A importância das histórias em nossas vidas

Você consegue imaginar uma vida sem histórias? É muito difícil porque as histórias estão por todos os lados: nas novelas, nos romances, nos filmes, nas séries, nas piadas e até nas fofocas! Em muitos sentidos, podemos dizer que a nossa vida é uma história, e a história das outras pessoas também faz parte das nossas vidas.

Por exemplo, se pensarmos na história da nossa família. Poderemos nos lembrar de diversas cenas, momentos, eventos e memórias que nos influenciam. Histórias de grandes personalidades também nos ajudam a ter referências em momentos críticos, em situações de decisão ou podem nos guiam por toda a vida, como é o caso das histórias de vidas dos líderes religiosos.

Se formos pensar no ensino, quantos e quantos professores são vistos pelos alunos como tendo falta de didática, como sendo aquele professor que “sabe mas que não sabe passar” porque, no final das contas, explica, explica, explica mas não dá exemplos, não aproxima a teoria da vida, não mostra como isto tem relação com o mundo, com a prática, com os nossos sentidos, não é mesmo?

Neste texto, vamos definir o que é história. Não estamos falando aqui da disciplina acadêmica – que é estudada na faculdade de história – mas sim de um estilo de escrita e fala que envolve personagens, cenários, desenvolvimentos e mudanças que são organizadas em forma de narrativa. Enfim, todos nós sabemos o que é uma história. É só pensarmos na história do Chapeuzinho Vermelho ou na história de vida de Jesus, que por sinal, ensinava por parábolas, ou seja, histórias. Assim como Buda, Confúcio, Maomé também ensinavam por histórias.

Uma história, portanto, pode ter uma importância tão grande a ponto de mudar uma vida! E é uma 20 formas que utilizamos no consultório para modificar o sentido de uma experiência e ressignificar o presente para alterar o futuro.

Por exemplo, se a paciente tem como sintoma principal o ciúme, podemos contar uma história de uma mulher igualmente ciumenta que perdeu o marido (o que a fará refletir sobre a gravidade do seu problema), mas conseguiu reconquistá-lo depois de ter passado pela terapia e mudado suas atitudes.

Ou seja, uma história não é só um exemplo. Uma história organiza o modo como entendemos o mundo, dá um significado para uma experiência e pode nos guiar em muitas situações.

Ao longo do Curso, não faremos a diferença que os antigos faziam entre “estória” e história, quer dizer, história inventada (como do Chapeuzinho Vermelho) ou história real, como a de Napoleão Bonaparte. Até porque a questão da verdade é uma questão para a ciência, para a disciplina da história e o que estamos querendo com o Curso Contador de Histórias Grátis é nos aperfeiçoarmos na habilidade de contar uma historia para alguém. Com este objetivo em mente, vemos que tanto faz se a história é real ou inventada, se o personagem é fictício, vive ou viveu.

O que é uma história?

Antes de falarmos especificamente sobre a definição de história, temos que entender que uma grande história não se faz com grandes personagens, com diálogos perfeitos ou pelo fato de o contador ser um grande ator. O que faz uma história ser uma ótima história é a curiosidade. O leitor ou ouvinte é atraído para continuar prestando atenção por causa de sua vontade, por seu desejo intenso de saber o que vem depois, o que vai acontecer, ou seja, “como a história termina?”

Estudos das neurociências comprovaram que o prazer sentido ao saber o final da história, seu fechamento ou conclusão vem do neurotransmissor dopamina. É como uma recompensa prazerosa que o cérebro nos proporciona por ter continuado a seguir os passos da narrativa e chegado ao final.

Pare para pensar: lembre-se de um filme ou novela que você viu com muita atenção. Porque você continuo vendo até o final?

A resposta é: curiosidade. O que será que vai acontecer? Nos perguntamos todo o momento até que, finalmente, chega-se ao clímax e resolução. Talvez não percebamos mas há aí um prazer, uma recompensa, um sentimento de satisfação ao ter acabado com a curiosidade.

Pare para pensar: lembre-se de quando você ouviu uma história desinteressante. Porque você não quis continuar prestando atenção? De novo, temos a mesma resposta. A história não lhe despertou a curiosidade.

Agora, vamos à definição. Uma história é:

1) – Como o que acontece

2) – afeta alguém

3) – na busca por um objetivo difícil

4) – e como ele ou ela muda no caminho

Em outras palavras, o que e como acontece é o enredo (1). O enredo afeta alguém ou algumas pessoas, que são os personagens (2). O alguém mais importante é o protagonista. O objetivo difícil é a questão da história, ou o seu motivo (3). E como o protagonista muda no caminho é o que a história trata, o seu centro 4).

Um exemplo de uma história

Uma das histórias mais famosas de todo o mundo é Romeu e Julieta. Creio que todos já a conhecem. Então, vamos aplicar o esquema anterior.

1) – Como o que acontece: Romeu e Julieta são filhos de duas famílias que se odeiam. Apesar disso, os dois se apaixonam.

2) – afeta alguém: os personagens protagonistas são Romeu e Julieta.

3) – na busca por um objetivo difícil: o objetivo difícil é ficar junto, realizar o amor, apesar do ódio existente entre as duas famílias.

4) – e como ele ou ela muda no caminho: no caminho, há todo o sofrimento e apaixonamento dos dois personagens até o final trágico.

O esquema acima, utilizado para definir o que é uma história pode e deve ser aplicado em todas as histórias. Em poucas palavras, podemos dizer que uma história é como o enredo afeta os personagens internamente.

Pare um pouco e pense em um exemplo de uma história que você goste. Aplique o esquema de definição e analise os componentes básicos. E, em seguida, utilize também o próximo exemplo abaixo:

Chapeuzinho Vermelho

“Era uma vez uma menina chamada Chapeuzinho Vermelho, que tinha esse apelido pois desde pequenina gostava de usar chapéus e capas desta cor.

Um dia, sua mãe pediu:

– Querida, sua avó está doente, por isso preparei aqueles doces, biscoitos, pãezinhos e frutas que estão na cestinha. Você poderia levar à casa dela?

– Claro, mamãe. A casa da vovó é bem pertinho!

– Mas, tome muito cuidado. Não converse com estranhos, não diga para onde vai, nem pare para nada. Vá pela estrada do rio, pois ouvi dizer que tem um lobo muito mau na estrada da floresta, devorando quem passa por lá”.

(…)

E a história continua. Bem, vamos analisar juntos este trecho?

Veja que a primeira frase já introduziu a protagonista, Chapeuzinho Vermelho e explica uma característica sua. Logo em seguida, temos o enredo: Chapeuzinho terá que ir até a casa de sua avó. Porém, ela tem um objetivo difícil que é conseguir passar pela estrada da floresta, muito perigosa pela presença de um lobo malvado.

Notou que em apenas 5 frases o leitor já fica curioso? Ele fica curioso porque, embora não perceba conscientemente, já foi atraído pelo centro da história e provavelmente sem perceber já começa a se questionar sobre como será a travessia pela floresta. O que será que vai acontecer? Será que ela vai encontrar o lobo? Se encontrar, o que será que o lobo vai fazer?

Preste bem atenção como em pouquíssimo tempo a curiosidade foi criada. Especialmente com crianças, temos que despertar rapidamente a curiosidade. De outro modo, ela não vai querer ouvir ou ler. Mas não só com crianças, todos nós gostamos de histórias, mas de histórias boas, interessantes, ou seja, histórias que despertam o nosso interesse, a nossa curiosidade o mais rápido possível.

Conclusão e Exercício

Para contar uma história, nós temos que conhecer os elementos que a compõe. Podemos, portanto, dividir uma história em seu enredo, personagens, problema (motivo ou objetivo) e mudanças que conduzem à resolução do problema.

Digamos que nós vamos escrever uma história. Podemos pensar em um conto ou um romance. Imagine que vamos começar sem saber o problema do personagem. Sem problema praticamente não temos enredo.

Seria como começar a contar a história da Chapeuzinho Vermelho apenas falando da Chapeuzinho. Sem problema e sem enredo, nada acontece. A história não existe ou no máximo temos uma história como aqueles filmes suecos sem música e sem movimento.

Então, para sabermos como contar uma história, temos que ter consciência dos personagens, mas não só dos personagens. Temos que saber qual problema o personagem (ele ou ela) vai tentar solucionar e como a tentativa de solução afeta e muda internamente quem o personagem é.

Um último exemplo rápido. Victor Frankl era um médico psiquiatra judeu. Em 1942 ele é preso pelos nazistas e é mandado para um campo de concentração. Seu pai e sua mulher são mortos, mas ele consegue manter-se vivo. Durante o período em que esteve no campo de concentração, ele consegue encontrar sua tese central sobre o sentido da vida.

Quando vamos contar a história do Frankl, ficamos impressionados com o problema: estar preso em um campo de concentração, passando por enormes torturas. Mas ficamos ainda mais fascinados ao saber como ele mudou com este problema extremo: encontrou o seu sentido para a vida e fundou a logoterapia.

É isso, queridos amigos, para saber como contar uma história, temos que saber o que é uma história. Depois disso, temos que entender os elementos da história que estamos para contar e captar rapidamente a atenção e curiosidade de quem nos ouve ou lê. E somente conseguiremos fazê-lo se mostrarmos logo desde o começo o personagem e o problema enfrentado por ele ou ela.

Na próxima lição (em breve), falaremos sobre como prender a atenção do leitor.

Mas ainda tem mais! Se você está querendo escrever sua própria história, certifique-se das questões tratadas no texto. Para facilitar, faça estas 4 perguntas:

1) – O que acontece? Que eventos tem que acontecer para o protagonista superar os desafios que está enfrentando?

2) – A quem acontece? Qual é a pessoa afetada pelos eventos? Tenha em mente, com clareza, quem é o protagonista da história, ou seja, saiba quem é a pessoa em busca de um objetivo difícil.

3) – Qual é o objetivo do protagonista? Todas as boas histórias apresentam desde o começo um objetivo inevitável, que o protagonista tem que lidar.

4) – Como o protagonista muda? Quais são as mudanças que acontecem ao personagem central? O que ela aprende com as experiências do problema central e com os objetivos que almeja?

Dúvidas, comentários, críticas e sugestões, por favor, comentem abaixo!

Psicólogo Clínico e Online (CRP 06/145929), Mestre (UFSJ), Doutor (UFJF), Instrutor de Mindfulness e Pós-Doutorando (Unifesp), Coach e Presidente do Instituto Felipe de Souza. Como Professor no site Psicologia MSN venho ministrando dezenas de Cursos de Psicologia, através de textos e Vídeos em HD. Faça como centenas de alunos e aprenda psicologia através de Cursos em Vídeo e Ebooks! Loja de Vídeos e Ebooks. Você pode também agendar uma sessão de Coaching Online via Skype, Relacionamentos ou Carreira (faculdade), fazer o Programa de 8 Semanas de Mindfulness Online e Orientação Profissional Online. E não se esqueça de se inscrever em nosso Canal no Youtube! Email - [email protected] - Agendar - Whatsapp (11) 9 8415-6913