Para Adler, “Todos os fenômenos psíquicos podem ser considerados como preparações para um definido objetivo… uma  constante preparação para um futuro em que se realizem os desejos do indivíduo”.

Olá amigos!

Hoje vamos continuar o nosso Curso sobre a obra de Alfred Adler. No capítulo intitulado “A preparação para vida”, Adler apresenta seus principais argumentos com relação à alguns temas importantes para a sua psicologia individual. Estes temas que vamos tratar nesta lição são: o brinquedo, a atenção e a distração, o inconsciente, os sonhos e a inteligência.

O brinquedo

Como já vimos em lições  anteriores, a psicologia individual avalia sempre a infância de um indivíduo. E, como na infância, o brincar é uma atividade importante, é necessário pensar em que consiste a forma de brincar de uma criança.

O autor diz:

“Pode-se ver em todos os brinquedos a preparação para o futuro. O modo com que a criança se entrega ao brinquedo, a escolha deste, e a importância em que o tem, indicam uma atitude para o meio e o modo com que vai fixando a suas relações com os demais indivíduos. Se se trata de uma criança belicosa e hostil, ou amável  e amigável, vou de alguma com tendência ao mando, logo podemos ver pelo seu brinquedo: observando a criança em seu jogos, descobre se a sua atitude fundamental em face da vida” (ADLER, p. 98).

Quem estuda psicologia infantil e trabalha com a psicologia  clínica para atendimento de criança com certeza concordará com essa perspectiva. É fácil de observar na clínica infantil como a criança escolhe seus brinquedos a partir de seu modo de relacionar com os outros e com a vida.

No texto, o autor frisa dois aspectos fundamentais do brincar da brincadeira. Estes dois aspectos são: a sociabilidade e a competição.

“Observando-se uma criança a brincar, podemos avaliar com apreciável exatidão o quantum de seus sentimento de sociabilidade”, e, mais à frente: “O alvo do predomínio ou superioridade, outro fato óbvio no jogo, trai-se pela tendência da criança a ser o comandante, o capitão, o chefe” (ADLER, p. 98).

A atenção e a distração

Nos dias atuais tem sido dado muito destaque para o que o DSM-5 chama de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), sobre o qual já falamos neste texto – O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade é uma mentira?

Apesar de que Adler está localizado historicamente muito antes da criação do TDAH, alguns de seus pensamentos são interessantes para que possamos criticar o excesso de diagnóstico que vem sendo dado, além da medicamentalização de uma suposta doença sem causa definida.

Adler diz: “Todos os seres humanos possuem a aptidão de prestar atenção” e “O mais importante fator para despertar a atenção é um real e profundo interesse pelo mundo (ADLER, p. 100). Para o criador da psicologia individual, o fato de uma criança não prestar a atenção em uma aula, por exemplo, é indício apenas de que o interesse não lhe foi despertado.

Uma dica simples que podemos utilizar (com sucesso) está presente na seguinte frase: “É fácil de observar-se como se prende imediatamente atenção da criança quando se trata de pôr em foco ou de reconhecer-lhe a importância (ADLER, p. 101), ou seja, podemos estimular o interesse e a atenção de uma criança ao notarmos o seu ser e darmos relevância à sua individualidade.

Se formos parar para pensar, veremos que a maioria das crianças gosta muito dos primeiros anos da escola. O interesse parece diminuir com o tempo, na medida em que a relação com os professores é distanciada. No começo, a professora é atenta a cada aluno e elogia os seus esforços (“Parabéns”, “Excelente”, “Maravilhoso”) e depois o elogio é substituído pelas exigências de notas e críticas a notas baixas.

Para finalizar este tópico, Adler diz: “Não é direito, portanto, dizer-se que alguém não seja capaz de concentrar-se. Podem-se provar a perfeição que essa pessoa é muito capaz de concentrar-se,  mas sempre em outra coisa que não a observada… Em todos os casos podemos estar certos de haver deficiência de atenção, somente por estar sendo demandado objetivo diverso do que devia ser adotado” (ADLER, p. 101).

O inconsciente

No capítulo “A preparação para vida”, este é um dos tópicos mais importantes para quem deseja aprender com sua psicologia. Como o livro é raro, compartilho com vocês os principais trechos desta parte do capítulo:

Adler diz:

“Poderemos procurar e encontrar um padrão de procedimento de um homem no inconsciente. Em sua vida consciente apenas poderemos encontrar um reflexo, um negativo desse padrão. Uma mulher vaidosa geralmente não tem conhecimento de sua vaidade, na maioria das vezes em que manifesta; caso contrário, procederia de modo que apenas aparentasse modéstia aos olhos dos outros” (ADLER, p. 103).

E na qualidade do que é consciente ou inconsciente, ele apresenta a hipótese de duas classes de sujeitos, os que tem mais consciência de si e os que tem menos: “Os seres humanos podem ser classificados em dois tipos: dos que conhecem mais coisas do que o comum dos homens sobre sua vida inconsciente, e aqueles que conhecem menos, isto é, de acordo com a extensão da esfera da sua consciência.  Em grande número de casos, observamos coincidente mente que um indivíduo do segundo tipo se concentra em uma esfera de atividade, ao passo que os do primeiro tem um largo círculo de atividade de grande interesse pelos homens, coisas, fatos e ideias (…) Os da primeira classe vivem uma vida mais consciente, encaram os problemas da vida de modo mais objetivo, sem cataratas nos olhos. Os da segunda classe enfrentam a vida cheios de ideias preconcebidas concebidas e apenas veem pequena parte dela” (ADLER, p. 104-105).

Porém, apesar de que alguns tem mais consciência de si, a consciência de quem se é, também não está alheia a equívocos: “Nos sucessos da vida, descobriremos muitas vezes que um indivíduo desconhece suas próprias aptidões, por ser estimar em menos do que vale. Descobriremos também que lhe falta a verdadeira orientação no que diz respeito a suas deficiências: considera-se um homem bom, quando na realidade faz tudo inspirado pelo egoísmo; ou, vice-versa, considera-se um egoísta em conjucturas em que uma análise mais rigorosa mostrará ser um homem bom” (ADLER, p. 104).

Assim como Freud, Adler também antevia que no processo de tornar um conteúdo inconsciente estava o processo de repressão: “Há certas ideias que não podemos manter muito a vista, não só por causa dos outros, como também por causa de nós próprios (…) É  fenômeno humano universal que todos se deixem empolgar pelas ideias que justifiquem sua atitude e repulsem as que possam impedi-los de seguir para a frente.os seres humanos não ser atrevem a servir-se senão das coisas que na sua interpretação do mundo são valiosas para eles. Aquilo  que nos é útil à argumentação, trazemos para a consciência; e que podem perturbá-la, impelimos para o subconsciente” (ADLER, p. 109).

Sobre os sonhos, Adler define: “O sonho, aliás, evidencia a maneira por que se manifesta o processo do pensamento de quem sonha, bem como revela o padrão de seu procedimento. O sonho é comparável a uma coluna de fumaça que revela haver fogo em alguma parte. O lenhador experiente, ao observar a fumaça, diz que espécie de madeira está queimando: exatamente como psiquiatra pode tirar conclusões relativas à natureza de um indivíduo, mediante a interpretação de seus sonhos. (ADLER, p. 120).

E de forma sintética, diz: “Em suma, podemos dizer que um sonho nos mostra não só que a pessoa que sonha se acha preocupada com a solução de um problema de sua vida, como também o modo pelo qual ela enfrenta esse problema. Os sonhos revelam em particular os seguintes dois fatores que influenciam as relações da pessoa com o mundo e a realidade: o sentimento de sociabilidade e a lutar pela dominação” (ADLER, p. 120).

Inteligência

Sobre a inteligência Adler escreve: “Se quisermos com tudo julgar com acerto um indivíduo, não podemos excluir de nosso exame seus pensamentos e palavras” (ADLER, p. 121). Quer dizer, se formos fazer uma avaliação de personalidade de uma pessoa, não podemos nos contentar no que a pessoa faz. Temos também que levar em conta o que a pessoa diz e, talvez até mais importante, o que a pessoa pensa e não diz – assim como as suas ideias que são mais inconscientes do que conscientes e se escondem por detrás dos seus jeitos, trejeitos, falas, reflexões e sonhos.

Já no final do capítulo V, Adler conclui: “É bem sabido que as crianças de oito a 10 anos das famílias de classes elevadas, tem mais vivacidade mental do que as crianças pobres dessa mesma idade. Isto não significa que as crianças ricas tem mais inteligência, e sim que as causas dessa diferença estão inteiramente nas circunstâncias de sua vida anterior” (ADLER, p. 122). Esta frase indica a sua ênfase sempre presente da importância do meio na formação do indivíduo.

Na próxima aula, falaremos sobre as diferenças de gênero: homem e mulher.

Psicólogo Clínico e Online (CRP 06/145929), Mestre (UFSJ), Doutor (UFJF), Instrutor de Mindfulness e Pós-Doutorando (Unifesp), Coach e Presidente do Instituto Felipe de Souza. Como Professor no site Psicologia MSN venho ministrando dezenas de Cursos de Psicologia, através de textos e Vídeos em HD. Faça como centenas de alunos e aprenda psicologia através de Cursos em Vídeo e Ebooks! Loja de Vídeos e Ebooks. Você pode também agendar uma sessão de Coaching Online via Skype, Relacionamentos ou Carreira (faculdade), fazer o Programa de 8 Semanas de Mindfulness Online e Orientação Profissional Online. E não se esqueça de se inscrever em nosso Canal no Youtube! Email - [email protected] - Agendar - Whatsapp (11) 9 8415-6913