Segundo Jules Renard, a preguiça é nada mais do que descansar antes de ter se cansado. Descubra o sistema de fichas, um excelente método da psicologia comportamental para combater a preguiça e começar a estudar, trabalhar ou fazer aquilo que você vem deixando para depois. 

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Olá amigos!

Preguiça significa inação, falta de ação. O oposto da preguiça, então, é agir, fazer, realizar. A questão que temos que entender é que uma pessoa preguiçosa é preguiçosa apenas com um tipo de ação, como estudar ou trabalhar, mas não preguiçosa para outras ações como sair para uma balada ou ir ao cinema. Isto fica ainda mais evidente quando descobrimos que na nossa cultura, é muito difícil para uma pessoa ficar sem fazer nada (nada mesmo) por mais 15 minutos que seja.

Em um experimento realizado e divulgado recentemente, ao ter que ficar em uma sala sem estimulação alguma por 15 minutos, algumas pessoas chegam a preferir tomar choques elétricos a ficar sem fazer nada. Se é assim, como pode a preguiça ser considerada em nossa cultura judaico-cristão e grego-romana um dos 7 pecados capitais?

Como eu disse, isto é porque a preguiça é preguiça para certos comportamentos. Uma pessoa pode ter preguiça de ir fazer um esporte, como caminhar ou praticar musculação, mas pode não ter preguiça para estudar mais de 8 horas por dia. Outra pessoa, pode ter preguiça de estudar e ir à academia religiosamente. Uma pessoa pode ser um workaholic, um viciado em trabalho e trabalhar 14 horas por dia, mas ter preguiça de ler um livro até o final.

O que quero dizer é que não leva a nada classificar uma pessoa como preguiçosa. O que é preciso pensar é quando, em que momentos, de que forma e para que uma pessoa apresenta o que chamamos de preguiça.

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O que é preguiça?

Segundo o dicionário Michaelis, preguiça vem do latim pirigitia, um substantivo que significava lentidão; vagar; lazer. Os dois principais significados na atualidade são:

1) Pouca disposição para o trabalho; aversão ao trabalho; inação, mandriice.

2) Demora ou lentidão em fazer qualquer coisa; indolência, moleza; morosidade, negligência.

Portanto, preguiça significa uma resposta lenta do organismo para realizar uma ação ou até, inclusive, a não-resposta. Por exemplo, você pede um favor a alguém. Se a pessoa demora para fazer o que você pediu ou não faz, você poderá qualificar a sua lentidão na resposta, a sua indolência, ou sua não-resposta como preguiça. Assim, juntamos em nosso pensamento o sujeito com o adjetivo preguiçoso e dizemos: “Fulano é preguiçoso”.

Quem é pai ou mãe, verá que quando pedimos que o filho ou filha realize uma ação, a rapidez ou lentidão na ação dependerá da própria ação ou da recompensa advinda da ação. Se pedimos para a criança se arrumar para o colégio, ela pode parecer preguiçosa. Mas se pedimos para se arrumar para ir a um parque de diversões, ela não apresentará nenhum traço de preguiça.

O sistema de fichas

O sistema de fichas é uma das formas utilizadas pela psicologia comportamental para aumentar a probabilidade de emissão de comportamentos. Em termos menos técnicos, podemos dizer que o sistema de fichas é útil para diminuir a preguiça.

Em uma das disciplinas que fiz durante a faculdade, éramos solicitados a criar um auto-experimento com o sistema de fichas. Assim, ao invés de aplicarmos o método para uma outra pessoa (geralmente o sistema de fichas é aplicado na terapia com crianças), nós o utilizávamos em nós mesmos.

Na época, estava começando a estudar alemão. Esse era um objetivo meu, pessoal. Apesar disso, sabemos que aprender uma língua estrangeira é um processo longo e demorado. Como neste período eu não tinha dinheiro para pagar um cursinho de línguas, tinha que estudar por minha conta, ser um autodidata. Porém, o problema não era estudar. O problema era estudar com uma frequência que fosse correspondente ao tempo que nos dedicamos quando estamos matriculados em uma escola de idiomas.

Sabendo que para falar o básico de uma língua precisamos saber entre 2.000 a 3.000 palavras, eu vi que se aprendesse 10 novas palavras por dia, em um período de um ano, teria aprendido 3650 palavras! Porém, como disse, a minha dificuldade na época era criar a disciplina de estudar todos os dias.

Então, apliquei o sistema de fichas. Veja como funciona:

Segundo Caballo (1996): “sistema de fichas, no qual se dá uma ficha ou um ponto imediatamente depois de cada ocorrência da resposta-objetivo e, quando se acumulou um determinado número de fichas ou pontos, apresenta-se um reforçador mais amplo. Visto que as fichas se emparelham com ele, tornam-se reforços condicionados”.

Uma ficha pode ser um papel com o escrito – “Vale 1 ficha”. Ou pode ser um ponto em uma tabela semanal. Por exemplo, na segunda o comportamento foi realizado, então atribui-se um ponto naquela segunda. Para crianças, indicamos a criação de fichas.

Deste modo, dizer que temos que aprender 3000 palavras de alemão pode parecer uma tarefa tão gigante que vamos ter “preguiça” e não vamos aprender. Mas se dividirmos este número aparentemente alto em pequenos grupos, digamos, 10 palavras por dia, a tarefa ficará muito mais fácil.

Tendo uma resposta-objetivo (10 palavras por dia), vamos criar um sistema de fichas, também chamado de economia de fichas. Para cada resposta-objetivo, vamos dar uma ficha ou um ponto. Assim que o sujeito tiver ajuntado um número de fichas (por exemplo, 7 fichas = 70 palavras aprendidas), vamos trocar por um reforço positivo como poder assistir a um filme.

Portanto, o sistema é simples:

1) Define-se uma resposta-objetivo (aprender 10 palavras de alemão por dia, ir na academia, caminhar 1 hora, ler 100 páginas de um livro, trabalhar 4 horas sem interrupção). Para cada resposta atribuímos uma ficha.

2) Define-se um reforço positivo que será trocado depois de ter se atingido um número específico de fichas. Se for uma resposta-0bjetivo por dia e se contarmos 5 dias úteis, teremos um reforço a cada 5 fichas ou se contarmos a semana teremos um reforço a cada 7 dias. Porém, é importante que, quando a resposta-objetivo não for emitida, a ficha não é dada e o dia não é contado.

3) É importante registar o comportamento ao longo do período, para saber se está sendo eficaz ou não. Se não estiver sendo eficaz, pode-ser mudar a resposta-objetivo (por exemplo, diminuir o esforço de 10 palavras para 6) ou aumentar o reforço ao acumular o número certo de fichas, como poder realizar uma pequena viagem ou comprar um presente específico.

O sistema de fichas não vai funcionar de forma adequada apenas neste sentido, ou seja, se a resposta exigida for muito alta com um reforço muito baixo. Se a resposta for relativamente fácil e tranquila, não será um problema realizá-la, não haverá preguiça. Se o reforço for uma recompensa desejada, haverá motivação para manter a rotina do comportamento.

Como mencionei acima, o sistema de fichas é muito utilizado na educação infantil. Isto porque é fácil de ver que toda criança tem muita energia para gastar. Então, seria bastante estranho que ela fosse preguiçosa, indolente, lenta para agir tendo tanta vitalidade para usar.

O que acontece é que a criança não quer gastar a sua energia com algo que considera desinteressante. Uma criança pode ficar horas jogando video-game, assim como pode ficar super atenta para uma explicação de como funciona o coração em uma aula de biologia e, ainda que seja o mesmo ambiente (a escola), ela pode ficar desatenta e preguiçosa em uma aula de português.

Ou seja, temos sempre que analisar aprofundadamente e ver que no final das contas ninguém é preguiçoso em todos os lugares, em todos os momentos. Quando encontramos um tipo de resposta lenta, ou uma não-resposta, em nós ou nos outros, isto se dará por um dos dois motivos:

– a ação é avaliada como muito grande e cansativa;

– não há uma recompensa para agir, depois que tiver sido feito o esforço.

Por exemplo, quem iria ao trabalho 40 horas por semana se não tivesse a recompensa (o salário)? De igual modo, quando a tarefa é vista como excessivamente difícil por ser longa ou grande, o melhor jeito é dividir e fazer por partes. Isto é fácil de ver quando o aluno tem que escrever um TCC (Trabalho de Conclusão de Curso). O trabalho final parece mostruoso de grande e o aluno não sai do lugar. Se, ao invés, ele começar a fazer uso do sistema de fichas e dividir o que tem que fazer em partes por dia e motivar-se com uma recompensa ao final da semana, todo o percurso será mais leve e prazeroso.

Deste modo, o sistema de fichas é um ótimo sistema – e que funciona (comprovei por ter utilizado em mim mesmo durante a faculdade) – para o aumento de comportamentos específicos e para a criação e manutenção de hábitos, sejam estes de estudo, de trabalho, de praticar atividades físicas ou o que você encontrar que não faz, por ter preguiça.

PS: Gostaria de deixar o meu agradecimento à Silvana, que sugeriu o tema da preguiça. Obrigado Silvana!

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Psicólogo Clínico e Online (CRP 06/145929), Mestre (UFSJ), Doutor (UFJF), Instrutor de Mindfulness e Pós-Doutorando (Unifesp), Coach e Presidente do Instituto Felipe de Souza. Como Professor no site Psicologia MSN venho ministrando dezenas de Cursos de Psicologia, através de textos e Vídeos em HD. Faça como centenas de alunos e aprenda psicologia através de Cursos em Vídeo e Ebooks! Loja de Vídeos e Ebooks. Você pode também agendar uma sessão de Coaching Online via Skype, Relacionamentos ou Carreira (faculdade), fazer o Programa de 8 Semanas de Mindfulness Online e Orientação Profissional Online. E não se esqueça de se inscrever em nosso Canal no Youtube! Email - [email protected] - Agendar - Whatsapp (11) 9 8415-6913