E com dicas de como fazer a carreira decolar!

Olá amigos!

Uma querida leitora me pediu que falasse sobre as dificuldades que enfrentei no início da carreira. Vou compartilhar um pouco da minha história aqui, mas não gostaria de me limitar a ela, nem à psicologia. Portanto, o meu objetivo com este texto é descrever as principais dificuldades no início da carreira em geral e dar dicas de como fazer para ter mais oportunidades e mais dinheiro.

Minha história na psicologia

Me formei em 2006 e logo que me formei tive a oportunidade de trabalhar em um asilo, para substituir uma psicóloga que havia entrado com o pedido de licença maternidade. Fiquei em dúvida quanto à proposta, que era por tempo determinado, e pelo salário que não era alto. Acabei aceitando mas por pouco tempo. Sai em menos de um mês porque vi que o trabalho que ela fazia seria muito diferente do trabalho que eu faria. Então, não fazia sentido começar um trabalho para ser interrompido logo em seguida.

Depois voltei minha atenção para os concursos públicos. Tentei 4 ou 5. Fui bem em todos. Na verdade, em todos não consegui entrar por 1, 2, 3 pontos apenas. Porém, percebi que deveria haver alguma coisa errada. As provas eram muito diferentes do que era pedido nos editais. Suspeito que os processos não tenham sido muito honestos.

No início de 2007, comecei a trabalhar com RH. Foi uma das experiências mais ricas que tive neste começo, embora soubesse que essa não era a minha área. O meu objetivo era trabalhar como psicólogo clínico.

Neste início, aprendi algumas coisa importantes:

1) Não adianta ir muito contra a sua própria intuição. Sabia que o trabalho no asilo não daria certo – e não deveria ter me deixado convencer pelos outros – assim como sabia que o trabalho no RH não seria duradouro.

2) O mais importante é saber o que se quer. Ou seja, qual é o objetivo principal? Com o que se quer trabalhar?

Poderia ter tido uma carreira bem sucedida com a psicologia dentro das empresas, contudo, percebi que se continuasse ia criar um currículo perfeito dentro de uma área na qual não gostaria de estar trabalho nos próximos 10 anos. Se começasse daqui a 10 anos, seria o mesmo que começar agora – pensei. Então, decidi começar o quanto antes e, apesar de difícil, larguei o RH.

3) Nem sempre o que se quer é o melhor no momento, entretanto. Depois de ter largado o RH e ter aberto o meu consultório, vi uma oportunidade única de continuar estudando. E fui fazer mestrado. Isso me ensinou que às vezes os caminhos são tortuosos e, além disso, nada impede-nos de ter duas carreiras concomitantes. Em 2008, decidi também iniciar meu percurso na área acadêmica (enquanto mantinha meu projeto na clínica).

Principais dificuldades no início da carreira

Existem muitas dificuldades no início da carreira. As principais dificuldades podem ser divididas em dois polos:

– o próprio indivíduo

– o mercado

Dividir deste modo nos ajuda, didaticamente, a entender que existem questões que são internas e outras questões que são externas. Por exemplo, eu não posso reclamar de não ter tido boas oportunidades no mercado (no RH), mas a dificuldade enfrentada foi não reconhecer e aceitar o que queria – que não era o RH.

Por outro lado, enfrentei dificuldades de estabelecer meu consultório de imediato. Como me formei com 22 anos e como fui morar em uma cidade muito pequena (São Lourenço) e como tinha poucos contatos, o consultório não deu tão certo quanto esperava no começo.

Portanto, temos aí os dois polos: questões internas (não ter foco e ir atrás direto dos próprios objetivos) e não estar no melhor mercado possível (como uma cidade com mais oportunidades ou ter uma rede de contatos eficientes).

Entretanto, eu resumiria a maior dificuldade na não compreensão da economia. Infelizmente não temos muito conhecimento sobre a economia. Não digo saber sobre câmbio, taxas de juros ou coisas do gênero e sim sobre o funcionamento e a lógica do mercado de trabalho.

 – Recomendo muitíssimo o livro O Manual do CEO 

Para os profissionais liberais, isso significa saber o básico sobre:

– demanda;

– público-alvo;

– marketing;

– contabilidade;

Demanda

Toda profissão – se envolve remuneração – pode ser pensada como um negócio. Um negócio visa o lucro ao oferecer às pessoas e empresas um produto ou serviço. E o que é oferecido, para ser sustentável, deve ter o objetivo de preencher uma demanda.

Por exemplo, eu posso abrir um consultório para atender pacientes de cirurgia bariátrica aqui em São Lourenço. Certamente, em uma cidade de 40.000 habitantes, não haverá demanda e eu vou atender um ou dois por ano.

Portanto, é preciso entender qual demanda a carreira vai preencher no mercado.

Público-alvo

Próxima à definição da demanda, está presente a delimitação do público-alvo. Um psicanalista pode construir sua carreira oferecendo análise para futuros psicanalistas (estudantes de psicologia e psicanálise). Ele estará preenchendo uma demanda no mercado – que é a análise didática – e estará com o seu público-alvo definido: futuros profissionais da área e não a população em geral.

Marketing

Geralmente, existe uma visão muito equivocada do marketing e das vendas ou do marketing de um profissional – aquele profissional que sabe se vender. Mas, para não nos estendermos em demasia, é suficiente lembrar do ditado “quem não é visto, não é lembrado”.

Dentro das regras da profissão, é possível sim passar a divulgar a sua atuação. Para cada profissional vai funcionar de um jeito. Para uns, será útil divulgar seu cartão de visita em certos locais públicos, para outros será melhor divulgar para outros profissionais, enquanto para outros o melhor será comprar espaços de propaganda em jornais ou sites.

Contabilidade

A contabilidade é importante por dois motivos básicos: é evidente que devemos fazer tudo dentro da lei (e como a legislação tributária é muito confusa, é recomendável ter a ajuda de um profissional). Além disso,  ter uma empresa, um CNPJ, pode ser a diferença que vai fazer a diferença ao poder vender seu produto ou serviço para outras empresas, conseguir participar de licitações ou conseguir contratos específicos com o governo.

Sobre ter uma empresa

quadrante-fw

Por fim, gostaria de comentar esta imagem, chamada de Quadrante Cashflow, criada por Robert Kiyosaki. Se o objetivo profissional for enriquecer, é importante saber que existem formas mais rápidas.

E = empregado

A = autônomo

D = dono de negócio

I = investidor

Se você observar as pessoas que tem muito dinheiro, verão que elas geralmente estão do lado direito do quadrante: ou são donos de negócio ou são investidores (imóveis, ações, etc).

Um autônomo, como um profissional liberal, também pode ganhar muito bem, entretanto, terá um limite que é o tempo. Assim como o empregado, o autônomo troca o seu tempo pela remuneração. E, deste modo, limita o valor que vai receber.

Em outras palavras, quando somos empregados, ganhamos um salário pelo tempo que ficamos na empresa. O salário não tende a aumentar muito com o tempo. Portanto, haverá a tendência de ficarmos na mesma ou até perdermos o poder de compra devido à inflação.

O autônomo, por outro lado, pode aumentar os seus honorários. Por exemplo, um psicólogo clínico pode subir o valor da consulta. Mas em uma semana, não conseguirá aumentar o tempo que pode trabalhar. Ele pode encher a sua agenda, mas não poderá trabalhar 24 horas por dia. Portanto, há um limite.

Já os donos de negócios e investidores se baseiam em uma outra estrutura, na qual utilizam os recursos disponíveis para fazer o dinheiro gerar mais dinheiro.

Por exemplo, na psicologia, é possível criar uma empresa e colocar outros profissionais como funcionários, de modo que o tempo será multiplicado pelo número de funcionários. Ao invés de atender 40 pacientes por semana, é possível atender centenas, quiçá milhares. É o caso da psicologia do trânsito. Uma psicóloga que seja dona de uma empresa que faz testes para a CNH pode contratar outros profissionais para aplicar os testes. Do mesmo modo, é possível criar uma agência de Recursos Humanos.

O papel do investidor, por outro lado, não é tão difícil como parece. Os excedentes que ganhamos, podemos colocar na poupança ou em uma aplicação financeira ou em uma ação ou comprar um bem que aumentará de valor com o tempo.

Conclusão

Creio que acabei me desviando um pouco do assunto. Mas o que gostaria de mostrar é que as principais dificuldades no início de uma carreira envolvem aspectos que são internos e externos:

Internos: falta de conhecimento do que se quer, dificuldade de se afirmar e ir atrás do próprio sonho, falta de conhecimentos sobre o mercado (marketing, contabilidade, demanda, público-alvo, etc);

Externos: oportunidades de emprego, vagas em aberto, remuneração média da profissão.

Mas o que quis mostrar foi que ao fazer uma faculdade ou um curso técnico não aprendemos uma série de habilidades e estratégias que são muito importantes para que a carreira decole. Mesmo que uma pessoa não queira ter um negócio ou investir, para ser bem sucedido como autônomo ou como empregado, é fundamental conhecer certas regras básicas da economia e da administração. Portanto, se você não sabe algum destes aspectos, procure ler e fazer cursos para lhe ajudar!

Dúvidas, sugestões, comentários, por favor, escreva abaixo!

Psicólogo Clínico e Online (CRP 06/145929), Mestre (UFSJ), Doutor (UFJF), Instrutor de Mindfulness e Pós-Doutorando (Unifesp), Coach e Presidente do Instituto Felipe de Souza. Como Professor no site Psicologia MSN venho ministrando dezenas de Cursos de Psicologia, através de textos e Vídeos em HD. Faça como centenas de alunos e aprenda psicologia através de Cursos em Vídeo e Ebooks! Loja de Vídeos e Ebooks. Você pode também agendar uma sessão de Coaching Online via Skype, Relacionamentos ou Carreira (faculdade), fazer o Programa de 8 Semanas de Mindfulness Online e Orientação Profissional Online. E não se esqueça de se inscrever em nosso Canal no Youtube! Email - [email protected] - Agendar - Whatsapp (11) 9 8415-6913