Olá amigos!

O nosso site de psicologia tem tido um crescimento muito grande nos últimos meses! O que nos deixa muito felizes e motivados para continuar oferecendo o melhor da psicologia, de forma gratuita a todos! Recebi recentemente algumas perguntas muito interessantes e, neste texto, vou procurar respondê-las em conjunto por terem como ponto central o tema idêntico.

Em nossa página no facebook – Tudo sobre Psicologia – recebemos a seguinte pergunta:

– Gostaria que me dessem algumas dicas para que a criança não tenha bloqueios ou inibições.

Por email, recebemos a pergunta: – Como tratar os alunos tanto os tímidos como os mais extrovertidos?

Por comentário: – Filhos únicos.. o que o fato de ser filho único afeta na personalidade comparado á quem tem irmãos?

A temática central a estas perguntas diz respeito à criação, ao comportamento infantil, e as diferenças individuais entre as crianças. Portanto, embora as questões, obviamente, sejam diferentes, possuem este centro em comum. Para responder, vou utilizar os conhecimentos da psicologia analítica de C. G. Jung, cuja Obra Completa estamos estudando no Curso Jung. – ministrado por mim.

Como fazer com que uma criança não tenha inibições?

Creio que o autor da pergunta, o Enoch, ao fazê-la, estava pensando em inibições sociais, ou seja, a dificuldade de uma criança em dizer ou se comportar entre outras pessoas. Isto já se liga à segunda pergunta, sobre a extroversão e introversão.

Se você não sabe o que é cada um destes termos, veja este texto – Diferença entre introversão e extroversão

Para respondermos a esta pergunta temos que levar em consideração dois fatores fundamentais:

– As diferenças individuais;

– A criação de uma criança se dá mais pelos exemplos do que pelas palavras, se dá mais pelo ambiente inconsciente que ela percebe e imita do que pelo que é exteriorizado.

Quando nós queremos que uma criança seja diferente do que ela é (mais extrovertida ou mais falante ou que coma mais ou qualquer outro comportamento), temos que pensar que podemos estar cometendo uma violência com ela. Cada pessoa tem o seu jeito de ser e – como já apontava Carl Rogers – a melhor ferramenta para a mudança é a aceitação. Temos que saber deixar espaço para que a individualidade cresça em todo o seu potencial, incentivando as qualidades, os pontos positivos, as tendências para determinadas áreas.

Quando vamos interferir neste desenvolvimento infantil, nós temos que levar em consideração que falar e explicar o que é certo ou errado – por exemplo – pode ser útil mas muito mais útil é o que nós fazemos e até o que nós escondemos mas está no horizonte da criança, que como tal, tem geralmente uma grande habilidade, inconsciente, para perceber o que acontece ao seu redor.

Então, quando falamos de criação de uma criança, temos que pensar primeiro:

A criança é uma indivíduo único. Valorizar a individualidade é fundamental.

Segundo, mudar o outro como uma solução para tudo não é o caminho. Vemos muitos pais que projetam nos seus filhos o que eles deixaram de fazer e isto acaba sendo um fardo desnecessário, inútil e desagradável. Antes de mudar o outro, temos que olhar para dentro e ver o que nós podemos melhorar.

Por exemplo, dizer para uma criança que fumar é errado, enquanto você que é pai ou mãe fuma…

Sobre a timidez infantil, caso seja muito aguda, podemos apenas indicar que a criança seja levada para fazer tratamento com um psicólogo ou psicóloga.

Alunos extrovertido e introvertidos

A dificuldade de educação em massa, ou seja, aulas para 30, 40 alunos é um problema da própria estrutura escolar como foi concebida já há muitos séculos. O ideal seria um professor para um aluno… mas como isto está fora de cogitação, o professor terá sempre que lidar com um grupo. E, quando falamos de grupo, temos que pensar mais na psicologia social do que na psicanálise e psicologia analítica.

Mas para responder à pergunta da Patrícia, vou também pensar a partir de Jung.

Quando falamos de grupo, temos que entender que existem fenômenos grupais como a formação de um líder e de um bode expiatório (entre outros papéis). O líder é o que coordenará o grupo – no caso o professor e, às vezes, um ou outro aluno – e o bode expiatório é aquele que cumpre o papel de total oposto da média do grupo. Estes são fenômenos que devem ser estudados pelos pedagogos e educadores.

Com relação ao tratamento de introvertidos e extrovertidos, a resposta é bem simples. O professor deve saber reconhecer estes tipos de personalidade e oferecer conteúdos e atividades que contemplem ambos. Também é importante valorizar as duas formas de lidar com o mundo e com si mesmo, não colocando uma como superior à outra.

Filhos únicos e irmãos

Como disse acima, na criação de uma criança o ambiente externo é fundamental. Mas não só o ambiente observável, o que poderia ser filmado e visto por todos mas também o que é vivenciado internamente naquela casa, pelas pessoas próximas à criança. Dizendo desta forma, pode parecer que as falhas, dificuldades, sofrimentos de um pai ou uma mãe seriam apontados como influenciadores de problemas futuros.

Isto não deve ser pensado. O que é importante é que os adultos também tem que conhecer a sua própria psique, com sua sombra (e luz), mas também devem ser mais verdadeiros e honestos, inclusive com o quem tem dificuldade, medo, preocupação.

Em outras palavras, quando vamos tratar uma criança, sempre tratamos das pessoas mais próximas (geralmente o pai e a mãe). Isto porque em geral a criança é muito nova e não tem experiências que sejam realmente problemáticas, exceto em casos graves. Deste modo, ao menos em minha experiência clínica 90% dos casos em que atendi crianças, o problema era com os pais. O sintoma era deles, mas projetado na criança.

Com relação às diferenças entre os irmãos e a diferença que um filho único versus família com irmãos, confesso que não sei o suficiente para dar uma resposta completa. Mas para responder da melhor forma possível, Bianca e amigos, penso aqui no teste de associação de palavras de Jung.

Através deste teste, Jung conseguiu comprovar experimentalmente a existência dos complexos inconscientes, ou seja, de afetos ligados a determinadas palavras (ou ideias) que influenciavam o comportamento no teste e na vida. Além de estudar com o teste os problemas psíquicos de seus pacientes em geral psicóticos, Jung também realizou o teste com pessoas normais e com pessoas da mesma família.

O que ficou comprovado é que, por exemplo, uma mãe e uma filha possuem até certo período da vida, praticamente complexos idênticos. Em uma família com uma filha solteira (vivendo com a mãe) e uma filha casada, haviam complexos idênticos mas também outros complexos – na filha casada. Ou seja, mãe e filha solteira tinham complexos idênticos, com alterações em palavras-chave iguais, enquanto que a filha casada já apresentava complexos em algumas palavras – como a mãe e a irmã – mas outros já tinham sido modificados, em virtude do casamento.

Com isso, a que conclusões podemos chegar?

Creio que as conclusões que podemos chegar é que os pais influenciam os filhos em seus complexos inconscientes – quer queiram quer não. Existem formas de tornar tais complexos conscientes e modificá-los. A terapia e a mudança de vida (como o casamento ou ir morar longe) certamente modificarão os complexos. Sobre a diferença entre quem é filho único e quem não, talvez possamos imaginar apenas que o nascimento de um irmão ou irmã pode ser fonte de sofrimento para o filho então único. Outro dado é que surgem necessariamente comparações sobre o jeito que um filho é e o jeito do outro.

A comparação não deve ser incentivada em nenhum caso.

Outro dado que também podemos pensar, é que, se a diferença de idade entre os irmãos for grande, o irmão mais velho pode até cumprir uma função como pai e a irmão mais velha cumprir uma função como mãe, tendo maior relevância para o desenvolvimento psíquico do que os  pais.

Conclusão

Este texto procurou responder a 3 perguntas de nossos queridos leitores. Por terem como centro a criação das crianças e suas diferenças individuais, decidi responder em um único texto, apesar de as questões apresentarem viéses específicos. O que gostaria de salientar, para concluir, é a respeito da importância da individualidade de cada um.

Todos sabemos que cada um é cada um. Mas quando vamos lidar com os outros, pensamos que o outro é como eu, deve agir como eu, deve ser eu…

Psicólogo Clínico e Online (CRP 06/145929), formado há 14 anos, Mestre (UFSJ) e Doutor (UFJF), Instrutor de Mindfulness, Coach e Presidente do Instituto Felipe de Souza. Como Professor no site Psicologia MSN venho ministrando dezenas de Cursos de Psicologia, através de textos e Vídeos em HD. Faça como centenas de alunos e aprenda psicologia através de Cursos em Vídeo e Ebooks! Loja de Vídeos e Ebooks. Você pode também agendar uma Sessão Online via Skype, Problemas de Relacionamentos ou Orientação Profissional e Coaching de Carreira , fazer o Programa de 8 Semanas de Mindfulness Online. E não se esqueça de se inscrever em nosso Canal no Youtube! e Instagram! Email - [email protected] - Agendar - Whatsapp (11) 9 8415-6913