Na medida em que o nosso site está constantemente crescendo – estamos chegando a 10 milhões de acessos – sempre recebo perguntas sobre como é a faculdade e a carreira de psicologia. Agora há pouco, uma querida leitora, a Fernanda, me perguntou: “o que fez você se apaixonar pela Psicologia?”

Bem, o objetivo deste texto é responder a esta pergunta, evidentemente, de uma maneira pessoal. É, em certo sentido, uma autoavaliação desde percurso.

Antes da faculdade

Eu sempre gostei de ler. Tenho fotos de criança, lendo quadrinhos, revistinhas, livros. Na adolescência, apesar dos altos e baixos naturais desta fase, continuei lendo. Lia muita literatura, brasileira e estrangeira e muitas outras áreas me interessavam. Arquitetura, artes, história, filosofia.

Um momento marcante, me lembro perfeitamente desta imagem, foi o encontro com o livro O Homem e Seus Símbolos:

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Recentemente, adquiri a versão original:

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O que mais me marcou neste livro foi esta imagem inicial:

A imagem mostra dentro de uma das pirâmides do Egito e o título pode ser traduzido como “adentrando” ou “acessando” o inconsciente. De alguma forma, isso acendeu para mim o alerta de que seria possível reunir uma grande parte dos meus interesses em uma só área. Havia ali o grande mistério do Egito (acreditar que isso foi apenas um sarcófago para faraós sempre me pareceu um erro de avaliação), com suas iniciações e conhecimentos que não passaram para as gerações seguintes. Segundo consta, eles faziam, por exemplo, cirurgias no cérebro.

Havia também a arte, a arquitetura – não é incrível imaginar um prédio que dure milênios? Os nossos geralmente  não passam de um século – e além da arte e arquitetura havia esse mistério. Mystai dá a palavra místico, assim como está relacionada a mistério. Mystai é aquele que é iniciado nos mistérios, um conhecimento de difícil acesso e que exige dedicação e comprometimento ético. Platão, Pitagoras e muitos outros foram para o Egito buscar esse tipo de conhecimento.

Mas, mais do que isso, o que me impactou foi a ideia de um inconsciente pessoal. De uma parte de mim que desconheço, que talvez eu tenha conhecido e não mais conheça ou reconheça. Talvez algo que eu só vou atingir em um futuro. E, certamente o mais impactante, era a ideia de que seria possível estudar todas estas ideias através de uma linguagem atual, com uma perspectiva baseada nas ciências. (Embora existam muitas controvérsias, Jung afirma que a psicologia analítica é uma ciência natural, na medida em que a psique é natureza).

Orientação profissional

Mas ainda havia uma questão significativa a ser pensada, que era com o que trabalhar depois de formado. Uma coisa é gostar de ler e de estudar e outra coisa é trabalhar em uma área. Com a orientação profissional com uma excelente psicóloga em minha cidade, consegui descobrir que haviam três áreas básicas para o meu interesse:

  • dar aulas (história, filosofia, pedagogia, letras…)
  • escrever (jornalismo)
  • trabalhar com psicologia clínica

Como não tinha, com 16 anos, a ideia de ser professor, exclui todas as faculdades de licenciatura, ainda que cem por cento da atuação não seja em sala de aula, vi que o mercado é predominantemente voltado para o ensino.

Me inscrevi então para o vestibular da UFMG para comunicação social e para o vestibular da UFSJ para psicologia. Como o da UFSJ foi antes, tive o resultado da aprovação antes de ter que fazer o da UFMG e acabei nem indo para BH fazer esta prova.

Duvidas durante a faculdade

Durante a graduação, é comum ter dúvidas se é isto mesmo que queremos. Como entrei com 17 anos e me formei com 22, aqui e ali apareciam questões sobre se a psicologia seria a carreira mais adequada para o meu perfil.

Eu sabia, tinha certeza, de que eu queria continuar estudando as várias teorias da psicologia. Era exatamente esse conhecimento que tinha me feito apaixonar por quase tudo o que eu estava estudando. Mas será que apenas gostar de estudar seria suficiente para eu ter sucesso em minha carreira?

Caminhos tortuosos

Tracei o plano de estudar a fundo a psicologia clínica e, concomitantemente, estudei também muito a psicologia organizacional, a psicologia nas empresas. Desta forma, teria um plano B.

Muitos diziam para mim que a psicologia clínica é instável, que demora até divulgar o consultório e ter muitos pacientes, a agenda cheia. Portanto, pensei: se for assim posso atuar com RH.

Um sonho

No meio desse percurso tive um sonho que me marcou. Sonhei que estava conversando, em uma festa em minha república sobre James Joyce. Analisando o sonho, percebi que não sabia quem era James Joyce. Tinha a impressão de que ele era um escritor, razão pela qual fui até a biblioteca da universidade para checar. Encontrei o Retrato do Artista quando Jovem. Li as primeiras palavras: “era uma vez e uma vez muito boa mesmo um pequeno garoto”… e não parei mais. Andava pra cima e pra baixo com o livro e as pessoas diziam que o retrato da capa parecia comigo:

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Me veio então a ideia de ver na faculdade de letras se havia algum professor especialista em Joyce. Encontrei a querida Professora Doutora Magda Velloso, que tinha feito mestrado e doutorado sobre Joyce! Propus para ela um grupo de estudos e ela não tinha tempo. Ficamos amigos, sempre ia até a sua sala pra mostrar algo que tinha encontrado sobre Joyce e um pouco depois recebi o convite para ser bolsista de iniciação científica. Na Letras!

Curioso como o nosso caminho vai sendo construído. Um certo dia estava no corredor e conversei com uma de minhas professoras de psicologia escolar. Ela me disse que eu deveria fazer mestrado, já que eu estava gostando da iniciação. “Mas as pessoas não fazem mestrado pra dar aula?” – quis confirmar. Ela disse que sim. Como não pensava em dar aulas, abandonei a ideia.

A identidade do artista quando jovem

Três anos depois, depois de passar por um período no RH e tentando concursos, fui aprovado no mestrado. Minha ideia era morar perto da minha namorada, que estava indo fazer faculdade em São João, e utilizar a grana da bolsa como um salário. Até que na época não era um “salário” baixo. Ganharia mais ou menos o que ganhava com RH, só que com menos trabalho e estudando Joyce!

Para ajudar, nesse período, dei aulas de inglês, alemão e italiano. Foi um período bem intenso e, apesar de já estar dando aulas, como professor de idiomas, e já está dando aulas na faculdade (estágio docente) e os diversos seminários do mestrado, ainda não tinha assumido a ideia de me considerar um professor.

Antes de defender minha dissertação de mestrado, passei no doutorado para, agora e finalmente, estudar Jung.

O Livro Vermelho de Jung 

Na data de hoje (16/10/2015) estou em Juiz de Fora para entregar a versão final da minha tese e pedir o diploma. Muitas e muitas coisas aconteceram, profissionalmente, entre 2011 e hoje. Construí esse site com mais de mil textos sobre psicologia, mais de cem vídeos sobre algumas das mais importantes áreas da psicologia e da psicanálise, o nosso canal do YouTube tem mais de 10.000 inscritos e o nosso site perto de 10 milhões de visualizações.

Mas foi só recentemente que assumi a identidade de professor. Meu e-mail agora vem para os contatos como Professor Felipe de Souza.

Curioso como fui estudando e estudando e procurando outras áreas para trabalhar que não o ensino. E fui levado, um milhão de vezes, de novo para atuar ensinando.

Conclusão

Creio que com esta mini-biografia eu tenha conseguido explicar como eu vim me apaixonar pela psicologia. Um critério que ajuda a pensar a profissão é : “o que você estudaria e o que você gostaria de contribuir… se tivesse uma boa renda mensal e não precisasse trabalhar?”

Eu certamente estudaria psicologia e todas as áreas afins, inclusive muitos livros de autoajuda. Confesso que ainda tenho certas dúvidas sobre ser professor. Ao menos nesse sentido formal de estar dentro de uma instituição. Tenho gostado de gravar os vídeos em meu estúdio e ter liberdade de pauta e horário.

Continuo atendendo, como psicólogo e Coach. Mas este não é mais o meu objetivo A. A vida foi realmente me conduzindo para esta outra atuação, “aprender para ensinar, ensinar para aprender”.

Jung diz que o que desconhecemos de nós mesmos acaba definindo o nosso percurso e nós chamamos isso de destino. O sonho com o artista, Stephen Dedalus, me conduziu ou reconduziu para a área acadêmica. Na continuação do Retrato, no Ulisses, Joyce fez de Dedalus um professor.

Psicólogo Clínico e Online (CRP 06/145929), Mestre (UFSJ), Doutor (UFJF), Instrutor de Mindfulness e Pós-Doutorando (Unifesp), Coach e Presidente do Instituto Felipe de Souza. Como Professor no site Psicologia MSN venho ministrando dezenas de Cursos de Psicologia, através de textos e Vídeos em HD. Faça como centenas de alunos e aprenda psicologia através de Cursos em Vídeo e Ebooks! Loja de Vídeos e Ebooks. Você pode também agendar uma sessão de Coaching Online via Skype, Relacionamentos ou Carreira (faculdade), fazer o Programa de 8 Semanas de Mindfulness Online e Orientação Profissional Online. E não se esqueça de se inscrever em nosso Canal no Youtube! Email - [email protected] - Agendar - Whatsapp (11) 9 8415-6913