Curso de Psicologia Positiva Grátis. Conheça os 10 critérios da bravura, uma das virtudes ligadas à coragem em oposição ao medo, o temor e a covardia.

Olá amigos!

Hoje vamos continuar o nosso Curso Gratuito sobre Psicologia Positiva. Até aqui falamos das virtudes que estão definidas como virtudes ligadas à sabedoria: criatividade, curiosidade, mente-aberta, amor à aprendizagem e perspectiva. Agora passaremos a tratar as virtudes relacionadas à coragem: bravura, persistência ou perseverança, integridade e vitalidade.

De acordo com Marting Seligman, as virtudes da coragem implicam no exercício da vontade para atingir objetivos ainda que em face da oposição interna ou externa.

Na lição de hoje, portanto, vamos estudar o aspecto da bravura na virtude da coragem.

Definição de bravura (bravery)

Em resumo, definimos na Psicologia Positiva a bravura da seguinte forma: “não encolher (shrinking) quando há ameaça, desafio, dificuldade ou dor; falar o que for certo e justo mesmo que haja oposição; agir pela própria convicção ainda que esta seja impopular; inclui a bravura física mas não está limitada a esta”.

Este último ponto é importante porque a primeira associação que fazemos com bravura ou coragem é a do guerreiro em um campo de batalha. Não devemos, entretanto, confundir a bravura com ausência de medo. Na verdade, o sujeito mais corajoso seria aquele que enfrenta a situação, embora tema.

Esta imagem do guerreiro que enfrenta o oponente, então, é uma analogia significativa para entendermos a bravura que extrapola a bravura física. Por exemplo, dizemos que alguém tem coragem ao enfrentar uma séria doença ou defender os direitos de uma minoria, apesar de ser criticado, rechaçado, preso e até torturado.

10 critérios para definir bravura

Seligman aponta 10 critérios para que possamos conceitualizar com clareza a bravura. Vejamos um por um:

1) Realização (fulfilling)

2) Valor moral

3) Não diminuição do outro

4) Oposição adequada (nonfelicitous opposite)

5) Como um traço?

6) Distinção

7) Modelos ou Paradigmas

8) Prodígios

9) Ausência seletiva

10) Instituições e rituais

1) Realização (fulfilling)

Segundo os estudiosos da psicologia positiva, a bravura ou é ou não. Em outras palavras, a bravura não é uma expectativa, um sentimento ou uma ideia. É uma realização. Ou alguém realiza a sua virtude ou não a realiza. Como escreve Marting Seligman:

“O mundo está cheio de coisas que produzem medo, e virtualmente todos nós – com sistema nervoso intacto – podemos experienciá-lo. Mas quando conseguimos agir a despeito do nosso medo, segregando a nossa fisiologia do resto de nós, nós estamos realizando” (SELIGMAN, p. 199).

2) Valor moral

Uma outra metáfora para alguém que tem a virtude da bravura consiste nos heróis da mitologia, romances e histórias populares. Nós associamos bravura com heroísmo e, necessariamente, com valor moral. Um herói corajoso é aquele que faz o certo, que é altruísta, que ajuda os demais. Não é a toa que, se for o inverso, falaremos em anti-herói como o Macunaíma.

3) Não diminuição do outro

Como consequência do segundo critério, uma pessoa corajosa, por definição, não vai querer ou precisar diminuir a outra pessoa, ainda que ela seja o seu oponente em uma guerra, em uma disputa, em uma polêmica. Se imaginarmos uma cena extrema, em um campo de batalha, na qual um dos lados conseguiu conquistar o inimigo suposto, teríamos que realizar todo tipo de maldades excluiria a virtude da bravura, enquanto aquele que ajudar – apesar da oposição – será considerado um nobre, um herói, uma pessoa de valor.

4) Oposição adequada (nonfelicitous opposite)

De acordo com Seligman, muitos estudos científicos mostraram uma relação significativa entre doenças mentais (como as neuroses) com o que se intitula covardia. Assim, o lado oposto da coragem e bravura (a covardia) é um critério – na oposição ou ausência – para entendermos se uma pessoa tem a virtude apresentada aqui ou não.

5) Como um traço?

Ao contrário dos estudos que correlacionam covardia e doenças mentais, não existe consenso quanto ao fato de a bravura ser ou não um traço de caráter. Do mesmo modo que quando vamos estudar uma doença mental caímos na antiga questão psiquiátrica se é ou não congênito ou ambiental, na longa lista de virtudes elaborada pela psicologia positiva, encontramos questão idêntica.

A bravura é inata? É um traço de caráter? Tem influência genética? Ou o ambiente e o treinamento constante permitiria o seu desabrochar?

Outra questão é que não há consenso quanto ao seguinte problema:

– A bravura é um comportamento ou um componente da personalidade? Se a primeira alternativa é verdade, quantos comportamentos alguém precisa para ser considerado uma pessoa corajosa?

O uso desta terminologia e este quinto critério ainda controverso parece ser resolvido ao pensarmos na criatividade. Uma pessoa precisa de quantos comportamentos para ser criativa? Se a vida inteira ela precisar comprovar a sua criatividade, segundo Seligman, talvez apenas Da Vinci e Michaelangelo seriam rotulados como pessoas criativas.

Portanto, de idêntica forma, a coragem no quesito da bravura não precisa ser cotidiana. A disposição para ser aqui e ali já é suficiente para o critério de uso.

6) Distinção

É preciso distinguir a bravura das outras virtudes. Entretanto, é necessário reconhecer a proximidade com as virtudes da persistência e integridade (que veremos mais adiante em nosso curso).

7) Paradigmas ou Modelos

Poderíamos listar centenas e centenas de modelos ou paradigmas de bravura. Mas vamos deixar aqui apenas um que é referência para o sentido de enfrentamento a uma oposição, inclusive bem maior.

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No dia 5 de junho de 1989, um jovem chinês permaneceu em frente a tanques em protesto ao governo de seu país. Os tanques tentavam ir para um lado e para outro e ele os impedia ficando sempre à sua frente.

8) Prodígios

Normalmente pensamos a bravura como estando relacionada a adultos somente. Mas exemplos de prodígios de bravura também existem. Um exemplo atual é de Malala Yousafzai, a pessoa mais nova a receber um prêmio Nobel. Vivendo em uma região governada pelos talibãs, ela lutou pelo direito das meninas de ir à escola. Em 9 de outubro de 2012 levou um tiro na cabeça e teve que ser operada. Após o evento, a mídia passou a divulgar a sua luta e em 12 de julho de 2013, ela falou na Assembleia da Juventude na Organização das Nações Unidas em Nova Iorque:

9) Ausência seletiva

De novo, é fundamental distinguir entre covardia e coragem (no sentido de bravura). Assim como podemos ter os nossos momentos de virtude, também podemos nos comportar de forma covarde. E é aqui que entra a necessidade de definir melhor covardia: “Os psicólogos sociais tem discutido a falha em intervir em uma emergência como ignorância plural, baseada na inação de outros em situações parecidas, mas esta perspectiva apensas funciona quando a situação é ambígua. Quando nós sabemos o que precisa ser feito mas nos encolhemos pelo medo, nós não somos ignorantes, mas sim covardes”.

10) Instituições e rituais

E, por fim, temos o critério ligado a instituições e rituais. Seligman usa o exemplo dos escoteiros, como uma instituição que visa promover o valor individual e a bravura. Mas o grupo não precisa estar necessariamente institucionalizado desta maneira para ser útil no incentivo para que o indivíduo enfrente o que teme:

“Falar em público é um dos medos mais comuns no mundo moderno, e é superado simplesmente ao falar em público. Assim, pais e professores encorajam as crianças a fala. Na mesma linha, amigos e membros da família encorajam que peguemos um avião, a pular em uma piscina profunda, a tentar marcar um encontro ou ir para a pista e dançar” (SELIGMAN, p. 202).

Conclusão

Ao longo do texto, eu utilizei a palavra coragem e os adjetivos corajoso e corajosa como sinônimos de bravura. Em português, acaba ficando um pouco estranho dizer que uma pessoa que tem bravura é uma pessoa brava, pois associamos uma pessoa brava com uma pessoa com raiva.

Espero que tenha ficado claro que a bravura consiste em uma das virtudes da coragem. Nas lições seguintes, falaremos então de persistência ou perseverança, integridade e vitalidade como outros tipos de coragem.

Psicólogo Clínico e Online (CRP 06/145929), Mestre (UFSJ), Doutor (UFJF), Instrutor de Mindfulness e Pós-Doutorando (Unifesp), Coach e Presidente do Instituto Felipe de Souza. Como Professor no site Psicologia MSN venho ministrando dezenas de Cursos de Psicologia, através de textos e Vídeos em HD. Faça como centenas de alunos e aprenda psicologia através de Cursos em Vídeo e Ebooks! Loja de Vídeos e Ebooks. Você pode também agendar uma sessão de Coaching Online via Skype, Relacionamentos ou Carreira (faculdade), fazer o Programa de 8 Semanas de Mindfulness Online e Orientação Profissional Online. E não se esqueça de se inscrever em nosso Canal no Youtube! Email - [email protected] - Agendar - Whatsapp (11) 9 8415-6913