Por incrível que pareça, este é um fato comprovado. As emoções não são a causa de agirmos de um jeito ou de outro. Sabe quando dizemos uma frase como: “eu estava com raiva, por isso briguei com ele”? Em frases parecidas, procuramos explicar o nosso comportamento (brigar) através de uma causa que seria uma emoção (raiva).

Para a psicologia comportamental, normalmente, esta é apenas e tão somente uma justificativa que não se comprova na prática. Afinal, há a possibilidade de brigar, sem sentir raiva ou sentir raiva e não brigar. Também existe, com certeza, a possibilidade de que os dois eventos ocorram ao mesmo tempo: sentimos raiva e brigamos. Porém, ainda que os eventos possam ser simultâneos, isso não significa que um seja a causa de outro.

As causas do comportamento

Na psicologia comportamental, o comportamento é determinado pela relação de dois fatores básicos: a genética (que faz com que pertençamos a uma espécie) e ao ambiente (a história que o organismo – o individuo neste caso – foi exposto).

Para começarmos a analisar porque um comportamento ocorre, quando e como ocorre, fazemos uma distinção didática de uma relação de 3 termos:

– o que acontece antes

– o comportamento

– o que acontece depois

Se o que acontece depois aumenta o comportamento nas vezes seguintes em que a situação é similar, falamos que há uma consequência que reforça o comportamento. Reforçar, pela definição, é o que faz com que o comportamento aumente de frequência.

Se, por outro lado, o que sucede o comportamento faz com que o comportamento diminua, dizemos que há uma consequência punitiva, há uma punição, pois a punição é o que faz com que o comportamento diminua de frequência.

De modo que, em uma análise funcional do comportamento, só poderemos dizer que o comportamento é reforçado ou punido se analisarmos uma série de emissões do comportamento de uma única classe.

Reforço e punição (positivo e negativo)

Existe um estudo muito interessante chamado “O efeito de contingências de reforçamento programadas sobre o relato de eventos privados” no qual os pesquisadores avaliam os efeitos do reforçamento e punição no relato de estados privados (emoções).

Os autores escrevem: “Este experimento examinou apenas os efeitos das operações básicas de reforçamento (positivo e negativo) e punição (positiva e negativa). Catania (1998/1999) refere estes termos da seguinte maneira: “um estímulo é reforçador positivo se sua apresentação aumenta o responder que o produz, ou um reforçador negativo se sua remoção aumenta o responder que o suspende ou o adia” (p. 418); e “um estímulo é um punidor positivo, se sua apresentação reduz a probabilidade de respostas que o produzem ou um punidor negativo, se sua remoção reduz a probabilidade de respostas que o terminam” (p. 416).

Em outras palavras, o reforçamento positivo ocorre quando há a introdução de um estímulo e esta introdução faz com que aconteça o aumento do comportamento. Um trabalhador realiza o seu trabalho (comportamento) e, como consequência, recebe dinheiro. Neste caso, o dinheiro é o estímulo que é introduzido e faz com que o trabalho aumente de frequência.

No reforçamento negativo, há a retirada de um estímulo e, em virtude disso, o comportamento aumenta. O comportamento de tomar um comprimido para a dor de cabeça é reforçado quando a dor (o estímulo) é retirada.

A punição, como vimos, faz com que o comportamento diminua de frequência. A punição positiva acontece quando o comportamento diminui de frequência com a introdução de um estímulo. Se uma pessoa ingere bebida alcóolica (comportamento) e, em consequência, aparece uma forte dor de cabeça, o comportamento de beber diminui porque há a introdução de um estímulo (a dor de cabeça).

Na punição negativa, há também a diminuição do comportamento só que com a retirada de um estímulo. O trabalhador para de trabalhar (comportamento) ao não receber o seu salário (estímulo).

Voltando ao início do nosso texto, na perspectiva da psicologia comportamental, as emoções podem ocorrer antes, durante ou depois de um esquema de reforçamento ou punição. Mas não devemos atribuir às emoções a causa do comportamento e sim às consequências advindas do comportamento.

O estudo mencionado acima explica no resumo:

“Este experimento investigou o controle de contingências programadas sobre eventos privados do tipo sentir, empregando um procedimento que eliciou tais eventos e evocou o tacto dos mesmos, elucidando como as contingências de reforçamento programadas se relacionam com tactos de eventos privados. Participaram 20 estudantes, de ambos os sexos (11-14 anos) que executaram tarefas do software Psychotacto2.0.

O software simulou quatro contingências básicas (reforço e punição, positiva e negativa) coletando relatos verbais sobre sentimentos em cada contingência.

Resultados: Em cada fase, predominaram os relatos:

Reforçamento Positivo: contentamento, ansiedade, satisfação e alegria;

Punição Negativa: frustração, desapontamento, tristeza e apreensão;

Punição Positiva: raiva, aborrecimento, ansiedade, apreensão e medo;

Reforçamento Negativo: ansiedade, apreensão e alívio.

Conclui-se que a exposição às contingências pode eliciar eventos privados do tipo sentir e produzir tactos que coincidem em grande parte com os tactos “esperados” em cada contingência, de acordo com análises teóricas dos estudos em Análise do Comportamento”.

Conclusão

Assim, apesar de que as emoções talvez apareçam um pouco antes, durante ou logo após um comportamento, temos que aprender a separar a causalidade ou, mais especificamente, as relações funcionais. E porque isto é tão importante?

Porque o que vai aumentar ou diminuir um comportamento não será a emoção e sim as consequências do comportamento.

Por exemplo, sabemos que o facebook faz tanto sucesso – as pessoas se comportam ali publicando, comentando, curtindo – porque o comportamento é constantemente reforçado positivamente e em um esquema bastante eficaz, pois é intermitente (nunca sabemos quando seremos reforçados).

Se, por um problema ou alteração no código, as notificações pararem totalmente, o comportamento de publicar, curtir e comentar certamente diminuirá. Ao mesmo tempo, certas emoções talvez apareçam como frustração (neste caso, a retirada das notificações é uma punição negativa). Entretanto, tentar se motivar, tentar superar a frustração não será eficaz para que o comportamento aumente e sim voltar a ter as consequências do meio.

Ou seja, procurar mudar como nos sentimentos é ineficaz – na maioria dos casos – para o que o comportamento seja modificado. O que modifica o comportamento são as consequências do meio em que estamos inseridos.

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Psicólogo Clínico e Online (CRP 06/145929), Mestre (UFSJ), Doutor (UFJF), Instrutor de Mindfulness e Pós-Doutorando (Unifesp), Coach e Presidente do Instituto Felipe de Souza. Como Professor no site Psicologia MSN venho ministrando dezenas de Cursos de Psicologia, através de textos e Vídeos em HD. Faça como centenas de alunos e aprenda psicologia através de Cursos em Vídeo e Ebooks! Loja de Vídeos e Ebooks. Você pode também agendar uma sessão de Coaching Online via Skype, Relacionamentos ou Carreira (faculdade), fazer o Programa de 8 Semanas de Mindfulness Online e Orientação Profissional Online. E não se esqueça de se inscrever em nosso Canal no Youtube! Email - [email protected] - Agendar - Whatsapp (11) 9 8415-6913