Descubra o que é hipnose – e o que não é. Saiba a história da hipnose e os diversos usos na Psicologia Cogntivo-Comportemantal

Olá amigos!

Continuando a nossa leitura do livro Manual de Técnicas e Terapia e Modificação do Comportamento, organizado por Vicente Caballo, vamos hoje estudar o capítulo sobre a Hipnose. Segundo o autor deste capítulo, E. Thomas Dowd, é melhor a utilização do termo hipnoterapia – ao invés de hipnose – na medida em que a hipnose não é uma técnica isolada, mas deve ser utilizada dentro do contexto da terapia comportamental:

“A hipnose não é uma terapia por si mesma, mas uma técnica especializada que pode ser proveitosamente incorporada a situações terapêuticas particulares. A hipnose deveria ser utilizada unicamente por profissionais bem treinados na prática de sua própria profissão e, inclusive, tais profissionais não deveriam empregá-la como seu único método de tratamento. Assim, é incorreto falar de um “hipnotizador” ou inclusive de um “hipnoterapeuta”: Pelo contrário, deveria-se falar de um psicólogo, de um terapeuta comportamental ou de um médico que estão treinados em, e usam, a hipnose” (Dowd, p. 609).

História da Hipnose

O início do uso da hipnose na história é difícil de ser precisado. Mas sabemos que técnicas semelhantes eram utilizadas em ritos e cerimônias religiosas em diversas culturas. Segundo Dowd, a sistematização e a forma mais contemporânea deve ser atribuída à Paracelso, que foi um autor e pesquisador controverso, mas a quem também se atribui a modificação do sistema da medicina da concepção dos temperamentos de Hipócrates para a concepção bioquímica moderna (embora bastante ligada, ainda, à alquimia).

“O estudo moderno, do que agora se denomina hipnose, começou com Paracelso, que acreditava que as forças magnéticas (em particular aquelas que provêm das estrelas) influíam sobre as pessoas através de ondas invisíveis. O conceito se ampliou mais tarde para incluir a idéia do “magnetismo animal”, uma força similar ao magnetismo físico, que emana do corpo humano e que podia influir nos pensamentos e nas ações dos outros”.

Outro autor que marcou o desenvolvimento da hipnose como conhecemos é Mesmer – cujo nome deu origem ao mesmerismo (sinônimo para hipnose).

Dowd afirma:

“Estes conceitos [de magnetismo animal] foram refinados e organizados pelo médico austríaco, Franz Anton Mesmer, que alegou que as doenças poderiam ser curadas passando-se ímãs por cima do corpo da pessoa que sofria. Posteriormente, descobriu que os ímãs não eram necessários e atribuiu as curas ao “magnetismo animal” contido no próprio corpo. O trabalho de Mesmer foi, finalmente, investigado por uma comissão francesa de prestígio, que decidiu que o “magnetismo animal” (ou “mesmerismo”) não existia, mas que era o resultado da imaginação e sugestão. O mesmerismo (e Mesmer) foi desacreditado e a hipnose foi esquecida temporariamente.

A palavra hipnose foi criada por James Braid que relacionou o estado ao sonho (hipnose vem do grego Hypnos que significa sono), mas Braid afirmava que a hipnose consistia em um estreitamento da consciência, próximo ao sono em certo sentido, porém, diferente dele.

Freud aprendeu as técnicas da hipnose com Charcot. Porém, após uma adoção entusiasmada da técnica, a abandou julgando-a ineficaz. Fato que fez com que a hipnose fosse desacreditava novamente.

Contudo, a partir especialmente dos trabalhos de Milton Erikson a hipnose voltou a se popularizar, a ser estudada e praticada em maior escala.

O que é e o que não é hipnose?

Apesar do nome, é importante salientar que a hipnose não é igual ao sono, a um sonho. O paciente ou cliente não dorme na sessão, nem, tampouco há perda da consciência. O que ocorre é a mudança da concentração para certos estímulos, de uma maneira, em geral, não muito comum no cotidiano de cada um de nós.

Outra concepção equivocada sobre a hipnose, é a seguinte: “A hipnose implica em uma rendição da vontade e, portanto, o sujeito se encontra sob o controle do hipnotizador”. Segundo Dowde, “toda hipnose é auto-hipnose. Os indivíduos deixam-se introduzir em um transe porque assim o desejam. A hipnose não pode ser induzida sem a colaboração do sujeito” (Dowd, p. 610).

Também devemos esclarecer que a hipnose não coloca o paciente em um estado que o conduz a fazer coisas contra a sua vontade. Além disso, é preciso compreender que existem estados de hipnose provocados formalmente (com a presença de um hipnoterapeuta) e estados chamados de informais, que acontecem normalmente no cotidiano.

“Por exemplo, alguns indivíduos estão tão profundamente absortos em uma atividade, que perdem a noção do tempo (distorção do tempo) ou não percebem os estímulos externos. O termo “hipnose da estrada” se refere ao comportamento da pessoa que viaja em automóvel de um lugar a outro sem se darconta do itinerário. Os hipnoterapeutas ericksonianos, em especial, utilizam com freqü.ncia os transes informais”(Dowd, p. 610).

A Prática da hipnose na Psicologia Comportamental

Didaticamente, podemos dividir em cinco etapas uma sessão de hipnose:

1) preparação do paciente,

2) indução hipnótica,

3) aprofundamento da hipnose,

4) emprego do transe hipnótico para propósitos terapêuticos e

5) finalização.

1) Preparação do paciente

Nesta etapa, o hipnoterapeuta esclarece o que é a hipnose e o que não é para o paciente, estabelecendo a relação terapêutica para que o processo seja realizado.

2) Indução hipnótica

“O número de possíveis técnicas de indução que poderiam ser utilizadas pelos hipnotizadores é potencialmente infinito, limitado somente por sua própria criatividade” (Dowd, p. 617). Evidentemente, o hipnoterapeuta competente terá aprendido as técnicas de indução e poderá escolher qual é a mais adequada para o paciente que está tratando.

Uma técnica de indução hipnótica bastante comum é a do relaxamento progressivo, baseado na dessensibilização sistemática:

“Por exemplo, o hipnoterapeuta pode começar assim:

Primeiro relaxe os músculos da cabeça, sentindo como a tensão escapa para baixo…, agora os olhos…, depois as mandíbulas, deixando que a boca se abra livremente…, agora os músculos do pescoço, sentindo como toda a tensão flui para baixo […]. [O procedimento do relaxamento progressivo pode terminar como segue.] E agora relaxe os tornozelos…, agora os pés…, e finalmente os dedos dos pés, deixando que toda a tensão escape pelos dedos dos pés.

As sugestões de relaxamento devem ser acompanhadas de sugestões para a focalização da atenção, como:

[…] conforme você sente que os músculos do peito se relaxam, pode concentrar-se em seu padrão de respiração e deixar que esta seja cada vez mais lenta e mais profunda, [ou]… à medida que você relaxa cada vez mais, pode observar como sua atenção se concentra cada vez mais em seu corpo e no som da minha voz e cada vez menos em outros sons e em outras sensações, (ou)… conforme vai relaxando cada vez mais, percebe que vai se liberando progressivamente da tensão” (Dowd, p. 617).

3) Aprofundamento da hipnose

Na prática, em geral, é difícil distinguir a indução do chamado aprofundamento, já que a própria indução pode levar a um profundo estado de hipnose. Porém, por vezes, o hipnoterapeuta utiliza metáforas, visualizações – como estar descendo uma escada ou contar de 10 até 1 – para estabilizar a indução.

4) Emprego do transe hipnótico para propósitos terapêuticos

O grande objetivo da hipnoterapia é tornar possível, dentro do momento do estado hipnótico, a modificação de crenças, pensamentos e comportamentos disfuncionais ou negativos. Por isso, Dowd frisa o tempo todo a necessidade de considerar a hipnose apenas como uma ferramenta para a psicoterapia e não como uma técnica isolada (já que a indução hipnótica é relativamente fácil e, se não for utilizada com um propósito, acaba por ser sem sentido).

“No caso da auto-hipnose e durante o transe, o sujeito pode dar a si mesmo instruções construtivas, modificando o pensamento negativo e irracional e empregando a imaginação de forma terapêutica” (Dowd, p. 621).

5) Finalização

“Para tirar o paciente do transe, considera-se que o melhor é empregar o procedimento inverso ao da indução e aprofundamento hipnótico. Deste modo, se se hipnotizou o sujeito empregando o método das escadas com 15 degraus, deve- se tirá-lo contando para trás 15 degraus. Neste caso, um método popular é contar de 5 a 1 ou de 10 a 1” (Dowd, p. 621).

Conclusão

A técnica da hipnose é geralmente utilizada na psicologia comportamental para o controle da dor, a modificação de hábitos, transtorno por abuso de substâncias (álcool e drogas) e igualmente na reestruturação cognitiva, ou seja, para melhorar a auto- estima e o funcionamento psicológico geral.

Referências bibliográficas

Caballo, V. Manual de Técnicas e Terapia e Modificação do Comportamento. 

Psicólogo Clínico e Online (CRP 06/145929), Mestre (UFSJ), Doutor (UFJF), Instrutor de Mindfulness e Pós-Doutorando (Unifesp), Coach e Presidente do Instituto Felipe de Souza. Como Professor no site Psicologia MSN venho ministrando dezenas de Cursos de Psicologia, através de textos e Vídeos em HD. Faça como centenas de alunos e aprenda psicologia através de Cursos em Vídeo e Ebooks! Loja de Vídeos e Ebooks. Você pode também agendar uma sessão de Coaching Online via Skype, Relacionamentos ou Carreira (faculdade), fazer o Programa de 8 Semanas de Mindfulness Online e Orientação Profissional Online. E não se esqueça de se inscrever em nosso Canal no Youtube! Email - [email protected] - Agendar - Whatsapp (11) 9 8415-6913