Segundo os neurocientistas, uma pessoa tem em média 60.000 pensamentos por dia. Que tal mudar os pensamentos negativos pelos pensamentos positivos? Esta técnica da psicologia comportamento ajuda a mudar os hábitos de pensamento.

Olá amigos!

Segundo os neurocientistas, uma pessoa tem 60 mil pensamentos por dia, em média. É um número assombroso, não é mesmo? O que a maioria das pessoas não percebe é a relação entre o que pensamos com o que sentimos. Porém, esta relação não passa desapercebida para quem estuda psicologia e, também, não passou desapercebida na cultura hindu. Em hindi, há a palavra kama-manas, ou seja, sentir-pensar, desejar-conceber como uma única palavra, dada a união tão forte que existe entre o que uma pessoa pensa e o modo como sente.

Vou dar um exemplo de um excelente livro que estou lendo chamado Modificação do Comportamento: o que é e como fazer. 

Técnica para se sentir melhor

No livro de Garry Martin e Joseph Pear, encontramos diversas técnicas da terapia comportamental para a modificação do comportamento. Como sabemos, para a psicologia comportamental a psicologia é a ciência que estuda o comportamento. E o comportamento que não podemos observar diretamente, como um pensamento, é chamado de comportamento privado ou comportamento verbal encoberto.

Apesar de não ser observável diretamente, ele está sob direta influência do que o antecede (do que vem antes) e do que o sucede (do que acontece depois). Por isso, o analista do comportamento consegue estudá-lo e alterá-lo assim como um outro comportamento observável. O que acontece depois do comportamento ser emitido pode fazer com que o comportamento aumente no futuro ou diminua. Se a probabilidade de aumento acontecer, falaremos em reforço.

E, segundo David Premack, um comportamento que possui alta probabilidade de ocorrer pode ser utilizado como um reforço para um comportamento que possui baixa probabilidade:

“W. G. Johnson (1971) usou esse princípio para ajudar um universitário deprimido a aumentar a frequência de autoafirmações positivas. Foi pedido que o estudante imaginasse um pensamento positivo (um comportamento de baixa probabilidade), sugerido por meio de uma frase positiva escrita numa ficha, imediatamente antes de cada vez que fosse urinar (o comportamento de maior probabilidade). Após alguns dias, o estudante imaginava as autoafirmações positivas imediatamente antes de urinar, sem a necessidade de reler a ficha. Após duas semanas desse procedimento, o estudante relatou que os pensamentos positivos estavam ocorrendo numa frequência mais elevada (e os pensamentos depressivos tinham desaparecido completamente)” (MARTIN, p. 43-46).

Ou seja, o comportamento de alta probabilidade é urinar. Afinal, todos precisam urinar e urinam. Mas o comportamento de pensar uma autoafirmação positiva para muitas pessoas é um comportamento de baixa probabilidade. Muitas pessoas só pensam afirmações do tipo:

– “Como eu sou burro”

– “Como eu estou feio / feia”

– “Como eu não sei fazer nada”

– “Eu nunca vou conseguir fazer isto”.

Estas são autoafirmações negativas que, é claro, vão causar um tipo de resposta do próprio indivíduo, como um quadro depressivo. As pessoas que não tem um quadro depressivo, por sua vez, não pensam desta forma. Entre os 60.000 pensamentos de um dia, elas pensam diferente:

– “Como eu sou inteligente”

– “Como eu estou bonito / bonita”

– “Eu sei fazer muitas coisas e vou aprender isso também”

– “Eu posso vou conseguir fazer isto”, etc.

Estes são apenas alguns exemplos para mostrar a diferença entre autoafirmações – afirmações que são feitas para si mesmo – que são negativas ou positivas. Com a técnica de Johnson é possível aumentar o número de autoafirmações positivas, o que será evidentemente muito bom para o indivíduo, emparelhando a autoafirmação positiva com um comportamento cotidiano.

Então, em resumo a técnica para se sentir bem consiste em:

1) Encontre um comportamento que você faz com frequência (urinar, escovar os dentes, beber água)

2) Crie frases positivas sobre si mesmo

3) Toda vez que você for realizar o comportamento rotineiro (urinar, escovar os dentes ou outro) repita as frases positivas sobre si mesmo.

Frequentemente, as pessoas relatam que pode parecer ridículo, estranho, esquisito. Mas é um pensamento como qualquer outro. A diferença é que, com o tempo, o segundo comportamento, de pensar ou dizer autoafirmações positivas, terá um efeito benéfico. Supere a resistência inicial e repita o procedimento por 21 dias.

Conclusão

À partir do momento em que as autoafirmações são feitas, põe-se em jogo um novo estado. Como um pensamento gera um sentimento, a mudança é significativa. Afinal, se você pensar que você é incompetente, você não se sentirá bem.

Para concluir, gostaria de dar um exemplo que encontramos na psicologia cognitiva, para as pessoas que querem emagrecer. Comer é apenas e tão somente um comportamento. Porém, o que está antes, durante e depois do comportamento é muito diferente para uma pessoa magra e para uma pessoa gorda. (Se pudéssemos filmar o que as pessoas pensam sobre comida, seria interessantíssimo).

Uma pessoa que está acima do peso pode ficar lutando com o seu desejo de comer. Ela pensa em tudo o que não pode comer e fica visualizando a privação, ou seja, o fato de ela não poder comer. No fim, ela cede à tentação de tanto pensar nas comidas gostosas e pensa: “De que adianta, já estou acima do peso mesmo. Mais isto ou mais aquilo não vai fazer tanta diferença assim”.

Uma pessoa magra não pensa do mesmo modo. Em primeiro lugar, ela não fica no conflito entre comer e não comer. Ela somente come e talvez até esqueça de comer, porque não há conflito.

Assim, uma pessoa que quer emagrecer tem que pensar como uma pessoa magra pensa e o começo deste processo pode se dar através do pensamento. Ao invés de pensar: “Eu estou acima do peso e quero emagrecer e não posso comer”, a dica que os especialistas dão é pensar desde o presente como uma pessoa magra pensa: “Eu sou uma pessoa magra. Vou comer o que quero comer, com calma e tranquilidade”. Estudos indicam que só o fato de comer devagar já diminui o peso, porque o cérebro demora 15 minutos para sentir a quantidade de comida presente no estômago. Deste modo, quem come devagar, acaba comendo menos.

Bem, este é apenas um exemplo. No começo, como disse, isto pode parecer algo sem sentido. Algo que não funciona. Contudo, o fato de pensar isto já é uma outra afirmação. Dizer: “Eu sou uma pessoa inteligente” e segundos depois pensar: “Ah, de que adianta. Eu sou burro mesmo” não vai mudar nada realmente.

O caminho para a mudança, seja ela a mudança em uma área ou outra da vida, começa com o pensamento-sentimento. Ao modificar as autoafirmações estamos abrindo uma nova trilha. Ao passar a acreditar de verdade nas autoafirmações teremos com certeza mudado o nosso percurso. Como o paciente depressivo que só pensava em autoafirmações negativas e, ao associar autoafirmações positivas quando ia ao banheiro, conseguiu superar a sua depressão.

Psicólogo Clínico e Online (CRP 04/25443), Mestre (UFSJ), Doutor (UFJF), Instrutor de Mindfulness (Unifesp), Coach e Presidente do Instituto Felipe de Souza. Como Professor no site Psicologia MSN venho ministrando dezenas de Cursos de Psicologia, através de textos e Vídeos em HD. Faça como centenas de alunos e aprenda psicologia através de Cursos em Vídeo e Ebooks! Loja de Vídeos e Ebooks. Você pode também agendar uma sessão de Coaching Online via Skype, Relacionamentos ou Carreira (faculdade), fazer o Programa de 8 Semanas de Mindfulness Online e Orientação Profissional Online. E não se esqueça de se inscrever em nosso Canal no Youtube! Email - [email protected] - Atendimento presencial na Av. Paulista: Agendar - Whatsapp (11) 9 8415-6913