Se formos parar para pensar, existem muitas razões pelas quais podemos não nos sentir tão bem. Em vez de lamentar ou se revoltar, porque não ajudar alguém?

Olá amigos!

Recentemente eu comprei mais um livro de Jung. A Editora Vozes está lançando os seus Seminários. Assim como Lacan, durante um longo período, Jung deu seminários sobre diversos temas. Alguns já foram publicados em alemão e inglês e estão sendo publicados agora em português. Este que comprei chama-se Seminários de Psicologia Analítica.

É um livro muito interessante. Bastante pessoal, porque o autor fala da psicologia a partir do seu próprio ponto de vista e conta histórias também da sua relação com Freud. Nesse sentido, lembra o Memórias, Sonhos e Reflexões.

Na época em que ele começa a deixar o movimento psicanalítico (1912), ele publica um livro chamado Símbolos da Transformação da Libido. Sobre esta época ele diz:

“…existe uma passagem nas Wandlungen und Symbole [Símbolos da Transformação] a respeito do qual fui muitas vezes atacado. Eu disse ali que a maior ajuda para superar os perigos do renascimento e livrar-se da mãe devia ser procurada no trabalho regular. Às vezes, ao refletir sobre isso, pensei que essa era uma maneira barata e inadequada de enfrentar este tremendo problema e, por isso, inclinei-me a tomar o partido de meus críticos. Mas, quanto mais eu pensei sobre isso, tanto mais me convenci de que, afinal de contas, em primeiro lugar eu estava certo e nossos esforços regularmente repetidos de livrar-nos da inconsciência – ou seja, através do trabalho regular – formaram nossa humanidade. Podemos vencer a inconsciência pelo trabalho regular, mas nunca por um grande gesto” (JUNG, p. 70).

Quando ele diz renascimento e livrar-se da mãe ele está se referindo a determinados símbolos que aparecem no inconsciente e que representam uma transformação psíquica (renascimento) e liberdade das condições iniciais (autonomia com relação à mãe, ao pai, etc).

Apesar de ter retirado o trecho que recomendava o trabalho regular na época, ele pensou novamente e viu que neste trabalho regular estava uma importante saída das dificuldades. E é exatamente sobre isso que gostaria de falar hoje. Afinal, no fundo, todo e qualquer trabalho é uma ajuda que damos a alguém ou a uma parte da sociedade. Em virtude da utilidade do trabalho, nos sentimos úteis e este sentimento nos faz bem.

Por exemplo, no filme A Corrente do Bem, um filme maravilhoso e que recomendo para quem por ventura não tiver visto ainda, há um dica simples: faça uma boa ação. Considere de fazer uma boa ação para 3 e somente 3 pessoas (você não precisa, portanto, em pensar de mudar o mundo inteiro). Pense e faça.

Veja um trecho do filme:

A Corrente do Bem

A ideia é muito simples. Se você ajuda 3 pessoas e cada uma destas 3 pessoas ajuda mais 3 pessoas, teremos 9 pessoas ajudadas. E se estas 9 pessoas ajudarem mais 3, teremos 27. Depois 81… depois 243…depois 729… e assim vai!

Claro que, como na cena do filme, muitas pessoas podem apenas querer ajuda e não querer ajudar mais ninguém. Mas isso, de qualquer forma, não importa. Porque quem fizer já passará a se sentir melhor. Vamos pensar juntos.

Quando estiver se sentindo mal, faça o bem

Se formos parar para pensar, existem muitas razões pelas quais podemos não nos sentir tão bem. Podemos ter problemas de vários tipos, desde os leves e indiferentes até as grandes tragédias da vida. Então, ninguém está imune a sentir sofrimento, a ficar triste, a se sentir mal.

Negar não adianta. Compreender e aceitar o próprio sofrimento já é um primeiro passo. Buscar ajuda (formal ou informal) pode ser o segundo passo. E depois?

Bem, depois temos que encontrar o nosso lugar no mundo. Como vimos na opinião de Jung, é importante encontrar um trabalho. Muitas pessoas pensam no trabalho como escravidão, tortura (a palavra trabalho vem de um instrumento de tortura) ou então como um mal necessário para pagar as contas.

Em minha opinião, seria muito salutar passar a entender o trabalho como uma boa ação que fazemos para as outras pessoas. E não estou falando aqui de ações que são facilmente visíveis como ações de ajuda. Por exemplo, de uma enfermeira que com todo carinho e cuidado cuida de uma machucado. Estou dizendo de todo e qualquer trabalho, toda e qualquer criação de um serviço ou produto que seja benéfico (esteja dentro da lei).

No final das contas, estamos todos interconectados. Todos dependem de todos. Centenas de milhares de pessoas tem que trabalhar na empresa de energia para que tenhamos luz. Assim como na agricultura, nas indústrias, nos diversos serviços que precisamos: o padeiro, o motorista do ônibus, do avião, o porteiro, o carteiro, enfim, toda profissão representa uma ajuda. Uma ajuda que recebemos e uma ajuda que podemos dar à construção da sociedade em que vivemos.

Não sei se vocês notaram, mas no trecho que citei do Jung ele diz que não podemos melhorar por um grande gesto. Isto significa que não podemos simplesmente fazer uma única ação e esperar uma melhora definitiva. É preciso trabalho regular.

Se você estiver se sentindo mal, e passar a seguir a dica do Trevor (o garotinho do filme) e passar a fazer uma boa ação, verá que você se sentirá melhor. Mas também perceberá que não custa nada continuar fazendo com frequência, já que uma boa ação é benéfica para os dois lados – o que a PNL chama de relação ganha-ganha.

Ora, se é assim porque, em vez de 3 pessoas, não fazer com mais frequência e regularidade? Não precisa – de novo – ser um grande gesto. Pode ser colocar um copo de água para um cachorro de rua, dar um prato de comida para uma pessoa, ajudar uma velhinha a atravessar a rua ou simplesmente ouvir uma pessoa que não tem ninguém para lhe ouvir… enfim, observando o mundo e as pessoas veremos suas necessidades…

Tenho gostado de política. Tenho entendido que se pode fazer muito pela política. Mas não devemos esperar dos políticos. Infelizmente, no modo como o governo está estruturado em nosso país, os políticos recebem o nosso voto (de confiança) e nos representam. Porém, nem sempre eles nos representam… Portanto, a melhor política que devemos fazer é agir eticamente e procurar ajudar, pelo menos um pouquinho, quem precisa. Como dizia Gandhi, “devemos ser a mudança que queremos ver no mundo”.

Psicólogo Clínico e Online (CRP 06/145929), formado há 14 anos, Mestre (UFSJ) e Doutor (UFJF), Instrutor de Mindfulness, Coach e Presidente do Instituto Felipe de Souza. Como Professor no site Psicologia MSN venho ministrando dezenas de Cursos de Psicologia, através de textos e Vídeos em HD. Faça como centenas de alunos e aprenda psicologia através de Cursos em Vídeo e Ebooks! Loja de Vídeos e Ebooks. Você pode também agendar uma Sessão Online via Skype, Terapia Cognitivo Comportamental, Problemas de Relacionamentos, Orientação Profissional e Coaching de Carreira , fazer o Programa de 8 Semanas de Mindfulness Online. E não se esqueça de se inscrever em nosso Canal no Youtube! e Instagram! Email - [email protected] - Agendar - Whatsapp (11) 9 8415-6913