No presente é passado o futuro… e no presente o passado pode ser futuro

Olá amigos!

Um dos objetos de estudo mais fascinantes que temos é o tempo: a relação entre o passado, o presente e o futuro. Aristóteles, com toda a sua incrível genialidade, escreve:

“As seguintes considerações poderiam nos fazer suspeitar que o tempo não existe ou, caso exista, de maneira obscura. Uma parte dele já foi ou não é, enquanto outra parte será ou ainda não é. Ainda assim, o tempo – tanto o tempo infinito como qualquer outro tipo de tempo – é composto desses. Pode-se pressupor que aquilo que é feito de coisas que não existem não faz parte da realidade”.

Em outras palavras, o que chamamos tempo é um composto que incluí: passado, presente e futuro. Porém, o passado não existe, nem o futuro. Uma coisa que seja composta de outras inexistentes… também não pode existir ou fazer parte da realidade ou, tão somente, de maneira obscura e desconhecida.

Parece meio absurdo colocar nestes termos, mas Aristóteles tem razão. Onde está o ontem? O ano de 2005? Onde está o amanhã, o ano de 2025? Não está… porque não é, agora. Uma parte já foi e outra parte ainda não existiu.

Curioso é que, para pensarmos o tempo, nos referimos ao espaço: onde é advérbio intimamente relacionado ao espaço. E é exatamente deste modo, relacionado ao espaço, que nós organizamos os tempos. Em geral, em nossa cultura ocidental, o tempo é linear e da esquerda para a direita. Assim, em nossa mente, vemos o passado à esquerda, o presente à nossa frente ou mais próximo do centro e o futuro à direita. Se procurarmos visualizar uma cena passada, veremos que há uma grande chance de ela estar mais à esquerda e se imaginarmos um futuro veremos que estará mais à direita.

Existem exceções, entretanto. Algumas pessoas veem o contrário e outras dispõe o tempo em uma sequência na qual o passado está atrás de si, o presente na direção do próprio corpo e o futuro é imaginado como um caminho adiante. Outras culturas, como a grega, imaginavam o tempo de modo circular, como a astrologia, na qual o tempo é uma roda que sempre retorna a um mesmo ponto, como Saturno aos 29. O engraçado do tempo circular, como sabemos em Hesíodo, é que se torna possível que o filho nasça antes do pai.

Mas voltando, o mais comum é que o tempo seja estruturado da esquerda para a direita, como o calendário que marca os anos em um século e os séculos em ordem crescente. Esse fato acompanha a tendência de que o passado seja fixo (ao olharmos para a esquerda e para o alto estamos lembrando de uma imagem) e o futuro seja um futuro de possíveis (ao olharmos para a direita e para o alto estamos criando imagens novas).

E tudo isso tem consequências muito interessantes. Por exemplo, o passado se transforma em algumas imagens às quais nos apegamos. É útil para saber a cor dos olhos da sua mãe ou como é a sua casa para chegar até ela da próxima vez. É útil porque é uma imagem fixa, que não muda. Porém, o passado é constituído de tudo o que você já viveu: tocou, olhou, cheirou, degustou, ouviu. São bilhões de cenas! E a sua memória, a sua estruturação do tempo-espaço, guarda apenas algumas…

O futuro, por sua vez, será igualmente pensado através de imagens. Mas a tendência é que seja mais fluído. As imagens pensadas podem mudar, embora algumas possam se tornar fixas. São as metas, os planos, os sonhos. Como o garoto que quer ter uma moto. Talvez a cor ou o modelo da moto mude, porém, haverá uma certa fixidez no objeto.

De toda forma, tanto o passado como o futuro não existem. O que nos permite brincar com o modo como criamos tudo isso em nossa mente, em nossa cognição.

Uma atriz pode começar a reconstruir o seu passado, de tal forma e com tanta riqueza de detalhes, que ela se torna hoje uma outra pessoa: ela se torna a história da personagem que está vivendo. Com um novo passado, temos um novo futuro.

Mas não precisamos atuar, para fazer uso. É comum que uma nova informação nos transforme. Certa vez ouvi uma história de um garoto que pensava que o seu pai não o amava, porque ele era muito duro e rígido na educação. Depois de adulto, viu o pai (sem que ele o visse) explicando que, para ele, a educação rígida era sinônimo de amor. Com esta nova informação (educação rígida = amor), ele pode reconstruir o seu passado…

Isso acontece muito em terapia. Um passado é ressignificado. Uma dificuldade se transforma em uma oportunidade. Ou ao colocar “os sapatos do outro”, a relação com o que foi dito ou feito muda, e, portanto, o presente e o futuro mudam.

O futuro, ainda que não exista como no passado, também pode proporcionar sofrimento. Se deixa de ser possibilidades para ser imaginado como fixo, especialmente uma imagem fixa negativa (“isso de ruim vai acontecer”), passa a ser um sofrimento no presente.

Interessante também é a ideia de que o futuro tem que ser como nós queremos que seja, como o casal que planeja durante meses um jantar e tem toda a cena construída e, se algum detalhe sai do script causa raiva e frustração. É o sofrimento no presente de um futuro imaginado no passado. Sem esta imaginação fixa, o sofrimento não existiria ou seria menor.

Conclusão

Evidente que o passado existiu. Ontem foi como ontem e para sempre será como ontem. Entretanto, a nossa memória é seletiva. De ontem, você pode se lembrar de um momento bom ou um momento ruim. E, mais do que isso, você pode avaliar o momento ruim como bom, por exemplo. No fundo, o passado é como é, porém, o que vai ficar do passado é o que nos lembrarmos dele…

Veja também – Como você avalia seu passado? Técnica Trailer do Passado

E, evidente, espera-se, que o futuro exista – se continuarmos. Ora, mas o futuro ainda não existe! De modo que tanta, tanta, tanta coisa pode acontecer que o que tínhamos sonhado, planejado, preocupado… talvez… (em um rol de possibilidades diferentes) seja totalmente diferente!

Portanto, se estamos tristes hoje, existe a total possibilidade de ficarmos alegres amanhã! Se algo não existe hoje, como um amor, pode existir amanhã!

Dúvidas, sugestões, comentários, por favor, escreva abaixo!

Psicólogo Clínico e Online (CRP 04/25443), Mestre (UFSJ), Doutor (UFJF), Instrutor de Mindfulness (Unifesp), Coach e Presidente do Instituto Felipe de Souza. Como Professor no site Psicologia MSN venho ministrando dezenas de Cursos de Psicologia, através de textos e Vídeos em HD. Faça como centenas de alunos e aprenda psicologia através de Cursos em Vídeo e Ebooks! Loja de Vídeos e Ebooks. Você pode também agendar uma sessão de Coaching Online via Skype, Relacionamentos ou Carreira (faculdade), fazer o Programa de 8 Semanas de Mindfulness Online e Orientação Profissional Online. E não se esqueça de se inscrever em nosso Canal no Youtube! Email - psicologiamsn@gmail.com - Atendimento presencial na Av. Paulista: Agendar - Whatsapp (11) 9 8415-6913