Olá amigos!

Continuando a nossa série de textos que falam de Dinheiro e Profissão, vamos dar dicar de como se preparar para concursos, tendo como objetivo ajudar na preparação da avaliação psicológica. As dicas dadas aqui valem para todos os concursos, embora possuam diferenças na forma de avaliação, penso que o conteúdo deste texto será útil para todos os concurseiros.

Mas antes de falarmos das dicas para a preparação emocional e mental, gostaria de mostrar como funciona o processo de seleção e de avaliação psicológica.

Na iniciativa privada ou na administração pública (ou público-privada), quando há a criação de uma vaga é feito o levantamento das necessidades. Ou seja, os diretores ou gerentes da área vão avaliar a quantidade de profissionais que serão necessários contratar, bem como o perfil profissional de cada um deles.

Por exemplo, em uma determinada cidade, há falta de psicólogos. Os gestores da saúde, então, consideram a necessidade de contratar 3 profissionais. Mas como será o perfil profissional de cada um destes 3? Supondo que 1 vaga seja para psicologia clínica, 1 vaga para psicologia escolar e 1 vaga para recursos humanos, o perfil profissional de cada um destes 3 profissionais (mesmo todos tendo a formação em psicologia) será diferente, pois cada trabalho cotidiano exige características pessoais específicas. Ou seja, um psicólogo clínico tem um perfil diverso do perfil do psicólogo escolar e do psicólogo hospitalar. Claro que existem semelhanças, por terem formação igual, mas há evidentes exigências em cada vaga que solicitam um perfil adequado.

Com isto, o profissional que está tentando o concurso ou vai se inscrever ou já se inscreveu deve avaliar se está preparado para cumprir aquela função. Por exemplo, eu tenho ampla experiência em psicologia clínica e vejo a abertura de um concurso para o exército. Pelo edital e pela prova de conhecimentos específicos (que lista conhecimentos da área de recursos humanos) já posso imaginar que eles querem um profissional da psicologia organizacional e não da psicologia clínica. Alguns concursos são mais claros nas funções que serão desempenhadas, enquanto outros apenas dão indicações a partir da prova de conhecimentos.

Bem, avaliando o concurso do exército eu pensou: “Eu tenho perfil para a vaga? Desempenharia bem as funções? Seria feliz daqui a 5, 10 anos tendo entrado neste concurso?” Muitos poderão pensar que apenas o salário compense o sacrifício. Porém, não devemos pensar desta forma, pois se eu não gosto de psicologia organizacional porque eu vou trabalhar anos com isso? Na verdade, é provável que eu nem consiga passar na avaliação psicológica já que o meu perfil pessoal não seria adequado para esta vaga, enquanto para a psicologia clínica sim.

Dando outro exemplo, um amigo meu estava precisando muito de um emprego. Por isso, selecionou o concurso para serviços gerais. Este amigo tem segundo grau, grandes conhecimentos sobre diversas áreas, fala outro idioma… mas, enfim, estava precisando muito do emprego. Ora, será que ele vai passar no concurso? Será que ele vai conseguir desempenhar a função de forma satisfatória?

Resultado: ele passou no concurso mas não foi trabalhar. Quer dizer, no fundo ele sabia que aquela vaga não seria para ele por muitos motivos. Do mesmo modo que a vaga de psicólogo do exército não era para mim, a vaga de serviços gerais não era para ele.

Com isso, temos que desde antes de se inscrever no concurso, avaliar com cuidado quais concursos são adequados para nós. E porque isto? Porque pode ser que você tenha resultados excelentes em todas as provas, mas seja reprovado na avaliação psicológica. Pois o principal da avaliação psicológica é encontrar candidatos que tenham o perfil da vaga. Não é apenas para avaliar se o candidato tem um problema mental grave, mas sim para concluir o concurso com a certeza de que a pessoa selecionada cumprirá a função satisfeita com o serviço que terá que desempenhar nos próximos anos.

Dica 1: Conheça o seu perfil e o perfil da vaga

Esta é a primeira dica, portanto, e ela é fundamental. Na época em que trabalhei com Recursos Humanos, eu fiz uma avaliação psicológica de um concurso de uma empresa público-privada perto de São Paulo capital. E dois candidatos daquele concurso me marcaram. Evidentemente, não falarei detalhes para preservar o sigilo, mas a ideia geral é válida para todos que estão pensando ou estudando para concursos.

Um destes candidatos tinha tido experiência em uma empresa multinacional por muitos anos. Falava idiomas, porém, na avaliação psicológica ficou comprovado possuir um transtorno mental sério. Embora para a prática da vaga disputada por ele, ele tivesse capacidade, ele tinha mais experiência, uma experiência maior, e superior. Por isso – além do transtorno mental – ele não foi selecionado pois naquela vaga ele seria subordinado (enquanto que antes ele era o líder). O que este processo seletivo demonstra é que não adianta você tentar um cargo muito superior ao seu currículo mas também não funciona tentar uma vaga “inferior”. Assim como o caso do meu amigo que tentou para serviços gerais, ele causaria problemas pois acabaria tentando mandar em seu chefe.

Outro candidato era recém formado em uma faculdade de prestígio. Mas a vaga não era diretamente ligada a sua formação profissional. Embora tivesse tirado nota perto do total em cada uma das provas, ficou comprovada na avaliação psicológica que o interesse e toda a personalidade não era próxima do perfil profissional esperado para a função. Digamos: a vaga era para contabilidade e a pessoa era recém graduada em engenharia. Ora, a função poderia ser desempenhada sim. Mas a empresa considerou a insatisfação no curto prazo e que era extremamente provável que o candidato acabasse deixando o emprego, o que ocasionaria em ter que fazer um outro concurso.

Portanto, avalie suas características de personalidade – seus prós e contras mas também avalie o que está sendo pedido no Edital do Concurso. Se você está tentando um concurso em uma outra área que não a que seria a ideal para ti, tudo bem. Pode sim ser possível que você consiga passar nas provas e até na avaliação psicológica, mas você tem que lembrar que o trabalho cotidiano pode ser uma permanente fonte de estresse e infelicidade caso você seja alocado em uma área não próxima de seu perfil.

Dica 2 – Prepare-se para a avaliação psicológica – Mental

Quando dizemos aqui mental queremos dizer as funções lógicas ou racionais que são avaliadas. Em muitos concursos, além das provas de conhecimentos gerais e específicos, são feitos testes de avaliação mental ou testes de inteligência ou raciocínio lógico. Esta é a parte da avaliação psicológica cuja preparação é mais fácil.

Bem, se você não é uma pessoa extremamente racional e lógica, você pode começar a treinar fazendo uma série de atividades que visam melhorar o seu desempenho nos testes. Mas é importante lembrar que não é questão de uma semana ou um mês. Para se aperfeiçoar realmente, você precisará de tempo. Tudo o que estiver ligado ao pensamento, pode ser útil para lhe ajudar a desenvolver então a parte mental da avaliação.

Pensemos em uma lista (que pode ser ampliada por você):

– Estudar matemática

– Estudar filosofia

– Fazer quebra-cabeças

– Fazer caça palavras

– Resolver problemas lógicos

E assim por diante. Como disse, a lista pode ser ampliada. A dica aqui é treinar tudo o que pode vir a contribuir com a melhora do pensamento, pois nos concursos são aplicados testes que possuem resultado objetivo, ou seja, existem perguntas ou figuras que tem um resultado certo. Na avaliação psicológica, o candidato pode ser reprovado por não ter atingido a média esperada para sua idade ou profissão.

Dica 3 – Prepare-se para a avaliação psicológica – Emocional

A parte emocional do treinamento para concursos já é um pouquinho mais complicada. Vou explicar o porquê. Quando dizemos emoção, estamos pensando aqui não só em emoções propriamente ditas como medo, raiva, ansiedade mas também no que podemos dizer ser o temperamento ou personalidade – que é mais difícil de mudar.

Vamos pensar em uma vaga de concursos para a Polícia Militar. Como o próprio nome já indica, a PM está intimamente ligada aos militares, à defesa e, em última instância, à guerra, à luta. Uma pessoa que irá ser policial tem que ser uma pessoa firme, segura, forte psicologicamente. Agora, imagine uma pessoa que tem uma personalidade mais frágil, temerosa, sensível… será que conseguirá desempenhar a função da Polícia?

Pode ser que sim. Mas como dissemos acima, não seria a função adequada ao perfil. É possível mudar toda a personalidade uma pessoa sensível para uma pessoa fria? É possível sim e isto pode acontecer, mas, em geral, não é indicado.

Por isso, frisei tanto a importância de se conhecer o próprio perfil e o perfil da vaga. Mas o que esta dica tem de prática é o fato de ser possível o treinamento das emoções pontuais mais do que o treinamento da mudança da personalidade geral ou temperamento.

Por exemplo, pense em uma pessoa que em toda avaliação (prova escrita, prova oral) fica extremamente nervosa. Chora, treme, tem diarreia. Ora, este nervosismo pode ser trabalhado pela pessoa até chegar ao ponto em que não exista mais ou pouco atrapalhe no desempenho das provas e da avaliação psicológica dos concursos. Embora um pouco de nervosismo seja natural e seja desconsiderado pelos psicólogos que estarão avaliando, se a pessoa tiver em excesso poderá ser desqualificada.

Então, esta dica é simples. Avalie suas emoções. Você nota ter algum tipo de problema ou dificuldade emocional, por exemplo, tem medo de falar em público?

Se notar alguma dificuldade, pense que você pode mudar. Você pode ler livros, fazer cursos e treinamentos, buscar um psicólogo ou psicóloga e aperfeiçoar o seu equilíbrio emocional.

Dica 4 – Não se preocupe em saber sobre os testes psicológicos

É muito comum as pessoas procurarem pelos testes psicológicos que vão cair no concurso para poderem colar, copiar, treinar. Este não é o caso, pois a maior parte dos testes psicológicos não tem uma resposta certa. Tirando os testes de raciocínio, todos os outros testes avaliam de uma outra forma que não pode ser burlada. Com isso, ao invés de procurar adquirir, comprar, emprestar ou baixar os testes psicológicos ou decorar as “respostas” tenha em mente as dicas acima:

– Conheça a sua própria personalidade

– Treine o máximo possível o raciocínio lógico estudando e brincando com jogos que treinam a mente

– Avalie as suas emoções e caso note alguma dificuldade em especial procure ajuda em livros, textos, filmes, treinamentos e na psicologia

– Para ajudar – Conheça também o Manual do Concurso

Psicólogo Clínico e Online (CRP 06/145929), formado há 14 anos, Mestre (UFSJ) e Doutor (UFJF), Instrutor de Mindfulness, Coach e Presidente do Instituto Felipe de Souza. Como Professor no site Psicologia MSN venho ministrando dezenas de Cursos de Psicologia, através de textos e Vídeos em HD. Faça como centenas de alunos e aprenda psicologia através de Cursos em Vídeo e Ebooks! Loja de Vídeos e Ebooks. Você pode também agendar uma Sessão Online via Skype, Terapia Cognitivo Comportamental, Problemas de Relacionamentos, Orientação Profissional e Coaching de Carreira , fazer o Programa de 8 Semanas de Mindfulness Online. E não se esqueça de se inscrever em nosso Canal no Youtube! e Instagram! Email - [email protected] - Agendar - Whatsapp (11) 9 8415-6913