Uma pessoa sofre por não ter um carro, ou um carro melhor, uma casa, uma casa melhor e ninguém sofre por não ter um helicóptero porque não é algo comum de se ter. O sofrimento de não ter algo é um sofrimento inútil, talvez baseado na inveja de quem tem.

No final das contas, que importa ter isso ou aquilo quando a vida tem esse limite chamado morte?

A vida que cabe em uma mochila

Quando estudamos psicologia, estudamos o indivíduo: a personalidade, a estrutura psíquica, o repertório comportamental ou o nome que se queira dar. É importante também levar em conta o contexto social e a cultura na qual o indivíduo é criado. A história de uma dada sociedade é, a certo modo de visão, uma antropologia, um estudo de uma outra cultura.

Existem sujeitos que se adaptam e sujeitos que não conseguem ou querem. Na forma como temos vivido, atualmente, há a predominância da ideia de que é preciso ter coisas. Hedonismo (a busca pelos prazeres dos sentidos) e o materialismo (só isso que vejo, ouço, toco, cheiro, degusto é real).

Em uma contracorrente, existe um movimento sobre o qual falamos em outros textos chamado minimalismo. Tive contato pela primeira vez com o minimalismo ao ler um artigo em uma revista sobre um sujeito que morava sozinho e tinha um copo. Para que ter mais que um copo? – esse era o argumento.

Pense: para que ter mais do que você precisa ter?

Ao redor do mundo, muitas pessoas tem ido, então, contra a corrente da ideia mais comum de que é preciso ter coisas para ser feliz, para ter prazer, para se sentir realizado. Ter um carro, ter um carro melhor – do que o do vizinho – ter uma casa, uma casa melhor. Mas não um helicóptero… porque seria risível chorar por não ter um helicóptero, não é?

De forma que estas pessoas, chamadas minimalistas, tem tão pouco que o pouco que tem, e os satisfaz e é por opção, cabe em uma pequena mochila.

Mudanças, mudanças e a mudança final

Uma música de Renato Russo diz: “já morei em tanta casa que nem me lembro mais”. Quem já mudou diversas vezes deve ter notado o fato curioso do acúmulo de objetos desnecessários. Talvez após a mudança caixas tenham ficado lacradas por tempos, porque o que há ali não tem utilidade alguma.

O argumento é: “mas eu posso usar um dia”…

Claro, um dia isso ou aquilo pode ser útil, porém, na próxima mudança vemos que não foi útil por anos e ficou ali mofando em um canto, sem serventia. Mesmo processo e de novo e de novo notamos como acumulamos tralhas e cargas desnecessárias.

Além da desculpa da utilidade possível e futura (nunca real), creio que tocamos no sentimento de perder algo que se adquiriu. Este sentimento de posse, “isso é meu, é eu, é para mim” é bastante ilusório. Ilusório porque impermanente, ilusório porque é por pouco tempo, até a mudança final que chamamos morte.

Não dizemos que ninguém vai levar nada daqui?

Este assunto pode parecer lúgubre e é certamente evitado por todos. Até que se torne inevitável com a morte de uma pessoa querida. Os antigos filósofos gregos diziam que a filosofia (o amor à sabedoria) é a preparação para morte porque quem não pensa sobre a própria finitude não pode ser considerada uma pessoa sábia.

Se, com coragem, conseguirmos pensar na morte – na morte de quem amamos e, irremediavelmente, em nossa própria morte – poderemos ressignificar a nossa vida. De que adianta sofrer por nada? Sofrer por não ter um helicóptero?

A filosofia, como preparação para a morte, nos ajuda a ver a realidade como ela é. Nenhum ser humano é imortal, logo todos nós haveremos de morrer um dia. Se é assim, pode-se ganhar em sabedoria ao não associar os objetos ao redor com quem somos.

E, mais: podemos ver no desapego uma forma de viver, uma forma de bem viver porque o comedimento no uso das coisas também nos permite compartilhar mais. Como alguém que diz: “isso não é meu, estou usando por um tempo… quer usar também?”

E, ainda, se passarmos a perceber que não precisamos de tantas coisas, não vamos precisar ter tanto dinheiro assim e, consequentemente, poderemos não trabalhar tanto. Não é que trabalhar não seja importante, apenas devemos nos lembrar que o tempo é precioso e que podemos usá-lo sabiamente: com pessoas próximas que amamos.

Psicólogo Clínico e Online (CRP 06/145929), formado há 14 anos, Mestre (UFSJ) e Doutor (UFJF), Instrutor de Mindfulness, Coach e Presidente do Instituto Felipe de Souza. Como Professor no site Psicologia MSN venho ministrando dezenas de Cursos de Psicologia, através de textos e Vídeos em HD. Faça como centenas de alunos e aprenda psicologia através de Cursos em Vídeo e Ebooks! Loja de Vídeos e Ebooks. Você pode também agendar uma Sessão Online via Skype, Terapia Cognitivo Comportamental, Problemas de Relacionamentos, Orientação Profissional e Coaching de Carreira , fazer o Programa de 8 Semanas de Mindfulness Online. E não se esqueça de se inscrever em nosso Canal no Youtube! e Instagram! Email - [email protected] - Agendar - Whatsapp (11) 9 8415-6913