Olá amigos!

Conforme vimos em um texto publicado aqui no site recentemente, a Psicologia Positiva – esta nova abordagem da psicologia – busca criar um Manual da Sanidade, ou seja, uma forma de entender e estudar não as doenças mentais e emocionais, mas sim o que há de bom e positivo no ser humano. Sendo este um de seus objetivos, os psicólogos positivos elaboraram uma lista inicial, passível de modificação e reformulação posterior, com 24 forças do caráter.

No texto anterior, já falamos sobre a primeira força do caráter, a criatividade. Veja aqui – Psicologia Positiva: A Criatividade – Hoje, vamos falar a respeito da segunda força do caráter, que é a curiosidade.

Não sei se todos vocês já tiveram a experiência que tive em um determinado período da minha vida, que é o de conhecer alguém que não tem curiosidade nenhuma ou, talvez, uma curiosidade tão baixa que é quase impossível encontrá-la. Digo isto não para julgar ou criticar esta pessoa, mas porque pensar em uma pessoa sem curiosidade é pensar o outro extremo do que é ter esta força do caráter. Como nas fotos antigas, em que víamos o negativo da foto.

Enfim, como não é, portanto, o objetivo da psicologia positiva pensar o lado negativo, vamos direto à curiosidade

O que é Curiosidade – Definição Psicologia Positiva

Existe uma longa tradição de pesquisas dentro da psicologia sobre o que é curiosidade. Podemos pensar a curiosidade como uma sede insaciável por conhecimentos, um grande interesse pelo mundo e pelas coisas. Segundo Seligman e Peterson, autores do livro que uso como base para os textos sobre Psicologia Positiva, a curiosidade possui a seguinte definição, que é consensual dentre os diversos pesquisadores:

“Curiosidade, interesse, busca por novidades, e abertura para novas experiências representa o desejo intrínseco de alguém por experiência e conhecimento. A curiosidade envolve as atividades de identificação, busca e regulação das experiências em resposta a oportunidades desafiadoras”.

Apesar de eu arriscar dizer que existem pessoas que não são curiosas (ou são muito pouco curiosas), segundo os mesmos autores a curiosidade é praticamente um dado humano universal, em atividades cotidianas como:

– ficar absorto ao assistir um filme;

– completar um quebra-cabeças;

– abrir e ler com concentração uma carta que acabou de chegar;

– conversar com um estranho intrigante;

– ouvir com atenção uma nova música no rádio.

E, após esta breve listagem para dizer que a curiosidade é ubíqua, os autores argumentam que a questão sobre alguém ter ou não curiosidade é muito mais uma questão de grau ou intensidade: “Todos os indivíduos experienciam curiosidade, mas a diferença reside na profundidade e extensão, no seu limite e na vontade de experienciar a curiosidade”.

Curiosidade, interesse e busca por novidades

A curiosidade e o interesse, para alguns autores, são termos praticamente idênticos. Segundo Seligman e Peterson: “Quando os indivíduos experienciam estes estados positivos tanto emocionalmente e motivacionalmente, eles iniciam e sustém comportamentos direcionados a objetivos em resposta a pistas de incentivo”.

William James distinguia também entre dois tipos de curiosidade – que ao longo da história da psicologia continuaram em uso:

“O primeiro tipo envolve uma mistura de ansiedade e excitação emocional no que diz respeito à exploração e alegria das novidades. O segundo tipo seria a curiosidade científica ou metafísica, relacionada a uma falha ou falta ou inconsistência no conhecimento já obtido”. Em outras palavras, os pesquisadores após James costumam fazer a diferença entre:

– a busca por novidades;

– a curiosidade específica

 A busca por novidades pode ser descrita como um estado emocional e motivacional no qual o indivíduo está em busca de estimulação ocasionada pelas novidades, complexidades, incertezas, conflitos ou buscando resolver problemas ou questões.

A curiosidade específica, por outro lado, está relacionada com a busca de uma solução para um problema ou “novidade” específica, como situações, objetos, eventos, perguntas que são fechadas em si mesmas.

Apesar de os pesquisadores fazerem a diferença entre os dois tipos de curiosidade, temos que pensar nesta força do caráter como sendo ligadas, já que um tipo de curiosidade traz necessariamente o outro.

Outra forma de considerar esta diferença entre tipos de curiosidade é pensar em uma curiosidade específica, uma curiosidade diversa e uma curiosidade geral. Em todo caso, não é a curiosidade, não é a força do caráter que deveria ser definida de formas diferentes, mas apenas o objeto ou foco da curiosidade que se alteraria. Por exemplo, ser curioso por todo o conhecimento da psicologia seria um tipo de curiosidade de busca por novidades ou curiosidade diversa, ou, ainda, geral. Enquanto que ficar anos a fio estudando o conceito de sublimação, para Freud, seria uma tipo de curiosidade específica.

Para concluir estas definições, temos que entender também que a curiosidade acaba gerando mais curiosidade, quer dizer, uma pessoa curiosa busca e resolve o motivo pelo qual teve curiosidade e, a partir disso, é bastante provável que as novas informações acabem suscitando novas curiosidades.

Conclusão

Eu fiz questão de mencionar pessoas que parecem não ter nenhum tipo de curiosidade até para que fosse possível pensar, de forma inversa, em que consistiria uma pessoa curiosa. Em muitas regiões, a curiosidade é até pensada como uma característica negativa, infelizmente.

Mas pensar alguém que não tem curiosidade é pensar não somente na falta de busca por novos conhecimentos específicos. É pensar em alguém que, pela própria definição, não vai buscar nada novo. Ora, se alguém não busca nada novo, vai continuar com o antigo, o velho, com o que passou. E isto pode ser prejudicial em diversos aspectos.

Pensando pelo lado da psicologia positiva, podemos ver como, realmente, a curiosidade, o interesse, a busca por novidades é uma característica de personalidade que deve ser considerada uma força do caráter e estar presente em um Manual da Sanidade, do bem estar psíquico.

Tanto a curiosidade geral (a busca por novidades) como a curiosidade específica (de conhecimentos em uma dada área) movem as pessoas e, consequentemente, movem o mundo, modificando-o, fazendo diferente, inovador, original, renovado. Uma vida individual, também, recomeça quando há esta busca pelo novo…

Psicólogo Clínico e Online (CRP 06/145929), Mestre (UFSJ), Doutor (UFJF), Instrutor de Mindfulness e Pós-Doutorando (Unifesp), Coach e Presidente do Instituto Felipe de Souza. Como Professor no site Psicologia MSN venho ministrando dezenas de Cursos de Psicologia, através de textos e Vídeos em HD. Faça como centenas de alunos e aprenda psicologia através de Cursos em Vídeo e Ebooks! Loja de Vídeos e Ebooks. Você pode também agendar uma sessão de Coaching Online via Skype, Relacionamentos ou Carreira (faculdade), fazer o Programa de 8 Semanas de Mindfulness Online e Orientação Profissional Online. E não se esqueça de se inscrever em nosso Canal no Youtube! Email - [email protected] - Agendar - Whatsapp (11) 9 8415-6913