“Nós sabemos quem nós somos, mas não sabemos quem nós podemos nos tornar” (Shakespeare) 

Olá amigos!

Uma das matérias mais fascinantes que temos na faculdade de psicologia é antropologia. A antropologia, dizendo rapidamente, estuda as diferentes culturas ao redor do mundo. E não é fascinante que as pessoas ajam diferente se estiverem no meio de uma outra cultura?

Assim, se pegarmos um bebê nascido no Brasil e o levarmos para o Japão, depois de 20 anos, ele será um adulto japonês. Razão pela qual muitos pensam que a mente é como um quadro vazio (tabula rasa) na qual podemos inserir as informações pertinentes à cultura para que o bebê se transforme em um adulto adaptado: ensinar uma língua, costumes, hábitos, moral, o que deve e o que não deve ser feito, etc.

Então, para que haja mudança no comportamento de alguém, deveríamos retirar o foco da mudança interna, no que a pessoa pensa e sente, para a mudança externa, o ambiente no qual a pessoa vive.

Porém, se observarmos séries de TV como Super Nanny, veremos que a mudança externa, no ambiente, não necessariamente muda o comportamento. Ou muda apenas temporariamente. Talvez não mude porque o ambiente não mudou de verdade (os pais continuam depois a fazer o que faziam antes), mas talvez “o que está dentro” não tenha sido mudado e, portanto, ambientes diferentes, respostas iguais.

A questão se devemos investir na mudança interna ou na mudança externa é uma discussão interessante. Contudo, parece ser uma daquelas pegadinhas como o que veio antes: o ovo ou a galinha? O indivíduo ou a sociedade?

Na verdade, é uma questão que não tem uma resposta do tipo sim e não. É isso ou é aquilo. A mudança externa pode vir a ser inútil se não houver uma mudança real interna. E a mudança interna pode ser também inútil, se não houver uma mudança externa.

Por exemplo, você pode mudar o ambiente de um funcionário, propor um salário maior, mas se ele não estiver motivado para trabalhar, não será um aumento no salário que o fará se sentir mais motivado. (Um exemplo interessante da antropologia é a experiência com fábricas em países da África. Muitos funcionários começavam a trabalhar e trabalhavam apenas um mês, porque o seu objetivo era conseguir apenas um salário para comprar alguma coisa e, depois, não tinham vontade de continuar, porque não precisavam de mais dinheiro).

E, por outro lado, se um sujeito começa a se automotivar, a ler livros de autoajuda, a ter pensamentos positivos e construtivos, mas, com o tempo, se não tiver uma resposta positiva do meio em que está (se as consequências acabarem não sendo reforçadores), a mudança interna é capaz de não se sustentar, e a forma de pensar anterior retorna.

De maneira que há uma imbricação entre a mudança interna e a mudança externa.

Quando o discípulo está preparado, o mestre aparece

Esta frase é uma frase antiga. Tão antiga que é impossível saber quem a disse. Mas a encontramos em diferentes culturas: na cultura chinesa, japonesa, hindu…

Neste texto, ela será útil para nos fazer refletir sobre a união da necessidade da mudança interna e da mudança externa. Se o discípulo não está preparado… de que adiantará ter um mestre? Se todo o ambiente externo é propício e favorável a uma mudança real, de que adiantará se a mudança interna não acompanhar?

Outra frase com o mesmo sentido é aquela que diz que “sorte é quando a preparação encontra a oportunidade”. Ou seja, estamos preparados e encontramos uma oportunidade. Pronto! Isso é sorte! Mas será que é sorte mesmo?

O uso do tempo

No livro Flow, Mihaly Csikszentmihalyi mostra que, independentemente da cultura, todos nós temos um uso do tempo mais ou menos parecido, desde que se tem notícia, desde que se tem história escrita. Todos nós temos 24 horas e, nestas 24 horas, gastamos uma parte do tempo para comer e para ir ao banheiro e, adultos, gastamos uma parte do tempo com a busca de suprir as necessidades (trabalho) e com entretenimento e diversão.

O que muda, basicamente, de uma cultura para a outra é o que é o trabalho e o que é a diversão. Em uma tribo, o trabalho pode ser a pesca e a diversão catar piolhos nas cabeças uns dos outros ou o trabalho pode ser na frente de um computador e a diversão na frente de um computador. Entretanto, o tempo gasto em cada atividade não varia tanto, conforme poderíamos imaginar.

Então, não conseguimos mudar as nossas necessidades fisiológicas. Temos que dormir cerca de 8 horas por dia, temos que comer, temos que ir ao banheiro e temos as necessidades sexuais. O que podemos mudar?

Resposta: o tempo gasto com o trabalho e o tempo gasto com diversão.

Se mudarmos o nosso trabalho, o nosso dia a dia laborativo, e se mudar a nossa diversão, seja ela qual for, mudaremos o que podemos mudar.

Conclusão

É curioso como somos iguais e é curioso como somos diferentes. Somos iguais nas necessidades do corpo, que implicam uma utilização do tempo proporcionalmente parecida. Mas somos diferentes de outras culturas no que decidimos gastar o nosso tempo, no trabalho e no entretenimento.

É incrível ver as pessoas falando que não tem tempo, enquanto gastam 4 a 5 horas por dia na TV ou, no caso dos mais jovens, nas redes sociais!

De toda forma, é engraçado quando acaba a luz e não há TV nem internet. Há uma mudança externa, a falta de luz, mas será que há uma mudança interna? Uma oportunidade só é uma oportunidade se for aproveitada…

Psicólogo Clínico e Online (CRP 04/25443), Mestre (UFSJ), Doutor (UFJF), Instrutor de Mindfulness (Unifesp), Coach e Presidente do Instituto Felipe de Souza. Como Professor no site Psicologia MSN venho ministrando dezenas de Cursos de Psicologia, através de textos e Vídeos em HD. Faça como centenas de alunos e aprenda psicologia através de Cursos em Vídeo e Ebooks! Loja de Vídeos e Ebooks. Você pode também agendar uma sessão de Coaching Online via Skype, Relacionamentos ou Carreira (faculdade), fazer o Programa de 8 Semanas de Mindfulness Online e Orientação Profissional Online. E não se esqueça de se inscrever em nosso Canal no Youtube! Email - [email protected] - Atendimento presencial na Av. Paulista: Agendar - Whatsapp (11) 9 8415-6913