Entenda por que algumas pessoas querem ter sempre a razão e por que quase todo mundo tem um pouco esta tendência e, também, por que nem sempre isto é interessante para os relacionamentos

Olá amigos!

O título deste texto é o começo de uma música do Strokes  chamada You only live once (Você só vive uma vez). O começo da música diz: “Some people think  they’re always right” que, em tradução livre, seria – Algumas pessoas acham que sempre tem a razão. Já há algum tempo que alguns leitores vem me pedindo para falar sobre este tema.

Antes de começarmos, gostaria de dizer que devemos nos incluir na equação, ou seja, pensar que nós também gostamos de ter razão, nós também gostamos de não sermos contrariados, criticados, corrigidos e isto se deve a um princípio simples: confundimos o que pensamos e o que dizemos com quem somos.

É como se igualássemos duas variáveis: pensamento = ser. Como se tivéssemos a crença de que o que pensamentos constitui quem somos. Não é difícil visualizar esta crença na gente e na maioria das pessoas do mundo.

Por exemplo, alguém que torce para o Flamengo tem o pensamento: “O Flamengo é o melhor time do Brasil”. E, inconscientemente ou não, ele associa quem ele é com este pensamento: “Eu sou flamenguista”. O próximo passo é tentar defender sempre o seu time. Nos casos extremos, pela associação com quem a pessoa acha que é, isto pode descambar para a violência.

Bem, este é um exemplo simples para entendermos o motivo de porque podemos tentar defender com unhas e dentes os nossos pensamentos, as nossas crenças, as nossas ideias. Mas o que faz alguém achar que tem sempre, sempre, sempre a razão?

Algumas pessoas acham que sempre tem a razão

Apesar do motivo de querermos ter a razão, estar certos no que pensamos, ser a relação entre pensamento e ser, ainda assim existe uma diferença entre as pessoas que são relativamente tranquilas na defesa de seus pontos de vista e outras que precisam ter o tempo todo a palavra final.

A explicação para a diferença reside na diferença de personalidade. Em características que estão presente como a tendência à teimosia, a obstinação, a firmeza, a segurança ou a insegurança, ter mais ou menos empatia. Como todo vício e toda virtude, tudo tem dois lados.

Ser teimoso e querer ir até as últimas consequência para provar que se está certo pode ser um sinal de grande perseverança e sucesso futuro. Ou pode ser uma tremenda burrice. Assim como ser volúvel e concordar com o outro porque ele defende um ponto de vista contrário pode apaziguar os ânimos ou representar preguiça ou medo de ser contrariado ou criticado.

varios-pensamentos

 O problema de ter sempre a razão é que isto gera uma insatisfação pessoal – quando se é contrariado – e pode provocar vários conflitos interpessoais desnecessários. É só pensarmos nas relações amorosas para entendermos rapidamente que aquele casal que tem brigas constantes sobre quem tem a razão vai passar por problemas e separações. E depois ainda permanece separado pelo orgulho de quem vai pedir primeiro desculpas ou confessar que estava errado…

Conclusão

Nem sempre ter a razão, ter a última palavra é algo necessário. A pessoa mais segura e confiante não é aquela que parece sair ganhando, mas aquele que consegue olhar além e ver que é bobagem criar uma briga e um desentendimento apenas porque as opiniões podem divergir. Afinal, não precisamos concordar em tudo para criarmos relações harmoniosas.

Assim como no futebol, existem outras áreas que são sensíveis a desentendimentos como a política, a filosofia e a religião. Porém, em minha opinião isto não significa que não devemos tratar destes assuntos, pois são assuntos importantes e aprendemos muito no diálogo com os que estão ao nosso redor.

Sabendo que existe uma diferença entre pensar e ser, uma diferença fundamental, e lembrando deste princípio de que o fato de pensarmos não significa uma identidade total com o pensamento, ficamos mais livres para ter todo tipo de pensamento. A pessoa racional, que pensa de verdade, não é aquele que sempre tem a razão, mas é aquela que consegue mudar o seu pensamento de acordo com as circunstâncias, com o surgimento de outros fatos ou ideais ou mesmo para pensar o pensamento.

Como Jung dizia, o sujeito que é um tipo pensamento nem sempre é muito claro e frequentemente não procura ter a última palavra. E como dizia Joyce, o ato de pensar é deixar ir o pensamento não importando a direção. Ou seja, podemos pensar inclusive o que não concordamos…

Psicólogo Clínico e Online (CRP 06/145929), Mestre (UFSJ), Doutor (UFJF), Instrutor de Mindfulness e Pós-Doutorando (Unifesp), Coach e Presidente do Instituto Felipe de Souza. Como Professor no site Psicologia MSN venho ministrando dezenas de Cursos de Psicologia, através de textos e Vídeos em HD. Faça como centenas de alunos e aprenda psicologia através de Cursos em Vídeo e Ebooks! Loja de Vídeos e Ebooks. Você pode também agendar uma sessão de Coaching Online via Skype, Relacionamentos ou Carreira (faculdade), fazer o Programa de 8 Semanas de Mindfulness Online e Orientação Profissional Online. E não se esqueça de se inscrever em nosso Canal no Youtube! Email - [email protected] - Agendar - Whatsapp (11) 9 8415-6913