Olá amigos!

Recentemente, uma entrevista de um dos maiores especialistas em TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade) ficou internacionalmente conhecida: o médico psiquiatra Leon Eisenberg disse que o TDAH é um exemplo de uma doença fictícia. A entrevista foi concedida ao Jornal Der Spiegel no dia 2 de fevereiro de 2012. Neste texto, vamos comentar a respeito deste tema.

O que é uma doença mental?

Bem, a psicologia, a psiquiatria e a psicanálise (cada qual ao seu modo) tem a sua nosologia, quer dizer, do grego antigo νόσος, nósos: “doença” + -λογία -logia, “estudo”. Cada uma destas disciplinas que tem por prefixo a letra grega psi (ψ) que remete à Ψυχή, psique, alma. Assim, a psicologia clínica, a psicanálise e a psiquiatria fazem, individualmente, o estudo da doença (nosologia) da alma, da psique.

Existe uma formulação do psicólogo suíço Carl Jung que diz o seguinte: “Os deuses tornaram-se doenças” (JUNG, 2003, p. 43). Por exemplo, na Grécia Antiga existia o Deus Phobos, filho de Ares e Afrodite. Ares (ou Marte) era o Deus da Guerra e, no campo de batalha, tinha a companhia de Phobos ou Fobos, o seu filho que injetava medo no coração dos guerreiros. Fobos assim deu origem à palavra fobia.

Este é apenas um exemplo de deuses que viraram doenças mentais. Poderíamos levantar outros, mas passemos em frente.

Esta ideia de que os deuses viraram doenças é interessante por vários motivos. O que gostaria de salientar neste momento é que, em princípio, todas as doenças são fictícias. Para o sujeito que morava na Grécia há três, dois milênios os seus sentimentos eram projetados fora, em conteúdos numinosos, sagrados que ele reverenciava. Eram como deuses, os quais ele não tinha controle.

Com todo o nosso desenvolvimento científico, parece seguro e objetivo descrever uma doença em detalhes e procurar causas (não divinas) para o seu surgimento, prognóstico ou remissão. Quando digo que todas as doenças mentais são fictícias ou inventadas, quero dizer apenas que as doenças são um pensamento, uma forma de organização (que poderia ser diferente) do que acontece com o sofrimento humano.

Ou seja, podemos descrever a fobia como um deus que nos aflige, podemos descrever a fobia como uma sintoma de uma neurose obsessiva, podemos descrever a fobia como síndrome do pânico. (Pânico, por sinal, vem do deus grego Pan ou Pã, que também tinha atividades ligadas ao medo).

E o que acontece com o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade?

Bem, mais do que outras doenças, este chamado Transtorno é realmente a maior ficção já inventada. Tirando o fato de que toda criança – deixada sentada obrigatoriamente por 4 horas ou mais – ficará agitada, quererá brincar, correr, viver, esta doença mental é fictícia mais ainda pelos seguintes motivos:

Não existe consenso entre os psiquiatras sobre a causa do transtorno. Entretanto, sem mais delongas, já existe um remédio perfeito para o tratamento. Poderia ser dito que o remédio trata o sintoma (desatenção, hiperatividade ou ambos). De todo modo, prescrever uma anfetamina para uma criança é certamente um crime de lesa-humanidade. Afinal, que pai em sã consciência daria uma droga, sim um droga forte – e que é tomada como droga – para o seu filho ou filha?

O tal Leon Eisenberg não foi o criador do TDAH, mas ele foi um dos grandes responsáveis pela popularização desta doença pelo fato de que ele defendeu a hipótese (veja bem, hipótese) de que o Transtorno não era causado pelo ambiente (escola ou família) mas sim provavelmente tinha a sua causa na genética. Retirando deste modo a culpa dos pais e da escola e colocando-a na biologia, na genética, ele abriu espaço para que a indústria farmacêutica pudesse vender sua droga, seu veneno travestido de benesse.

Na entrevista ao Der Spiegel, ele não diz que o TDAH é uma doença inventada, de que é uma mentira, na verdade. O que ele diz é “ADHS ist ein Paradebeispiel für eine fabrizierte Erkrankung”. ADHS é a sigla em alemão para TDAH e a tradução literal seria o “TDAH é uma doença fabricada”.

Em suma, o TDAH é uma doença fabricada, sem causa ou descrição precisa, que possui uma droga (a ritalina é uma das drogas mais vendidas, infelizmente, no Brasil), e cuja seriedade foi contestada no final da vida – Leon Eisenberg – por quem ajudou em sua popularização.

Como diz o psicólogo de Harvard Dr. Jerome Kagan, “Na década de 1950, uma criança entendiada na sala de aula, seria considerada preguiçosa. Hoje, ela é portadora do TDAH”. 

Cabe nos perguntar, para finalizar, Cui bono? A quem esta fabricação (da doença e da droga) beneficia? Em minha opinião, não beneficia a criança, não beneficia os pais, não beneficia a escola… como uma doença fabricada, a doença beneficia apenas a indústria que vende o seu remedinho… é possível que beneficie também os médicos que prescrevem estas anfetaminas para crianças…

Psicólogo Clínico e Online (CRP 06/145929), Mestre (UFSJ), Doutor (UFJF), Instrutor de Mindfulness e Pós-Doutorando (Unifesp), Coach e Presidente do Instituto Felipe de Souza. Como Professor no site Psicologia MSN venho ministrando dezenas de Cursos de Psicologia, através de textos e Vídeos em HD. Faça como centenas de alunos e aprenda psicologia através de Cursos em Vídeo e Ebooks! Loja de Vídeos e Ebooks. Você pode também agendar uma sessão de Coaching Online via Skype, Relacionamentos ou Carreira (faculdade), fazer o Programa de 8 Semanas de Mindfulness Online e Orientação Profissional Online. E não se esqueça de se inscrever em nosso Canal no Youtube! Email - [email protected] - Agendar - Whatsapp (11) 9 8415-6913