À psicologia escolar e educacional cabe uma atitude política em relação à sua atividade. Em sua raiz etimológica política está relacionada à duas palavras, ambas gregas: pólis (cidade, estado) e ética, ou seja, pólis-ética: política, o que designa uma atitude ética, moral na pólis, e que pode ser expressa pela questão: o que devo fazer na cidade, como cidadão? Qual é a melhor ação do cidadão em sua comunidade?

Escola - Alunos na saída

O campo do saber psicológico é um campo epistemológico no qual a questão ética não se faz possível excluir, do mesmo modo que a sua posição política.

Como se sabe a política, em seu sistema democrático de governo, é partidária, é partida em grupos políticos.

A psicologia, campo portanto que inclui em si questões ético-politicas, também se mostra como um campo de discussões nos quais existem posições que não se subsumem às outras. As abordagens ou teorias psicológicas são essas posições.

De modo que tanto na escola como no campo educacional mais amplo as abordagens foram utilizadas como o intuito de explicar a aprendizagem e a não aprendizagem (os problemas ou distúrbios de aprendizagem), bem como uma prática profissional.

Qual é então esta postura política que cabe ao psicólogo escolar? Cabe uma postura que esteja a serviço da mudança e da transformação e não da exclusão.

Cinco são essas abordagens da psicologia mais populares: a tradicional, a comportamentalista, a humanista, a cognitivista e a sócio-cultural.

Ainda muito utilizada, a abordagem tradicional é aquele na qual a verticalidade na relação aluno-professor é evidente, de forma que o ensino é concebido como um processo de retenção e memorização dos conteúdos passados do professor para o aluno, que os recebe passivamente, e os deve reproduzir nas avaliações, testes e provas. De modo que realizar uma crítica sobre este modelo é realizar um trajeto no qual todo o ensino regular deve ser repensado. Não só o primeiro e o segundo grau, (o ensino fundamental e médio) é composto principalmente por esta proposta, mas também a Universidade. O caminho que poderia vir a substituir esta proposta é o caminho que visa à autonomia do aluno enquanto aluno, e é a proposta que considera a individualidade deste aluno, bem como a sua inserção em um determinado grupo, em uma determinada comunidade. De forma paradoxal, poder-se-ia dizer que esta proposta é aquela que considera a individualidade de um grupo, de uma comunidade.

Realizando esta crítica há uma aproximação da pedagogia de Paulo Freire, que é um dos principais expoentes da abordagem sócio-cultural. Em outras palavras, segundo Mizukami, “a educação problematizadora ou conscientizadora, ao contrário da educação bancária, objetiva o desenvolvimento da consciência crítica e a liberdade como meio de superar as contradições da educação bancária, e responde à essência de ser da consciência, que é a sua intencionalidade”.

Já para o comportamentalismo, os elementos do ensino e as respostas do aluno devem ser analisados em seus componentes comportamentais, e o conhecimento é resultado direto da experiência, neste sentido, o empirsmo desta abordagem é evidente, a colocação de Locke, sobre o psiquismo como tabula rasa, clara. O objetivo útlimo da educação é que os indivíduos sejam os próprios dispensadores dos reforços que elicitam seu comportamento. Segundo Mizukami, “Skinnner critica a escola existente, pelo uso que esta comumente faz do controle aversivo (…) que não leva à aprendizagem efetiva”. De modo que esta abordagem, considerando o empirismo de toda a aprendizagem, auxilia de maneira importante, por exemplo, em novas implantações tecnológicas, que podem em muito facilitar este processo de aprendizagem. Mas, no entanto, uma crítica pode ser feita com relação à visão de mundo deste tipo de pensamento, ou seja, uma visão de mundo – ou cosmovisão – do sujeito como produto do meio, o que desconsidera uma parte importantíssima que é o próprio sujeito, sua vida, sua singularidade e seu pensamento (que embora não colocado como inexistente, é tido por inacessível, o que é, de certa forma, um modo fatigante de considerá-lo “desconsiderável”).

Para a abordagem humanista a experiência pessoal e subjetiva é o fundamento sobre o qual o conhecimento é construído no decorrer do processo de vir-a-ser da pessoa humana. Este abordagem se mostra fundamental na crítica feita anteriormente ao behaviorismo, já que o primado da educação é responsabilidade do aluno, do ser humano-aluno, e é responsabilidade dele seu próprio processo de educação. O método de ensino-aprendizagem será, portanto, um método não diretivo, embora levando o aluno à sua própria experiência para agir, para aprender. Esta abordagem, além de se mostrar uma crítica bem fundamentada ao behaviorismo, considera o aluno como agente de seu próprio processo educacional e responsável por ele.

Outra abordagem que realiza o mesmo trajeto de crítica ao behaviorismo é o cognitivismo, especialmente em sua contundente posição de encarar o ensino como além do meramente exterior e a aprendizagem como correspondendo a processos cognitivos, estudados nesta abordagem, e que são tidos como um processo que desenvolve ao longo da história de vida do sujeito aprendiz. Segundo Mizukami, “o construtivismo interacionista apóia-se em teses de Piaget”, que é um autor vindo da Biologia, com interesse em questões epistemológicas. Este interesse o fez estudar empiricamente como se desenvolve o conhecimento na criança. Em sua biografia, este autor conta como seu plano era estudar por pouco tempo este tema, mas que em vinte anos não tinha terminado seu trabalho. O conhecimento estabelecido por este autor é importantíssimo em várias áreas da aprendizagem em geral. Para citar apenas um exemplo, a criação dos currículos escolares leva em consideração as suas fases do desenvolvimento cognitivo da criança. Para este autor, grande parte dos ditos fracassos escolares, se deve à não observação das fases.

Como se sabe, no que se poderia considerar o começo da aprendizagem no mundo ocidental, ou seja, a filosofia grega pressuponha uma autonomia e vontade do principiante a filósofo em busca da sabedoria. Não importando o método que se considerava indispensável ao conhecimento, o saber o principiante é que deveria buscar. Em um mundo em que o estudante, o aspirante a filosofo foi considerado sem luz (a-luno, a-lux, pois o prefixo a indica negação) e o ensino considerado compulsório e obrigatório, a responsabilidade do ensino foi colocado sobre o professor, já que com certeza, nem todos querem aprender tudo o que lhes é transmitido, e deste modo, o interesse e vontade do aluno é dispensada.

Portanto, a postura polítca e ética que cabe ao psicólogo escolar é uma postura que leve em conta a individualidade do estudante e do grupo a que este pertence. Uma postura, que evidentemente, se for trabalhar em uma instituição escolar não realizará clinica na escola, mas dará aos profissionais da educação e ao aluno autonomia, liberdade para agir e lhes dará também subsídios para a saúde mental no trabalho, no caso do profissionais, e na aprendizagem, no caso dos estudantes.

Referências Bibliográficas

Mizukami,  G. N. Ensino, as abordagens do processo

Psicólogo Clínico e Online (CRP 06/145929), formado há 14 anos, Mestre (UFSJ) e Doutor (UFJF), Instrutor de Mindfulness, Coach e Presidente do Instituto Felipe de Souza. Como Professor no site Psicologia MSN venho ministrando dezenas de Cursos de Psicologia, através de textos e Vídeos em HD. Faça como centenas de alunos e aprenda psicologia através de Cursos em Vídeo e Ebooks! Loja de Vídeos e Ebooks. Você pode também agendar uma Sessão Online via Skype, Problemas de Relacionamentos ou Orientação Profissional e Coaching de Carreira , fazer o Programa de 8 Semanas de Mindfulness Online. E não se esqueça de se inscrever em nosso Canal no Youtube! e Instagram! Email - [email protected] - Agendar - Whatsapp (11) 9 8415-6913