Recentemente, fui convidado para dar uma entrevista para um jornal de grande circulação sobre o desapego. A matéria deverá sair em breve e publicarei o link aqui. Mas vocês já podem ler, em primeira mão, sobre apego, desapego e crescimento interior.

– O que é o desapego?

O desapego é a habilidade de não apegar-se a algo ou a alguém, entendendo a natureza das posses e das relações. É a diferença que marca ter posse de algo e ser possuído por algo (característica do apego).

O fato de possuirmos algo não é ruim, evidentemente. Todos nós temos necessidades de alimentação e abrigo, temos que cuidar de nossa saúde e educação e na medida em que somos seres sociais e gregários, precisamos de uma série de objetos utilizados na sociedade em que nos inserimos. Por exemplo, com o desenvolvimento da tecnologia usamos o celular para nos comunicar. Este uso passa a ser uma necessidade quase indispensável. Portanto, devemos entender a necessidade dos objetos e do pertencimento social ao mesmo tempo em que podemos ter a habilidade de nos desligar, de nos desapegar.

– Quais as características das pessoas apegadas? E das desapegadas?

De um modo geral, podemos dizer que as pessoas desapegadas são tranquilas, estão sempre em paz. Conhecem a sua verdadeira natureza e sabem que o fato e a possibilidade de perderem alguma posse ou se distanciarem de alguém, não vai mudar a sua verdadeira natureza.

As pessoas apegadas podem apresentar diversos sintomas como ansiedade, fobia, depressão, ou seja, ou têm medo de perder ou perderam e não souberam lidar bem com a perda.

Outra forma de entender o apego (e o desapego por ser o contrário) é pensar nas formas de dependência. A dependência de uma substância como nicotina, álcool ou outras drogas traz para as pessoas apenas resultados e consequências negativas. Do mesmo modo que uma pessoa consegue se livrar de um certo vício, pode aprender a se desapegar em outras áreas, como nas relações amorosas, em que a co-dependência faz-se desastrosa.

As pessoas que se encontraram, as pessoas que são religiosas ou possuem um alto grau de consciência de si mesmas, de quem elas são, são pessoas desapegadas, caridosas, pacíficas e por consequência são pessoas amorosas.

– Abrir mão de bens, materiais e sentimentais, auxilia no crescimento interior? Por quê?

Nos estudos da psicologia da religião, vemos que o homem religioso deve ser abnegado ou, em outras palavras, desapegado. Uma passagem muito conhecida da Bíblia é aquela em que Jesus diz ao homem rico que lhe perguntava como ganhar o Reino dos Céus: “Uma coisa ainda te falta: vende tudo o que tens, dá aos pobres, e terás um tesouro no céu. Depois vem e segue-me” – Lucas (18, 22).

Outras religiões, de formas variadas, também entendem a importância do desapego para o crescimento interior, para o encontro da espiritualidade, para o encontro de si mesmo. Abrir mão de bens materiais parece ser um caminho para focar a mente na espiritualidade de modo permanente, sem que a cobiça, a avareza, a ambição ou o apego atrapalhem a compreensão espiritual.

Por outro lado, para muitas pessoas abandonar tudo torna-se inviável ou indesejável. De modo que abandonar os bens materiais é uma forma de desenvolvimento espiritual, mas não a única, pois muitas pessoas na história não abandonaram seus pertences e são, ainda assim, exemplos importantes.

– O desapego faz bem à saúde? Por quê?

O apego excessivo pode trazer doenças físicas ou emocionais. Se pensarmos, por exemplo, no ciúme como uma forma de apego, veremos que a insegurança, a ansiedade e o medo correlacionados podem ser patológicos, causando a longo prazo doenças mentais.

Então, se considerarmos que o apego gera sofrimento e este sofrimento gera, por sua vez, doenças físicas e mentais, podemos concluir que o desapego, ao criar uma melhor qualidade de vida, também auxilia na preservação da saúde.

– Como pratica-lo?

Podemos praticar o desapego ao nos livrarmos de objetos que não tem mais utilidade, que não tem mais função em nossas vidas. O acúmulo excessivo de pertences constitui o apego à estes pertences. Ao doarmos ou jogarmos fora uma parte do que temos e não vamos mais utilizar, estamos praticando o desapego.

Com relação ao apego a pessoas, devemos notar que ao dizermos: “esta é minha namorada” ou “este é meu namorado”, estamos dizendo algo comum. Entretanto, a outra pessoa não é posse minha. A outra pessoa é alguém que convive comigo, que compartilha momentos e situações, mas não pertence à mim, ou seja, ela tem vontades e desejos que são dela e, em última instância, liberdade para agir do jeito que considerar melhor.

Desta forma, podemos começar a praticar o desapego, passando a compreender melhor a natureza das relações humanas, que é o convívio e não a posse ou possessividade.

Psicólogo Clínico e Online (CRP 06/145929), formado há 14 anos, Mestre (UFSJ) e Doutor (UFJF), Instrutor de Mindfulness, Coach e Presidente do Instituto Felipe de Souza. Como Professor no site Psicologia MSN venho ministrando dezenas de Cursos de Psicologia, através de textos e Vídeos em HD. Faça como centenas de alunos e aprenda psicologia através de Cursos em Vídeo e Ebooks! Loja de Vídeos e Ebooks. Você pode também agendar uma Sessão Online via Skype, Problemas de Relacionamentos ou Orientação Profissional e Coaching de Carreira , fazer o Programa de 8 Semanas de Mindfulness Online. E não se esqueça de se inscrever em nosso Canal no Youtube! e Instagram! Email - [email protected] - Agendar - Whatsapp (11) 9 8415-6913