Olá amigos!

Esta é a nossa 2° Lição do Curso Contador de Histórias Grátis. Nesta lição, temos um objetivo bem específico que é ajudar você a prender a atenção do seu ouvinte ou leitor, ao contar uma história. E, por incrível que pareça, muitas e muitas pessoas não sabem fazer isso! Felizmente, não é uma tarefa tão difícil. Acompanhe o nosso texto que, ao final, você saberá como captar, atrair e manter a atenção na contação de histórias.

Não leu a 1° Lição?

Veja aqui – O que é uma história?

História Escrita – O título

Vamos começar falando sobre histórias escritas. Um livro ou um texto (como este) começa a chamar a atenção pelo título. Um título bem construído poderá despertar a atenção do leitor para começar a leitura.

Vejamos alguns exemplos de livros famosos:

– Como fazer amigos e influenciar pessoas

– Pai rico e pai pobre

– A interpretação dos sonhos

– Os 7 hábitos das pessoas realmente eficazes

– O mito da liberdade

Todos estes livros são best-sellers da psicologia e da literatura chamada de Auto-Ajuda.

Veja a diferença aqui – Diferença entre psicologia e auto-ajuda

Independente do conteúdo – poderíamos utilizar exemplos de outras áreas – vemos que existe um certo padrão para despertar o interesse do leitor. No primeiro livro, “Como fazer amigos e influenciar pessoas” temos um problema e o título já insinua que, após a leitura, você conseguirá fazer mais amigos. É semelhante ao título do texto que você está lendo agora – “Como prender a atenção do ouvinte” – a palavra como traz a ideia de método. O título é então uma proposta cujo centro é a promessa de resolver um problema.

No segundo livro, nós estabelecemos dois tipos de pais, um que é rico e outro que é pobre. É semelhante à colocar uma numeração (veremos no quarto livro). O título também cria uma dicotomia, uma polaridade entre ser rico e ser pobre e imediatamente nos chama a atenção sobre como seria ser criado por cada um dos personagens.

O terceiro título, A Interpretação dos Sonhos, apresenta uma proposta de resolução de um problema que é elíptica, ou seja, é escondida. Pelo título, já podemos ver que o autor defende a tese de que os sonhos podem ser interpretados. Também desperta a nossa curiosidade para saber como interpretar os sonhos.

O quarto livro – “7 hábitos das pessoas realmente eficazes” – é um clássico exemplo de listas. As pessoas adoram listas como top 5 ou top 10. O número 7 também é considerado por muitos um número importante e ficamos já curiosos para saber quais destes 7 hábitos nós temos ou podemos adquirir.

E o Mito da Liberdade, de Skinner, também é um excelente exemplo da psicologia comportamental sobre um problema específico, a liberdade. A palavra mito remete à uma dúvida. Será a liberdade um mito? Será que estamos presos? Será que somos condicionados? Será que o mundo exterior nos limita em nossas decisões?

O que temos em comum em todos estes títulos é a tentativa de despertar o interesse, a atenção, a curiosidade dos leitores. Os livros de Autoajuda são melhores na criação da curiosidade, não é mesmo? A necessidade de atrair a atenção rápido fica clara, tanto nos títulos como nos textos, artigos, matérias.

Bem, o título é apenas o começo. Até aqui estávamos falando da história escrita, ok? O próximo passo é igual tanto para a história oral como para a história escrita, que são as primeiras frases, que devem despertar o quanto antes a curiosidade. A primeira impressão é a que fica.

Atraia a atenção imediatamente

Toda boa história já começa a mostrar desde o início como alguém (o protagonista) tem que lidar com um problema que não pode afastar. Como não pode afastar o problema, a pessoa tem que lidar com ele e neste processo ela muda, se transforma e aprende.

Por exemplo, no Memórias Póstumas de Brás Cubas, após uma breve introdução, o capítulo 1 começa do seguinte modo:

“Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a adotar diferente método: a primeira é que eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem a campa foi outro berço; a segunda é que o escrito  ficaria assim mais galante e mais novo. Moisés, que também contou a sua morte, não a pôs no intróito, mas no cabo; diferença radical entre este livro e o Pentateuco.

Dito isto, expirei às duas horas da tarde de uma sexta-feira do mês de agosto de 1869, na minha bela chácara de Catumbi. Tinha uns sessenta e quatro anos, rijos e prósperos, era solteiro, possuía cerca de trezentos contos e fui acompanhado ao cemitério por onze amigos. Onze amigos!” (…)

Temos então logo de começo uma situação inusitada que o protagonista, Brás Cubas, terá que lidar: a própria morte! Ficamos atraídos imediatamente para saber mais, curiosos sobre como a história continua.

Se estamos escrevendo uma história ou contando oralmente temos que instigar o nosso ouvinte ou leitor logo, com a seguinte questão em mente: “Com qual problema o protagonista terá que lidar?”

Temos que passar a história com elementos surpresas (falaremos mais em Lições posteriores), mas sempre mantendo a coerência e a lógica interna, ainda que a história possa ser fantástica. Com isso, temos que levar em conta três regras básicas:

– De quem é a história? Ou seja, sobre quem estamos falando?

– O que está acontecendo? Também pode ser, em certos tipos, porque isto está acontecendo?

– O que está em jogo?

De quem estamos falando?

A tendência de todos nós ao ouvir uma história é nos ligarmos ao protagonista. Podemos sentir simpatia pelo herói ou pela heroína ou podemos sentir antipatia pelo vilão ou vilã. Seja por aproximação ou afastamento, vamos nos atentar instantaneamente para o protagonista ou para os personagens centrais da trama.

Veremos em uma Lição posterior que a tendência do leitor e do ouvinte é sentir o que o protagonista sente. Ainda que a experiência seja totalmente estranha para nós, vamos nos ligando à história através do personagem.

Pense em um filme de terror em que o protagonista vai para uma casa mal assombrada. Embora a experiência possa nunca ter acontecido, ou seja, ver fantasmas, poltergeists, assombrações, vamos sendo conduzidos e sem que percebamos estamos dentro do filme, sentindo tanto medo como o personagem que está para abrir uma porta…

Também é interessante observar como filmes e romances constroem o personagem apresentando elementos específicos. Assim, a história pode começar com o personagem em uma sala de aula, ou conversando com sua família, ou vestindo uma roupa que nos vai guiar para saber quem é quem na narrativa.

O que está acontecendo?

Para ficarmos querendo saber o que vai acontecer a seguir, temos que saber o que está acontecendo agora. O tempo é fundamental na narrativa e a criatividade humana é sem limite para colocar em ordens alternativas o passado, o presente e o futuro.

Por exemplo, a Odisseia de Homero conta a história da volta de Ulisses da Guerra de Troia para sua casa e como esta volta é conturbada e cheia de aventuras. O começo da história não é linear, não começa pelo começo. Mostra Ulisses já no meio do caminho, na ilha de Calipso. O que está acontecendo é já o meio da história… mas isto não importa: está acontecendo algo! Algo que vai captar a nossa atenção. Nada pior do que uma história em que nada acontece, não é mesmo?

Um outro exemplo magnífico é o de Cem Anos de Solidão, de Gabriel García Marquez:

“MUITOS anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o Coronel Aureliano Buendía havia de recordar aquela tarde remota em que seu pai o levou para conhecer o gelo. Macondo era então uma aldeia de vinte casas de barro e taquara, construídas à margem de um rio de águas diáfanas que se precipitavam por um leito de pedras polidas, brancas e enormes como ovos pré-históricos. O mundo era tão recente que muitas coisas careciam de nome e para mencioná-las se precisava apontar com o dedo. Todos os anos, pelo mês de março, uma família de ciganos esfarrapados plantava a sua tenda perto a aldeia e, com um grande alvoroço de apitos e tambores,dava a conhecer os novos inventos. Primeiro trouxeram o imã. Um cigano corpulento, de barba rude e mãos de pardal, que se apresentou com o nome de Melquíades, fez uma truculenta demonstração pública daquilo que ele mesmo chamava de a oitava maravilha dos sábios alquimistas da Macedônia. Foi de casa em casa arrastando dois lingotes metálicos, e todo o mundo se espantou ao ver que os caldeirões, os tachos, as tenazes e os fogareiros caíam do lugar, e as madeiras estalavam com o desespero dos pregos e dos parafusos tentando se desencravar, e até os objetos perdidos há muito tempo apareciam onde mais tinham sido procurados, e se arrastavam em debandada turbulenta atrás dos ferros mágicos de Melquíades. “As coisas têm vida própria”, apregoava o cigano com áspero sotaque, “tudo é questão de despertar a sua alma.” José Arcadio Buendía, cuja desatada imaginação ia sempre mais longe que o engenho da natureza, e até mesmo além do milagre e da magia, pensou que era possível se servir daquela invenção inútil para desentranhar o ouro da terra” (…)(

Logo no começo do romance, um dos mais fantásticos livros já escritos, vemos que Gabriel Garcia Marquez mostra que muita coisa está acontecendo ao personagem Aureliano Buendía e seu pai José Arcadio Buendía. Tanto o que vai acontecer anos depois (estar diante do pilotão de fuzilamento) como acontecimentos remotos do passado como conhecer o gelo e ver seu pai tentar encontrar ouro com o imã.

– O que está em jogo?

Há muitos anos atrás, eu estava inventando uma história do zero para uma prima de nove anos. Estava já estudando estas questões da narrativa na faculdade, porém, tudo era novo para mim. Na minha nova história infantil, fui improvisando e cometi um erro fatal: na história tudo dava certo, tudo se encaixava e não havia um problema a ser resolvido. Isto fez com que a minha prima ficasse não tão interessada em continuar me ouvindo.

Este erro que cometi não pode acontecer! Uma história tem que ter um problema, uma dificuldade, um risco, um elemento que atrapalhe. Se formos analisar todos os filmes de comédia romântica que já foram lançados sem sombra de dúvida veremos o seguinte progresso:

1) O casal se conhece

2) O casal se apaixona

3) Há um problema que dificulta a relação como ter que mudar de cidade, aparecer uma terceira pessoa, uma doença

E é neste ponto 3 que podemos compreender que o que está em jogo é o risco de o casal não continuar junto.

4) Na maior parte das vezes, o casal consegue resolver o problema e viver feliz para sempre

Agora, imagine uma história que não tenha um problema. Isto vai fazer com que nada aconteça. Ou no mínimo fará com que nada de interessante aconteça.

Conclusão e Exercício

Todas as histórias possuem um objetivo, um sentido, um ponto (como se diz em inglês, “What is your point?). Com isso, se você deseja escrever uma nova história ou se você que recontar uma história, você deve saber desde já o para quê, a finalidade, o objetivo. Deste modo, você consegue colocar as coisas de um modo que o seu objetivo já apareça desde o começo.

Digamos que estamos conversando sobre animais selvagens e você começa a contar uma história relacionada. Logo de começo você já pode captar a atenção do ouvinte dizendo: “Vi na TV ontem uma história que se passou no norte dos Estados Unidos, nas montanhas. Um urso encontrou o pai e a filha e os atacou”. Em poucas palavras, menores que um tweet, você consegue mostrar o seu ponto, a história de um ataque de ursos.

Com certeza, surge a questão: “Mas o que aconteceu com o pai e a filha?”

Nunca é demais repetir: para captar a atenção de seu ouvinte ou leitor você tem que despertar a curiosidade. Se puder despertar a curiosidade logo nas primeiras frases, melhor, muito melhor. Deste modo, você não correrá o risco do desinteresse. Saiba muito bem qual é o objetivo da história, porque, senão, você estará passando apenas um tanto de cenas e eventos desconectados.

Exercício:

Saiba qual é o seu tema. Que aspectos da natureza humana a história trata? Qual é o tom da história? É uma tragédia? Uma comédia? Uma história romântica?

Saiba qual é a questão interna que o personagem está vivenciando. Que tipo de desafio o protagonista tem que enfrentar para atingir o seu objetivo?

Saiba qual é o enredo. Que eventos externos afetam o personagem? Qual é a sequência de eventos? O que acontece antes e o que acontece depois?

No exemplo da história do ataque, o tema é a sobrevivência em um ambiente selvagem. A questão que os dois estão vivenciando é como enfrentar um perigo real, que pode acabar com suas vidas ou deixar sequelas permanentes. O enredo é o seguinte: Pai e filha vão para as montanhas realizar um passeio. No meio do caminho, encontram um urso gigante. O urso os ataca. Eles lutam por sua sobrevivência. Durante a luta, pai e filha caem em um penhasco de mais de sessenta metros. Apesar dos ferimentos serem graves, eles são resgatados. A história do urso acaba bem. Pai e filha são atacados, mas sobrevivem.

Como podemos ver é um tema trágico, embora o final seja positivo.

Para aproveitar melhor esta Lição de nosso Curso, tente:

1) criar uma nova história,

2)contar uma história que você já conheça (oralmente ou por escrito),

3) observe sempre as narrativas nos romances, filmes, séries, novelas e pessoas que são excelentes em prender a atenção do ouvinte como palestrantes.

Psicólogo Clínico e Online (CRP 06/145929), Mestre (UFSJ), Doutor (UFJF), Instrutor de Mindfulness e Pós-Doutorando (Unifesp), Coach e Presidente do Instituto Felipe de Souza. Como Professor no site Psicologia MSN venho ministrando dezenas de Cursos de Psicologia, através de textos e Vídeos em HD. Faça como centenas de alunos e aprenda psicologia através de Cursos em Vídeo e Ebooks! Loja de Vídeos e Ebooks. Você pode também agendar uma sessão de Coaching Online via Skype, Relacionamentos ou Carreira (faculdade), fazer o Programa de 8 Semanas de Mindfulness Online e Orientação Profissional Online. E não se esqueça de se inscrever em nosso Canal no Youtube! Email - [email protected] - Agendar - Whatsapp (11) 9 8415-6913