inclusive de assistir futebol. Assim, o futebol saiu do meu “Trailer”. Não faz parte mais da minha vida, mas já fez. Para que eu possa ampliar o que eu penso a respeito de mim mesmo, posso me lembrar de coisas que já esqueci – como o futebol – mas o mais importante não é isso.

Muitas pessoas escolhem focalizar apenas o que aconteceu de ruim no passado. Como não sabem deste processo de resumo, de Trailer, e pelo fato de que as lembranças ruins são geralmente fortes emotivamente, as pessoas, portanto, tendem a pensar só sobre o lado negativo do que aconteceu com e para elas.

E se mudarmos este resumo do passado, mas, ao invés de focalizarmos o ruim, o negativo, o desastre, nos lembrarmos de tudo de bom que nos aconteceu? E se, por alguns instantes, formos agradecer por tudo de bom que já nos aconteceu? Tudo o que deu certo? Todas as pessoas que gostaram e gostam da gente? Tudo o que fizemos que foi bem sucedido, todos os elogios, todas as capacidades?

Tente fazer isto e você estará já fazendo a técnica do Trailer do Passado, que é simples, modificar o resumo que você fica se lembrando o tempo todo sobre o que aconteceu para ti.

Psicólogo Clínico e Online (CRP 06/145929), formado há 14 anos, Mestre (UFSJ) e Doutor (UFJF), Instrutor de Mindfulness, Coach e Presidente do Instituto Felipe de Souza. Como Professor no site Psicologia MSN venho ministrando dezenas de Cursos de Psicologia, através de textos e Vídeos em HD. Faça como centenas de alunos e aprenda psicologia através de Cursos em Vídeo e Ebooks! Loja de Vídeos e Ebooks. Você pode também agendar uma Sessão Online via Skype, Terapia Cognitivo Comportamental, Problemas de Relacionamentos, Orientação Profissional e Coaching de Carreira , fazer o Programa de 8 Semanas de Mindfulness Online. E não se esqueça de se inscrever em nosso Canal no Youtube! e Instagram! Email - [email protected] - Agendar - Whatsapp (11) 9 8415-6913