“Os maiores problemas enfrentados hoje pelo mundo só poderão ser resolvidos se melhorarmos nossa compreensão do comportamento humano” (Skinner) 

Olá amigos!

Depois de diversos Cursos sobre psicanálise, psicologia analítica de Jung, psicologia cognitiva e RH, nós estamos começando agora no Psicologia MSN um novo ramo de cursos dedicados à psicologia comportamental ou behaviorismo.

Saiba mais – Curso Skinner – Sobre o Behaviorismo

A partir de nossa experiência com estes cursos anteriores, vamos estudar em profundidade um livro por vez, fazendo com que a leitura e o entendimento destas grandes obras seja acessível, fácil de entender e didática.

Assim, o primeiro livro sobre a psicologia comportamental que estudaremos juntos é a obra de B. F. Skinner intitulada Sobre o behaviorismo. E é curioso porque logo no começo do livro Skinner aponta que existem muitos preconceitos e pressuposições equivocadas quanto à esta abordagem.

(Eu confesso que eu mesmo tinha alguns preconceitos destes listados abaixo). Então, vamos ver o que Skinner diz e comentar em seguida:

20 Equívocos comuns sobre o Behaviorismo

  1. O Behaviorismo ignora a consciência, os sentimentos e os estados mentais
  2. Negligencia os dons inatos e argumenta que todo comportamento é adquirido durante a vida do indivíduo
  3. Apresenta o comportamento simplesmente como um conjunto de respostas a estímulos, descrevendo a pessoa como um autômato, um robô, um fantoche ou uma máquina
  4. Não tenta explicar os processos cognitivos
  5. Não considera as intenções ou propósitos
  6. Não consegue explicar as realizações criativas – na Arte, por exemplo, ou na Música, na Literatura, na Ciência ou na Matemática
  7. Não atribui qualquer papel ao eu ou à consciência do eu.
  8. É necessariamente superficial e não consegue lidar com as profundezas da mente ou da personalidade
  9. Limita-se à previsão e ao controle do comportamento e não apreende o ser, ou a natureza essencial do homem
  10. Trabalha com animais, particularmente com ratos brancos, mas não com pessoas, e sua visão do comportamento humano atém-se, por isso, àqueles traços que os seres humanos e os animais tem em comum
  11. Seus resultados, obtidos nas condições controladas de um laboratório, não podem ser reproduzidos na vida diária, e aquilo que ele tem a dizer acerca do comportamento humano no mundo mais amplo torna-se, por isso, uma metaciência não-comprovada.
  12. Ele é supersimplista e ingênuo e seus fatos são ou triviais ou já conhecidos
  13. Cultua os métodos da Ciência mas não é científico; limita-se a emular as Ciências
  14. Suas realizações tecnológicas poderiam ter sido obtidas pelo uso do senso comum
  15. Se suas alegações são válidas, deve aplicar-se ao próprio cientista behaviorista e, assim sendo, este diz apenas aquilo que foi condicionado a dizer e que não pode ser verdadeiro.
  16. Desumaniza o homem; é redutor e destrói o homem enquanto homem
  17. Só se interessa pelos princípios gerais e por isso negligencia a unicidade do individual
  18. É necessariamente antidemocrático porque a relação entre o experimentador e o sujeito é de manipulação e seus resultados podem, por essa razão, ser usados pelos ditadores e não pelos homens de boa vontade.
  19. Encara as ideias abstratas, tais como moralidade ou justiça, como ficções.
  20. É indiferente ao calor e à riqueza da vida humana, e é incompatível com a criação e o gozo da arte, da música, da literatura e com o amor ao próximo (SKINNER, p. 7-8).

Comentário

Antes de comentarmos, é bom fazermos uma distinção importante. Skinner afirma que o behaviorismo é a filosofia e a análise experimental do comportamento é a ciência que estuda o comportamento. Desta forma, quando falamos em behaviorismo estamos lidando com a epistemologia, o modo, o paradigma – se podemos dizer desta forma – que possibilita o estudo científico.

Um erro comum de quem está começando a estudar a psicologia comportamental é não compreender que existe uma evolução histórica deste estudo. Assim, as obras de Pavlov e de Watson, embora importantes como início, não representam a totalidade do que já é conhecido.

Por exemplo, o modelo do arco-reflexo (estímulo externo gerando um comportamento) e o condicionamento pavloviano representam apenas os modelos iniciais do estudo. Conforme o próprio argumento de Skinner, foi até certo ponto uma ingenuidade de Watson dizer que estes modelos iniciais poderiam explicar toda a complexidade do comportamento humano.

O Behaviorismo ignora a consciência, os sentimentos e os estados mentais

O behaviorismo não ignora a consciência, os sentimentos e os estados mentais. Apenas possui uma outra definição para este tipo de comportamento, ou seja, é um comportamento encoberto, na grande maior parte das vezes acessível apenas pelo próprio sujeito. Apesar disso, e apesar das dificuldades de acesso, é um comportamento regido por regras semelhantes aos outros comportamentos.

Negligencia os dons inatos e argumenta que todo comportamento é adquirido durante a vida do indivíduo

Cada organismo e cada indivíduo nasce com características genéticas. Então, seria um erro afirmar que todo e qualquer comportamento é adquirido pelo meio. Muitos comportamentos, como os chamamos comportamentos inatos, surgem através de uma interrelação entre o meio e a fisiologia.

Apresenta o comportamento simplesmente como um conjunto de respostas a estímulos, descrevendo a pessoa como um autômato, um robô, um fantoche ou uma máquina

Como vimos acima, a explicação tipo arco-reflexo é útil para dar conta de certos fenômenos, mas não explica tudo. Acreditar que o behaviorismo conta apenas com este tipo de explicação é ignorar o seu desenvolvimento histórico.

Não tenta explicar os processos cognitivos

O livro de Skinner intitulado Comportamento Verbal é um excelente trabalho para mostrar que os processos cognitivos complexos, nos quais podemos incluir a linguagem, não estão fora do campo de estudos da psicologia comportamental.

Não considera as intenções ou propósitos

Não é que o behaviorismo não considere as intenções ou propósitos. Apenas não se contenta com explicações circulares que não explicam de fato as causas do comportamento. Se digo que levantei porque tive vontade e tive vontade e levantei não estou explicando nada, embora pareça, no senso comum, que esta seja uma explicação válida.

Não consegue explicar as realizações criativas – na Arte, por exemplo, ou na Música, na Literatura, na Ciência ou na Matemática

Através dos conceitos elaborados por Skinner, especialmente o conceito de condicionamento operante, podemos passar a compreender a modelagem do comportamento – que vai nos permitir compreender os comportamentos ligados à arte, tanto na reprodução como na criação.

Não atribui qualquer papel ao eu ou à consciência do eu

Evidentemente, o behaviorismo utilizará um outro arcabouço teórico para falar do eu e da consciência. O problema das palavras, dos termos utilizados em um ramo do conhecimento, é conhecido. Afinal, uma teoria pode utilizar um termo, com significado diferente das outras linhas. Isso é algo comum e recorrente.

De toda forma, é equivocado dizer que não há papel para o eu ou para a consciência em um dado comportamento. O que notamos é uma ênfase diferenciada para a explicação das causas.

É necessariamente superficial e não consegue lidar com as profundezas da mente ou da personalidade

A ideia de profundeza é uma metáfora, apenas. É claro que um organismo como o ser humano é extremamente complexo, razão pela qual a terapia baseada na análise experimental do comportamento considera a história individual, o repertório comportamental e as influências atuais que mantém ou extinguem uma classe de respostas.

Limita-se à previsão e ao controle do comportamento e não apreende o ser, ou a natureza essencial do homem

No behaviorismo, notamos a preocupação com as causas do comportamento bem como com as suas consequências, assim como com a previsão e controle do comportamento, quando necessário. As palavra natureza ou essência, advindas da filosofia, representam um outro tipo de explicação (centrada na introspecção). A ausência destes termos no behaviorismo, entretanto, não exclui a consideração da individualidade de cada ser (ou organismo).

Trabalha com animais, particularmente com ratos brancos, mas não com pessoas, e sua visão do comportamento humano atém-se, por isso, àqueles traços que os seres humanos e os animais tem em comum

Da mesma forma que acontece com outras ciências, as experiências com ratos são comuns, devido à facilidade e por questões éticas. Contudo, é incorreto dizer que as pesquisas se limitam ao estudo em laboratório com ratos.

Seus resultados, obtidos nas condições controladas de um laboratório, não podem ser reproduzidos na vida diária, e aquilo que ele tem a dizer acerca do comportamento humano no mundo mais amplo torna-se, por isso, uma metaciência não-comprovada.

Esta é uma visão preconcebida. É claro que as condições em um meio serão diferentes em outro meio. Por exemplo, nos comportamos de uma maneira em uma sala de aula e de outro em um refeitório ou cantina. Apesar as diferenças, as descobertas no laboratório frequentemente podem ser extrapoladas para a vida cotidiana.

Ele é supersimplista e ingênuo e seus fatos são ou triviais ou já conhecidos

Este é um julgamento de valor que invalida um conhecimento pela desvalorização. Por isso, não é necessário nos alongarmos no comentário.

Cultua os métodos da Ciência mas não é científico; limita-se a emular as Ciências

Precisaríamos de um espaço maior para comentar o que é ciência e o que não é ciência. Em suma, devemos admitir que a comunidade científica reconhece na psicologia comportamental uma das linhas com maior comprovação científica. (Nota-se que a Associação Brasileira de Psicologia Comportamental também inclui a Medicina Comportamental, o que indica desde já o respeito dado a esta abordagem da psicologia).

Suas realizações tecnológicas poderiam ter sido obtidas pelo uso do senso comum

Esta afirmação também baseia-se na ignorância do que é a psicologia comportamental e dos resultados obtidos em milhares de pesquisas controladas.

Se suas alegações são válidas, deve aplicar-se ao próprio cientista behaviorista e, assim sendo, este diz apenas aquilo que foi condicionado a dizer e que não pode ser verdadeiro.

Evidente que o cientista também encontra-se em um meio ambiente e é influenciado – como pode vir a influenciar – este. Mas as evidências dos resultados das pesquisas podem e devem ser contestados pela comunidade científica composta por outros pesquisadores (de outros países). A evidência fica mais forte com mais pesquisas embasando as hipóteses.

Desumaniza o homem; é redutor e destrói o homem enquanto homem

É engraçado este tipo de afirmação, frequentemente presente. A fim de comentar este tipo de aversão ao behaviorismo (muito difundida pela psicologia humanista), é interessante conhecer o livro de Skinner, Walden Two. 

Ainda que seja um livro de ficção, notamos ali a profunda vontade de um dos maiores pesquisadores da psicologia comportamental para melhorar a sociedade e fazer com que cada um encontre um caminho produtivo que seja satisfatório para si.

Só se interessa pelos princípios gerais e por isso negligencia a unicidade do individual

Já comentamos em outros equívocos sobre a individualidade. Embora os termos não sejam estes, com os estudos, notamos que há uma avaliação sempre muito atenta das diferenças comportamentais entre os indivíduos, entre as espécies e, inclusive, a diferença entre o comportamento anterior, o atual e o possível no futuro na história de uma mesma pessoa. 

É necessariamente antidemocrático porque a relação entre o experimentador e o sujeito é de manipulação e seus resultados podem, por essa razão, ser usados pelos ditadores e não pelos homens de boa vontade.

O conhecimento de uma determina disciplina pode ser utilizado de diversas formas, o que não invalida o conhecimento adquirido que tem valor em si. Como mencionado anteriormente, a grande preocupação de autores como Skinner residia em como melhorar a sociedade e o indivíduo, para que este pudesse realizar o que lhe fosse interessante, excluindo a coerção por punição e valorizando o reforçamento positivo.

Encara as ideias abstratas, tais como moralidade ou justiça, como ficções.

De novo, caímos no problema das nomenclaturas. Conceitos gerais descrevem classes de respostas. Devemos saber separar o uso (ou não uso) de um determinado termo em uma disciplina da valorização ou desvalorização de preceitos éticos.

É indiferente ao calor e à riqueza da vida humana, e é incompatível com a criação e o gozo da arte, da música, da literatura e com o amor ao próximo

Também como já vimos, o início do behaviorismo foi ao mesmo tempo precário, em termo de conhecimentos e modelos disponíveis, e presunçoso ao querer explicar tudo, sem poder. Com o tempo, os modelos foram se aperfeiçoando e foi possível incluir explicações sobre a criatividade e a vida afetiva e emocional dos indivíduos.

Saiba mais – Curso Skinner – Sobre o Behaviorismo

Psicólogo Clínico e Online (CRP 06/145929), Mestre (UFSJ), Doutor (UFJF), Instrutor de Mindfulness e Pós-Doutorando (Unifesp), Coach e Presidente do Instituto Felipe de Souza. Como Professor no site Psicologia MSN venho ministrando dezenas de Cursos de Psicologia, através de textos e Vídeos em HD. Faça como centenas de alunos e aprenda psicologia através de Cursos em Vídeo e Ebooks! Loja de Vídeos e Ebooks. Você pode também agendar uma sessão de Coaching Online via Skype, Relacionamentos ou Carreira (faculdade), fazer o Programa de 8 Semanas de Mindfulness Online e Orientação Profissional Online. E não se esqueça de se inscrever em nosso Canal no Youtube! Email - [email protected] - Agendar - Whatsapp (11) 9 8415-6913