Queridos leitores,

É com grande contentamento que divulgo aqui a Revista Coleção Guia da Psicanálise. O volume 2 aborda a Obra de C. G. Jung. Neste volume, participei com a publicação do artigo: “A relação teórica e pessoal entre Freud e Jung”. Leia o artigo completo abaixo. Para adquirir a Revista, que está disponível em todo território nacional, é só procurar na banca de jornais mais próxima.

Além do meu artigo, você também encontrará os seguintes artigos:

Jung – Vida, obra e ideias do autor de O Homem e seus Símbolos e o Livro Vermelho.

A Psicóloga – Dulce Rizzardo briza fala sobre o pensamento junguiano e sua influência no Brasil.

Seguidores – Conheça os analistas que ajudaram a desenvolver a psicologia analítica.

Símbolos – Maria Zélia de Alvarenga explica a lenda do Graal e a relação com nossa busca por felicidade e liberdade.

E mais: inconsciente coletivo; arquetipo; individuação, sincronicidade.

Leia baixo o artigo escrito por mim, Felipe de Souza

A Relação com Freud – A Aproximação teórica e pessoal e o rompimento com o gênio da psicanálise – Guia de Psicanálise.

Parte 1

Freud e Jung são dois teóricos da psicologia e da psicanálise que, provavelmente, são os mais lembrados por todos quando pensamos a respeito da área psi. Freud talvez seja mais lembrado, mas a importância de Jung em nossa cultura, é resumida pela maior colaborada de Jung, Marie-Louise Von Franz: “No tocante a Jung, a originalidade e a criatividade de suas descobertas e ideias se relacionam com todo o ser humano, tendo portanto ecoado nas mais variadas áreas exteriores a psicologia: seu conceito de sincronicidade, por exemplo, refletiu-se na física atômica e na sinologia; sua interpretação psicológica dos fenômenos religiosos, na teologia; sua concepção fundamental do homem, na antropologia e na etnologia; sua contribuição para o estudo dos fenômenos ocultistas, na parapsicologia – para mencionar uns poucos casos” (VON FRANZ, 1997, p. 11)

O que poucos talvez saibam é que durante um período, no início do século XX, entre os anos de 1907 a 1914, Freud e Jung estabeleceram uma relação complexa e motivo posterior de controvérsias e polêmicas. Inicialmente apenas profissional e teórica, ela passa a ser pessoal e afetiva (no sentido de amizade e até sentimentos de paternidade), até rompimento cheio de mágoas, conflitos e críticas de um contra o outro.  Detalharemos aspectos pessoais e biográficos, bem como os motivos – teóricos – da separação.

1) O início – O período antes do encontro

C. G. Jung nasceu na Suíça em 1875, filho de protestantes e de uma família de pastores (11 tios, além de seu pai, eram pastores). Freud nasceu em Viena em 1856, vinte e um anos antes de Jung, em uma família judaica. A ascendência religiosa de ambos é importante pois influenciará o posterior rompimento, na medida em que a interpretação do que é religioso na psique é um dos pontos da divergência.

Jung se forma em medicina na Universidade de Basileia, em 1900. Contrariando as expectativas de familiares e professores, que viam uma carreira brilhante na área da cirurgia médica, ele decide pela carreira de psiquiatra. O motivo, segundo ele, é que a psiquiatria lhe daria a oportunidade de reunir duas áreas de interesse: as ciências naturais (medicina) e as ciências humanas (o estudo da psique de pacientes com sérios transtornos mentais). Em 10 de dezembro de 1900, logo após sua formatura, Jung começa a trabalhar no Hospital Burgholzli, em Zurique, na Suíça. Ele é orientando pelo psiquiatra Eugen Bleuler, criador do conceito de esquizofrenia – que anteriormente era chamada de demência precoce. Começam então duas atividades que são fundamentais ao longo da carreira de Jung: a pesquisa empírica e teórica das doenças mentais, por um lado e, por outro, a prática clínica – a tentativa de ajudar ou de melhorar o quadro dos pacientes em sofrimento.

É desta época a elaboração de uma séria de pesquisas utilizando o teste de associação de palavras. Neste teste, há duas pessoas: o paciente e o médico. O médico cria uma sérir aleatória de palavras, em torno de cem, e a cada palavra o paciente deve responder com a primeira que lhe vier à cabeça. Em todos os casos analisados, em algumas palavras, o paciente não respondia ou demorava muito para responder, enquanto que para outras palavras indutoras, respondia apenas com sons semelhantes (como, por exemplo, responder à palavra pai – com cai). Nestas palavras, em que não havia resposta, demora ou som semelhante, haveria uma interferência que o paciente não percebia, mas tentava esconder. A partir de tais experiências, Jung cunhou o conceito de complexo de tonalidade afetiva, que pode ser definido como um forte afeto ligado a uma palavra ou um grupo de palavras (as palavras com alteração na resposta). De acordo com o autor: “Os complexos devem sua relativa autonomia à sua natureza emocional, sua expressão sempre depende de uma rede de associações agrupadas em torno de um centro carregado de afeto” (JUNG, 1991, 601)

A criação do conceito de complexo foi a primeira contribuição de Jung à área da psiquiatria, e influenciou a psicanálise e a psicologia. O conceito de complexo foi utilizado, por exemplo, na teorização a respeito do complexo de Édipo, por Freud. E no conceito de complexo de inferioridade, de Adler.

Durante estes anos iniciais, Jung ficou mundialmente conhecido por suas pesquisas empíricas. Em 1909, ele seria convidado, juntamente com Freud para realizarem conferências, nos EUA, na Universidade de Clark. O convite se deu a partir das pesquisas realizadas por cada autor, antes da colaboração mútua.

O primeiro contato com a obra de Sigmund Freud se deu através do livro A Interpretação dos Sonhos, logo após sua publicação em 1901. De primeiro, Jung confessa não ter compreendido a importância das teorias freudianas, mas após ler atentamente ao livro, inicia um comportamento que manterá nos anos seguinte – a defesa da psicanálise contra críticas infundadas. No começo, esta defesa é tímida e não muito aberta, mas com o passar dos anos, Jung acaba por difundir a psicanálise pela Europa, retirando-a dos estreitos círculos judaicos de Viena. Freud reconheceu a relevância desta defesa, pois no início do século XX (muito antes da ascensão de Hitler ao poder) o antissemitismo, o preconceito contra os judeus, já era forte no continente europeu. De modo que ter encontrado um importante teórico, suíço e protestante, que defendesse a psicanálise foi importante para a psicanálise sair de seu gueto e expandi-se também para outros países.

Continuação – Parte 2:  A colaboração entre Freud e Jung

Psicólogo Clínico e Online (CRP 04/25443), Mestre (UFSJ), Doutor (UFJF), Instrutor de Mindfulness (Unifesp), Coach e Presidente do Instituto Felipe de Souza. Como Professor no site Psicologia MSN venho ministrando dezenas de Cursos de Psicologia, através de textos e Vídeos em HD. Faça como centenas de alunos e aprenda psicologia através de Vídeos e Ebooks! Loja de Vídeos e Ebooks. Você pode também agendar uma sessão de Coaching Online via Skype, Relacionamentos ou Carreira (faculdade). E não se esqueça de se inscrever em nosso Canal no Youtube! Email - psicologiamsn@gmail.com - (12) 3042-0336 - Whatsapp (35) 99167-3191 - Snapchat: psicologiamsn