A Psicoterapia Breve (PB) têm suas origens na Psicanálise e surgiu quando alguns psicanalistas e teóricos da época de 1930 começaram a discordar de algumas posições de Freud, no que diz respeito à teoria e técnica. (GILLIÈRON, 1983/1986). Dentre elas, principalmente, no que diz respeito a atitude do terapeuta no processo, tais como: a postura ativa do terapeuta em contraposição à neutralidade e passividade do psicanalista tradicional e a maior flexibilidade contra a cristalização da técnica que imperava sobre a Psicanálise nos anos 40 (SANTEIRO, 2005)

A psicoterapia breve como o próprio nome já diz é uma intervenção terapêutica com tempo e objetivos limitados. Os objetivos são estabelecidos a partir de uma compreensão diagnóstica do paciente e da delimitação de um foco, considerando-se que esses objetivos passíveis de serem atingidos num espaço de tempo limitado (que pode ser ou não preestabelecido), através de determinadas estratégias clínicas. Assim, as PB estão, em termos técnicos, alicerçadas num tripé: foco, estratégias e objetivos.

Alguns autores dividem a psicoterapia breve em três modelos principais:

  1. Modelo estrutural ou do Impulso: Nesse modelo o objetivo é identificar o conflito primário, que é reeditado na problemática atual do paciente, e através da hipótese psicodinâmica de base planeja o trabalho terapêutico.

Através da interpretação ativa e seletiva, tem tempo e objetivos delimitados.

  1. Modelo Relacional: É baseado nas relações objetais (Melanie Klein, Winnicott), tem menos preocupação com a técnica e menor interesse por estudo de aspectos como limites estritos de tempo e critérios de seleção. Nesse sentido dão maior importância para a experiência, a relação do “Aqui-e-agora”. Tem o psicoterapeuta como observador participante.

  2. Modelo Integrativo ou Eclético: Nesse modelo permite que o psicoterapeuta lance mão de diferentes recursos, adaptados a necessidade de cada paciente, tem menor importância sobre a teoria e prioriza a necessidade de cada paciente.

Como norteador desse texto citaremos a obra de Fiorini, Psicoterapia Breve.

Os eixos do processo terapêutico: Eixos fenômenos básicos pilares  desempenham um de papel organizadores de um processo terapêutico

Fiorini enfatiza 3 pilares sobre os quais se constrói um sistema de influencia de mudança: Ativação egóica, Elaboração de um foco e Relação de trabalho.  Estes pilares constituem um tripé de sustentação do processo.

Produzir no paciente uma ativação de suas funções egóicas por meio das quais torne possível elaborar de modo focalizado a problemática inserida numa situação vital específica com base no direcionamento no estímulo e nas realizações simbólicas e do vínculo vivido numa relação de trabalho personificada com o terapeuta. Com a correlativa ativação das funções egóicas deste último.

Fiorini dá as seguintes indicações:

Pacientes que obtém menor beneficio da psicoterapia breve: distúrbios psiquiátricos crônicos, fora da fase aguda. Exemplo: quadros paranoides, TOC, psicossomáticos crônicos, perversões sexuais, dependências de hábitos perniciosos, carateropatia graves. Só o esforço de uma terapia intensiva a longo prazo pode eventualmente produzir algumas mudanças estáveis em tais quadros.

Com expectativas de melhoras importantes, indicam-se: quadros agudos (situações de crises ou descompensações) Situações de mudança (adolescência, casamento, graduação, menopausa, aposentadoria). Distúrbio leves ou moderado que não precisaria de anos de duração (problemática neurótica incipiente ou psicossomática de inicio recente).

Como tratamento preparatório pré-analítico, boderlines e psicóticos.

A margem de razões socioeconômicas uma terapia breve pode ser o tratamento mais desejável para determinados pacientes.

REFERENCIAS:

FIORINI, H.J. (2004). Teoria e Técnicas de Psicoterapias. São Paulo: Martins Fontes.

GILLIÈRON, E. As Psicoterapias Breves. (V. Ribeiro, Tradução) Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1983

OLIVEIRA, I.T. Psicoterapia Psicodinâmica Breve: dos precursores aos modelos atuais. Psicologia: Teoria e Prática, 1999.

SANTEIRO,T.V. Psicoterapias Breves Psicodinâmicas: produção científica em periódicos nacionais e estrangeiros (1980/2002). Campinas: PUC-Campinas, 2005

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