Olá amigos!

Já disse em outros textos, comentários e em nossa fanpage – Tudo sobre Psicologia – que a psicologia deve ser pensada não como A Psicologia e sim como AS Psicologias. Ou seja, a área de estudos conhecida como psicologia é múltipla, possui diversas abordagens que não concordam no lugar aonde colocam o conhecimento (epistemologia), nem concordam sobre os métodos de estudo e geralmente também não concordam com as técnicas de tratamento ou práticas.

Em princípio isto não é um problema. Se pensarmos em outras ciências, também veremos que existem áreas de abordagem na física, na biologia, na sociologia e assim por diante.

Neste texto, eu vou procurar dialogar com uma dúvida frequente dos estudantes de psicologia, que é a seguinte: “Que abordagem eu devo seguir?” Também falarei a respeito do meu modo de ver a questão e como foi para mim a “escolha” da minha abordagem.

As abordagens dentro da psicologia

Quando eu digo aqui sobre abordagens dentro da psicologia, não estou dizendo especificamente de áreas de atuação, como a psicologia hospitalar, a psicologia escolar/educacional, a psicologia organizacional, etc. Quando dizemos abordagens da psicologia, estamos dizendo sobre os modos de compreender a psique (psicologia é a ciência que estuda a psique). Em outras palavras, existem vários modos de se compreender o ser humano.

Se você é estudante de psicologia, obviamente sabe disso, mas imagino que provavelmente você não sabia antes de entrar na faculdade. E provavelmente também não sabia que você deveria escolher uma abordagem.

Dependendo da sua faculdade, você pode ter uma abordagem forte nas disciplinas e ter apenas algumas aulas a respeito das outras. Ou pode ser equilibrado (com vários professores em cada uma das abordagens).

Durante a minha graduação, na Universidade Federal de São João del-Rei, eu tive excelentes professores em todas as principais abordagens. É interessante olhar para trás e ver, na minha primeira aula, uma definição de psicologia de uma professora que estudava a abordagem comportamental. Para ela, a psicologia deve ser definida como o estudo do comportamento.

Outros professores, já diriam outras definições. Com cada um puxando para o seu lado, é fácil o aluno se confundir e não saber qual seria abordagem correta a ser “seguida”. Pois, no final das contas, é muito complicado estudar a fundo todas as abordagens e, como elas são críticas entre si, o mais comum é vermos as pessoas escolhendo uma abordagem de preferência e criticando fortemente as demais. Até as famosas “panelinhas” são formadas, cada grupo defendendo a sua abordagem, a sua linha de psicologia.

Que abordagem da psicologia devo seguir?

Bem, para responder à esta pergunta, vou dizer da minha experiência pessoal e do que eu vi e ouvi durante a faculdade.

Eu entrei na faculdade de psicologia com o objetivo maior de conhecer a psicologia. O conhecimento, portanto, foi o meu principal objetivo, muito mais do que ter uma profissão depois. De forma que ao querer conhecer a psicologia, eu tive sempre a vontade de conhecer tudo.

No primeiro ano, estudei mais áreas afins do que a psicologia em si. Estudei filosofia, antropologia, lógica, sociologia, neuroanatomia, fisiologia, estatística… tudo isto para dar um bom embasamento para começarmos a entrar na psicologia mesmo. Eu já tinha estudado alguns autores como Freud e Jung e sabia que os autores eram muito críticos.

Na disciplina sobre a História da Psicologia, esta questão ficou ainda mais clara. Lembro como se fosse hoje de eu perguntando ao meu professor desta disciplina se havia alguma possibilidade de a psicologia ser única, ou seja, todas as abordagens entrarem em um acordo no futuro. Ele disse que não. O que ele via no futuro era a especialização de cada disciplina, aumentando cada vez mais a distância de uma abordagem para outra.

Então, lá estava eu na metade da faculdade de psicologia. Mas, eu, no fundo, nunca tive dúvidas sobre qual abordagem eu iria estudar. Sempre gostei da visão de Jung a respeito da psique e de sua forma de entender a psicologia clínica. E, logo no início, compreendi que para entender a psicologia analítica de Jung teria que estudar muito a psicanálise. Isto porque a psicanálise de Freud foi utilizada por Jung no começo de suas obras até o ponto em que ele mesmo adentrou o movimento psicanalítico para, alguns anos depois, sair deste e criar sua própria abordagem.

Em resumo, para estudar Jung seria altamente recomendável que eu estudasse Freud. E foi o que eu fiz. Porém, na faculdade quase todos estudavam Freud segundo Lacan. Lacan foi um importante psicanalista, talvez o maior depois de Freud. Embora o Lacan diga que ele era freudiano (e não lacaniano), existem sim muitas modificações no pensamento e na prática.

De qualquer modo, acabei estudando muito Freud – e Lacan.

Veja – Documentário sobre Lacan

As outras abordagens, como a comportamental, a fenomenológica-existencial, a psicologia social, a humanista, também me interessaram e, na verdade, por elas me interesso até hoje. Um dos livros que estou para comprar e estudar com dedicação é “Recent Issues in the Analysis of Behavior”, do Skinner. Quer dizer, todas as abordagens são interessantes e nos auxiliam a compreender mais o ser humano.

A questão se temos que escolher uma abordagem – enquanto estudantes de psicologia – ou não é um pouco complicada. Eu diria que mais cedo ou mais tarde, acabamos encontrando uma visão de mundo que se encaixa melhor em nossa visão de mundo. Um autor que pensa e responde muitas questões como nós responderíamos (o que não quer dizer que não vamos também criticar).

Porém, além de ter uma abordagem principal, digamos, creio ser fundamental conhecer todas as outras. Se interessar por outros problemas e outras visões de mundo. E digo isto não só dentro da psicologia. Devemos sempre nos manter curiosos, e estudar tanto história quanto biologia, literatura como química, neurociência como programação neurolinguística. E isto porque conhecer mais nos ajuda em muitos aspectos na clínica.

Para a psicologia clínica, a frase de Jung encerra a questão: “Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana”.

Conclusão

Para muitas pessoas, escolher a abordagem da psicologia para se aprofundar é um dilema. Alguns estudantes veem todas as abordagens como corretas e verdadeiras, outros pensam ora com uma ora com outra, e para outros todas são indiferentes.

Quando não há uma que chame a atenção e nos faça ter mais ânimo ainda para estudar, a questão da escolha deve ser adiada. Estudar é um comportamento lógico-racional. Porém, para estudar mais e melhor temos que ter paixão. Por exemplo, se você for estudar russo, a melhor forma é se apaixonar pela língua, pela cultura e pelo país. Deste modo, será muito mais fácil…

Quando não há, portanto, esta paixão desperta, no caso das abordagens da psicologia, devemos deixar para depois. Pode ser um livro ou uma aula que vai nos despertar para a melhor área para nós. E, de qualquer forma, devemos sempre nos manter curiosos também com todas as teorias.

Psicólogo Clínico e Online (CRP 06/145929), Mestre (UFSJ), Doutor (UFJF), Instrutor de Mindfulness e Pós-Doutorando (Unifesp), Coach e Presidente do Instituto Felipe de Souza. Como Professor no site Psicologia MSN venho ministrando dezenas de Cursos de Psicologia, através de textos e Vídeos em HD. Faça como centenas de alunos e aprenda psicologia através de Cursos em Vídeo e Ebooks! Loja de Vídeos e Ebooks. Você pode também agendar uma sessão de Coaching Online via Skype, Relacionamentos ou Carreira (faculdade), fazer o Programa de 8 Semanas de Mindfulness Online e Orientação Profissional Online. E não se esqueça de se inscrever em nosso Canal no Youtube! Email - [email protected] - Agendar - Whatsapp (11) 9 8415-6913